domingo, 19 de dezembro de 2010

O BALANÇO DE UM GOVERNO NADA MAIS QUE MODESTO - I

Maurelio Menezes

O Governo (?) Lula chega ao fim, embora os fanáticos ou desinformados (apenas os fanáticos e desinformados) petistas e pseudo oposicionistas afirmem que o governo Dilma será a continuidade do Governo Lula. Lula entrega a faixa com uma popularidade jamais vista por outro presidente em final de mandato, um fenômeno para um governo que não foi nada além de modesto e que ficou devendo em muito em áreas fundamentais como saúde, educação, saneamento básico, infra estrutura e na área social. À primeira vista parece até uma incoerência escrever isso. Mas é a demonstrar o contrario que vou me ocupar nos próximos dias, usando números e fatos. E contra números e fatos, dizem as regras, não há argumentos.

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A primeira explicação para esse fenômeno está no fato de nos oito anos Lula ter seguido á risca o que determinou Duda Mendonça a ele no iníco do governo: Não importa o que você faça, mas sim o que o povo pensa que você está fazendo. Para isso desde o início a preocupação foi apostar na compra da mídia. A média de gasto direto com publicidade apenas do governo beira o um bilhão de reais por ano. Se somados os gastos das estatais esse valor é sextuplicado, o que nunca aconteceu antes na história desse país. Mas esse foi apenas um detalhe, como detalhes foram também a subjugação de sindicatos e especialmente de centrais sindicais e a distribuição de benesses a governadores e parlamentares.

Arte publicada em outubro no  Prosa & Política
O Mensalão foi apenas a ponta do iceberg. A falcatrua que levou à denuncia de uma quadrilha de 40 integrantes no STF, inclusive o homem forte do governo, José Dirceu que, apesar de cassado, dia desses disse que nunca se afastou do palácio do Planalto.  Em outubro a blogueira Adriana Vandoni citou entrevista do centista político Marco Antonio Villa ao portal R7 na qual afirmava que o mensalão ainda em 2010 seria uma mera lembrança para o brasileiro.Quanto custou isso em dinheiro púboico. jamais se saberá.

Eu tenho tanto pra lhe contar mas com palavras não sei dizer
 A distribuição de uma fortuna para os produtores rurais de MT entre o primeiro e segundo turnos na eleição de 2006, que aproximou ao extremo Lula de Blairo e que mudou o apoio do então governador que pulou do barco de Alckmin, foi apenas um dos fatos que mostraram como Lula governou. O entreguismo da CUT, tracionalmente uma central sindical de luta e que se transformou numa bibelô nas mãos do governo, sem que a classe trabalhadora tivesse qualquer benefício foi apenas uma das artimanhas usadas para que o brasileiro pensasse que nunca antes da história desse país o país estivera tão bem.

Aos poucos vão aparecendo números. Lula nunca teve oposição. Esta, usando o velho e furado argumento que não apostava no quanto pior melhor, como fizera o PT  em todos os governos anteriores, e que os interesses do Brasil estavam acima de qualquer coisa (na verdade, afirmam os mais informados eles foram cooptados em acordos milionários feitos em hangares de aeroportos de Brasilia e pelo país afora), deram a Lula uma carta branca. Os dados são da Consultoria Arko Advice, que analisou 404 votações nominais de interesse do governo nos ultimos 8 anos. A ausência em plenário foi a tônica dos partidos que se diziam de oposição. O PPS de Roberto Freire evaporou em 46,07%, o DEM em 44,24% e O PSDB  em 41,12%. O PSOL, também oposição, não se ausentou tanto, mas votou com o governo em em 39,58% dessas votações. Uma frase que teria sido dita pelo governador reeleito de Alagoas Teotônio Vilela Filho mostra bem a qualidade da oposição que Lula teve: Oposição? Afasta de mim esse cálice! 

Com uma oposição assim parte do fenômeno está explicado.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS O CONTRIBUINTE FOI TÃO ASSALTADO

Maurelio Menezes

Lula pegou um governo enxuto, sem o encosto das estatais que somente davam despesas, foram usadas historicamente como cabides de emprego. Mais ainda, com a privatização das teles, do setor elétrico e dos bancos estaduais, todos eles passaram a pagar impostos, o que não faziam antes. Em outras palavras, Lula tinha tudo para fazer um governo voltado para o cidadão, aliviando o bolso dele no que mais o destrói, a carga excessiva de tributos que paga em tudo. Mas não o fez. Para compensar criou uma boa estratégia de marketing (saída da cabeça do impoluto Duda Mendonça no inicio de seu primeiro governo) passou a dar a esmola da Bolsa Familia e contou com o deslumbramento daquela que antigamente era chamada de esquerda festiva, um grupo de pessoas que julga estar no poder (na verdade não está e é tão prejudicado quanto o resto dos brasileiros). Entre eles, jornalistas, publicitarios, profissionais liberais, professores, especialmente universitários, executivos do segundo e terceiro escalões. O resultado não poderia ser outro...

 

Impostos duplicaram no governo Lula
O setor elétrico é apenas um dos exemplos em que o brasileiro, inclusive a tal esquerda festiva, mas também o brasileiro comum, aquele que recebe salário minimo, foi literalmente escalpelado para encher os cofres do governo, para aplicação em sabe-se lá o que, ou melhor, sabe-se... Nos ultimos 8 anos os tributos cobrados sobre a energia elétrica mais que dobrou. E, afirma a Folha se S.Paulo, o estrago somente não foi maior porque o governo não conseguiu renovar a CPMF (que Dilma está tentando ressucitar para mneter ainda mais a mão no boldo do contribuinte). Em 2002, final do governo FHC a cada cem reais gastos com energia, sete iam para os cofres federais. Hoje vão 14 reais. A avaliação completa você encontra em reportagem de Leila Coimbra na Folha de S.Paulo .

A Av Paulista, em Sao Paulo, ficou assim
O Rio de Janeiro ficou assim
Apesar do aumento absurdo dos impostos no setor, tivemos um apagão sem proporções em outubro de 2009. O país ficou às escuras, o que significa que o dinheiro arrecadado não foi aplicado no que deveria.  Em 2009 as imagens do Apagão do Lula assustaram o Brasil e os prejuizos foram imensos tanto materialmente quanto para a imagem do país. Hoje, em Mato Grosso, voltamos ao tempo em que qualquer chuva era motivo para ficarmos sem energia.

Com toda essa comprovação de que sabe arrecadar, escapelar mesmo o cidadão, o governo tenta ressucitar a CPMF. Para quê? A sociedade não pode permitir isso. Chega de impostos. O que precisamos agora é uma aplicação justa dos impostos arrecadados, o que não existe por parte do governo.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - III

Maurelio Menezes

Porque o tráfico de drogas no Brasil chegou ao ponto que está? Esta pergunta tem sido respondidas das mais diversas formas nos ultimos dias nas Midias Sociais, especialmente no Twitter. Há um grupo que coloca boa parte da culpa no consumidor seguindo o antigo raciocínio que, se ninguém consumir não haverá trafico. É mais ou menos como se dizer: se ninguem aceitar a corrupção, não haverá corruptos. Ou pior ainda: se você encontrar sua mulher (ou seu marido) o (a) traindo no sofá da sala, venda o sofá que ele(a) não te trairá mais.

Acredito sim que o usuário tem parcela da culpa pela evolução do tráfico. Mas só uma parcela. E pequena. A família, a escola, e várias outras entidades têm também uma parcela de culpa, assim como o Estado que sequer possibilita em grande escala tratamento a quem o procurar. Houve um grande avanço ao se considerar o usuário de droga alguém que precisa de tratamento. Mas o fato dele não procurar por esse tratamento o coloca numa situação delicada. Mas será que procurar um tratamento é algo assim tão simples? Com certeza, não. Porque ninguém se entrega às drogas por nada. Há sempre um motivo que, por mais que não concordemos com ele, é um motivo válido para quem se transformou em usuário.


O problema é muito maior, e não pode ser abordado sem antes de analisar diversos aspectos, como o baixo salário dos policiais, que abordei aqui no segundo Olhar sobre a suposta Guerra Urbana do Rio. Mas há também a absoluta falta de fiscalização por parte do poder público. O Brasil é um grande produtor de maconha, mas não produz Coca, materia prima da cocaina. Na campanha José Serra usou como um dos motes de seu programa a fiscalização das fronteiras, porque 60% da cocaina consumida no Brasil seria produzida na Bolivia (o resto provavelmente vem da Colombia). Mas há um outro detalhe. Bolivia, principalmente, e Colombia, não têm um parque industrial químico para produzir, por exemplo, a acetona, utilizada no refino. Ou seja, não basta fiscalizar a entrada, mas é preciso também a produção dos componentes químicos, a maioria promovida no Brasil. Aí os interesses são muitos e impedem a fiscalização, como também são muitos os interesses que impedem um avanço pesado sobre a industria do alcool, este sim a grande droga, que abre as portas para todas as outras. A arrecadação de impostos, só os federais, no Brasil esse ano será  superior a trilhão de dólares, e boa parte disso vem da industria do fumo e do alcool. Ou seja, para o governo federal, quanto mais viciados, maior a arrecadação.

A suposta guerra urbana que está se desenrolando no Rio tem raizes muito mais profundas que uma simples briga do bem contra o mal, como alguns afirmam. Ao Poder Publico não interessa aprofundar o debate porque a maior parte da culpa é mesmo dele, que, entre muitas coisas,  não fiscaliza, não reprime onde deve reprimir, não paga salarios dignos a policiais para que eles pelo menos resistam um pouco mais à corrupção. não amplia a rede de tratamento para diminuir o número de usuários, ataca apenas os traficantes das favelas, do morros (que a midia se encarrega de dioturnamente de transformar no traficante mais procurado do país), mas não mexe com os verdadeiros chefões que moram no "asfalto" em apartamentos luxuozérrimos, que não cria politicas publicas para evitar que a criança desde cedo se envolva com o crime, começando como fogueteiro, passe  pipeiro, passe a olheiro, se transforme em avião e morra logo depois bringando por um posto de Lugar Tenente na hierarquia do tráfico, já que pouquíssimos chegam a chefiar uma Boca.

Fica mais fácil também para todos nós, que támbém temos nossa parcela de culpa nessa situação, a aplaudirmos um espetáculo como o dos ultimos dias, considerando tudo como positivo, sem usarmos o sacrassanta ferramenta da dúvida cartesiana ou agostiniana, fingindo que agora tudo está resolvido. Não está. E infelizmente está longe de se resolver.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - II

Maurelio Menezes

Hoje a primeira comprovação de que a suposta guerra ao tráfico no Rio está sendo  usada como peça de propaganda pelos governos do Estado do Rio e Federal. Sumidos desde o inicio da crise, período em que falaram apenas via assessoria (Lula foi pego no contrapé numa solenidade internacional), Lula e Dilma são manchetes hoje, quando tudo está resolvido. Dilma anunciou aos quatro ventos que vai se reunir com o Governador Sérgio Cabral para avaliar a situação, reunião que deveria ter acontecido antes. E Lula usou a maior parte do seu programa de Rádio, Café com o Presidente, para falar sobre a atuação das forças aliadas no Rio.

Declarações de comandantes da polícia dadas hoje à Globo News, mostram também a diferença entre o discurso dos propagandistas de plantão, que só fazem manipular, e da polícia, que efetivamente merece elogios pelo trabalho realizado. De acordo com o Coronel Garcia, as imagens divulgadas  na quinta-feira e reforçadas como sendo uma fuga em massa de traficantes não foi mais que um deslocamento dos marginais dentro de seu proprio território. De acordo com ele, criou-se uma imagen que não condiz com a realidade já que Vila Cruzeiro e Alemão fazem parte da mesma "comunidade".

A polícia do Rio tem feito milagres pelo abandono a que está submetida há anos, inclusive no governo Cabral porque se é verdade que há a banda podre nessa polícia também é verdade que poucas policias no país  estão tão abandonadas, inclusive pelo governo federal que para atender interesses de aliados como Sérgio Cabral, impede a aprovação da PEC 300, que prevê a criação de uma espécie de piso nacional para as forças de segurança. Hoje, até para correr riscos menores, os policiais do Distrito Federal ganham até tres vezes mais que um policial de outro Estado.A PEC 300 pretende corrigir esta distorção, mas o governo federal faz jogo de cena (Lula, que debaixo do pano trabalha pela não aprovação,  posou com uma camiseta em defesa da aprovação durante uma grande manifestação em Brasília) atendendo ao jogo de governadores. Se você não acompanha a tramitação da PEC 300 veja aqui do que se trata e como está a situação.

Governantes têm agora uma boa oportunidade de mostrarem que não estão fazendo cena. Eles poderiam reconhecere o trabalho da polícia. apoiando pra valer a aprovação da PEC 300. Com ela policiais, que em sua maioria mora nas mesmas comunidades populares onde têm que combater o crime, teriam uma vida menos indigna e estariam menos sujeitos  aos encantos do dinheiro fácil da contravenção. Mas aí, ate prova em contrário, é pedir demais.

domingo, 28 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - I

Maurelio Menezes

O filósofo francês René Descartes fez da dúvida a principal ferramenta para se biscar um conhecimento seguro. Santo Agostinho preconizava que a dúvida é o principio da sabedoria. Pessoalmente, tenho a dúvida como minha principal conselheira e absolutamente todos os momentos. E não é por outro motivo  que frequentemente duvido de minhas próprias convicções. Por isso mesmo desde o dia em que começou a chamada crise da segurança no Rio venho me questionando o que existe por trás disso tudo? Quais os interesses que estão por trás dessa ação, que começou de repente, sem um motivo aparente? A partir de hoje vou postar aqui uma série de consideçãoes, resultados dessas dúvidas e que compõem meu Olhar sobre essa suposta guerra urbana

Nas ultimas semanas, a cada dia se solidificou mais a imagem da história da Vaca na Sala. Você não conhece a história? O sujeito não aguentava mais tantos problemas em casa, que envolviam a mulher, os filhos, as finanças, a saúde, enfim tudo. Procurou um desses gurus de auto ajuda, que o aconselhou a colocar uma vaca na sala. Dias depois ele voltou a procurar o guru afirmando que a situação piorara muito, porque, além de todos os problemas anteriores, agora tinha a vaca sujando a casa derrubando móveis, enfim, provocando o caos. O guru então lhe sugeriu que tirasse a vaca da sala. Ele seguiu a orientação e dias depois voltou feliz porque todos os problemas provocados pela vaca já náo existiam.
Frequentemente, e em Comunicação,  estudamos e aprendemos isso: numa sociedade do espetáculo como definiu Guy Débord, nada melhor que um espetáculo para se esconder alguma coisa ou se desviar atenção de um problema maior( e se o espetáculo não existir necessário é que ele seja montado). Mas qual seria esse problema? Afinal, os ataques incendiarios a carros e ônibus são reais. Imagens como as que invadiram nossas retinas nos últimos dias não se tratam de ficção. Mas alguns detalhes chamam atenção: a maioria dos veiculos incendiados foram ônibus e Vans, que apoiam o transporte coletivo no Rio. Todos, absolutamente todos, os incêndios foram em locais de bastante visibilidade e em horas sem muito trânsito, ou seja, mandava-se um recado e tinha-se campo livre para fuga. Poucas vezes houve feridos, isto é, os incendiários, traficantes ou não, não queriam atacar a população.


Inauguração da UPP do Morro do Turano
Para se entender o que está acontecendo, talvez seja necessário se voltar um pouco no tempo. No final do ano passado, já de olho na reeleição, Sérgio Cabral criou uma política de segurança em parceria  com o Governo Federal, que por sua vez estava de olho na eleição de Dilma, àquela altura patinando nos 20% das intenções de voto. As UPPS -Unidades de Policia Pacificadora- surgiram como a panacéia para todos os problemas da segurança do Rio e um exemplo para o Brasil. A polícia invadia uma comunidade (estão usando o termo comunidade de forma errada, dando a impressão que se trata de um lugar onde vive um bando de gente pobre, sem voz e sem força) e ficava lá com instalação de dependências definitivas. Seria maravilhoso se não se tratasse apenas de uma peça de propaganda, no melhor estilo de Goebels. As inaugurações das UPPs sempre foram realizadas com com grande pompa e com a presença do Governador e em alguns casos do próprio Lula, que participou da inauguração da UPP do Dona Martha, em Botafogo, Zona Sul do Rio. No primeiro comício de Dilma no Rio, sempre ao lado de Lula, é claro, os dois falaram pelo menos 10 minutos cada um sobre as UPPs. Cada UPP, pela sua configuração, teria um quadro com a média de um policial para cada 30 habitantes, ou seja, apenas para o Rio, seriam necessáros 300 mil policiais para trabalhar exclusivamente nas UPPs. Num dos comícios que fez no Rio, para adoçar os olhos especialmente da classe média, Lula irresponsavelmente cometeu o absurdo de afirmar que o modelo das UPPs seria implantado em todo o país no governo Dilma. Em outras palavras, só para as UPPS teriamos que ter um efetivo de 7 milhões de políciais com equipamentos, armas e tudo que uma unidade exige, o que, todos sabem, é tão possivel quanto o Flamengo ser campeão brasileiro de 2010.

Essa ofensiva com o Exercito, Marinha (aliás, porque não convocaram também a Aeronatitica?), e todas as forças locais tornariam desnecessária a curto prazo novas investidas nas UPPs pois  o tráfico estaria liquidado. Estaria? Qual o lider que foi preso na invasão do Alemão? Não chegaram ao asfalto onde estão os verdadeiros benefeciados do tráfico. Assim até agora tudo foi jogo de cena, tudo propaganda. Tudo pirotecnia para desinformados verem.

Amanhã a gente conversa sobre outro aspecto dessa guerra que não é guerra, desse espetáculo circense montado para desviar a atenção das centenas de problemas do Rio que não é isso, uma terra de ninguém. problemas que o governo Cabral jamais conseguirá resolver, não por ser o governo Cabral, mas por se tratar de problemas acumulados ao longo de séculos de cuidados superficiais, cuidados superficiais presentes também no governo Cabral.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ONDE ESTÁ O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL DE MATO GROSSO?

Maurelio Menezes

Porque até agora o Ministério Público Eleitoral de Mato Grosso não entrou pesado em dois assuntos que a Policia Civil deixou passar sabe-se lá porque. Ou melhor, sabe-se, mas não se comenta. Um deles envolve os ex secretários estaduais de Infra estrutura Vilceu Marchetti e de administração Geraldo de Vito. O outro diz respeito ao presidente do PR em Mato Grosso, Wellingtn Fagundes e o ex prefeito de Barra do Garças - MT, Wandeley Farias, também do PR.

A Polícia Civil não descobriu nada , mas as investigações da Justiça Federal, aquelas que, sabe-se lá porque, ou melhor sabe-se, o governador reeleito de MT Silval Barbosa queria impedir tendo recorrido à justiça para isso, não chegou a conclusão alguma. Vilceu Marchetti, de acordo com essas investigações, era modesto: levou apenas 5 por cento do dinheiro desviado na fraude dos maquinários. Suponhamos que Geraldo de Vito tenha levado outros cinco por cento. E o resto da grana? Com certeza foi para o caixa 2 de campanha. De quem? É a primeira resposta que o Ministério Público Eleitoral deve buscar. Todos sabem a resposta, porque ficou claro quem tinha dinheiro na campanha para comprar inclusive jornalistas e veículos de comunicação para atacar os outros e defender o comprador.

Vilceu Marchetti, chorando
Geraldo De Vitto, rindo 
Mas ha outro detalhe. Será que Marchetti, que tem aparecido fazendo teatro às lágrimas,  começou a desviar dinheiro somente agora? É muito provavel que não, porque ninguem se torna impobro de uma hora para outra. Se o governador Silval não tem nada mesmo a esconder, o que duvida-se, deveria colocar sob suspeição todas as licitações feitas pela SINFRA com Vilceu à frente. Afinal se o rombo nas contas do estado hoje é superior a um bilhão e meio (apenas de restos a pagar do ano passado são quase um bilhão de reais)é bem provavekl que boa parte dele tenha sumido pelo ralo da corrupção do atual governo que, ao que tudo indica, tem um tamanho impossivel de se calcular.

Wellington Fagundes : "Venha a nós!"
O outro caso aponta o deputado federal reeleito Wellington Fagundes que seria um dos beneficiários do desvio de dinheiro de uma série de licitações na região do Araguaia. Wellington, surpreendentemente para a maioria dos analistas foi o candidato a deputado federal mais votado concorrendo com gente de peso na corrida eleitoral como Carlos Bezerra, Rogério Salles e Homero Pereira, todos com reduto eleitoral na mesma região que ele. Ao mesmo tempo Wellington gastou os tubos na campanha. Cabe ao Ministério Púboico descobrir de onde venio o dinheiro da campanha e, mais que isso, se foi e o que foi gasto por fora. Para se ter uma idéia da ostentação de Wellington, no dia do debate aqui em Cuiabá, que não é reduto eleitoral dele, na TV Rondon (aquele que mudaram as regras em cima da hora para favorecer Silval Barbosa), na rua havia mais cabos eleitorais de Wellington que dos candidatos ao governo.

Se o Ministério Público Eleitoral fizer sua parte vai confirmar, com certeza, o que todos sabem e comentam em Cuiabá: dessa foi a eleição mais comprada e na qual mais correu dinheiro roubado da história de Mato Grosso. E com certeza muita gente não vai tomar posse e outros que até agora conseguiram se livrar vão tirar férias atras das grades. Com a palavra o MPE.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O DESCASO COM A EDUCAÇÃO SUPERIOR

Maurelio Menezes

Durante a campanha o governo federal tentou passar uma idéia que está cuidando da educação superior, que aumentou o numero de vagas, que o Brasil finalmente entrou no Primeiro Mundo no que se refere a educação superior. Foi desmentido pelos fatos, fatos que por todo o país continuam a mostrar que a educação superior nunca foi tão abandonada.O Brasil melhorou no ranking internacional de pesquisas? Melhorou. Mas muito mais porque hoje, pelo avanço da tecnologia e pelo interesse na iniciativa privada e terceiro setor que por méritos do setor público.


Na UFMT os exemplos são muitos, mas vou me ater a apenas um: uma das disciplinas que ministro na Habilitação Jornalismo do Curso de Comunicação Social, Técnicas de Produção e Difusão em Telejornalismo, não será concluida como deveria por um motivo simples: não há técnicos para a realização com os alunos do conteudo jornalistico produzido por eles. Essa novela se arrasta a vários semestres e, com os alunos, já tomei as mais diversas atitutes, inclusive a suspensão da disciplina, sem que os administradores , a quem cabe resolver esse imbroglio, se dignassem a dar uma solução ao caso . A administração superior se diz impotente para resolver o problema porque o Governo Federal não autoriza a abertura de concurso para técnicos. Ao mesmo tempo nunca se construir tantos prédios quanto nos últimos anos. Ou seja, privilegia-se o espaço fisico mas não o dota do essencial para dar uma formação de qualidade a quem o utilizar. Investe-se na construção de prédios e não se investe na contratação de seres humanos que vão possibilitar a construção do conhecimento nesses predios. E assim os alunos vão saindo da Universidade com uma formação incompleta. Mas para o Poder Central tudo está às mil maravilhas.

Mas o abandono e o desvio do que seria o objetivo, a finalidade do ensino superior não é privilégio da UFMT. A Folha de S.Paulo traz hoje reportagem sobre desperdicio de dinheiro público na UNIFESP, a Universidade Federal de São Paulo (A reportagem pode ser lida aqui). O Ministério Publico Federal constatou que lá o desperdicio é superior a um milhão e duzentos mil reais, prédios que nçao estáo sendo utilizados. Ao mesmo tempo, os alunos iniciaram em greve essa semana por falta de estrutura. Ou seja, joga-se pelo ralo dinheiro que poderia ser utilizado na dotação da infra estrutura necessária à oferta de um ensino superior de qualidade.

Há casos absurdos em que o imóvel foi alugado e devolvido um ano e meio depois sem nunca ter sido utilizado. A foto ao lado, do repórter fotográfico Moacyr Borges da Folha Press,  mostra a entrada de um prédio na rua Borges Lagoa  na Vila Clementino, alugado para o Departamento de Dermnatologia, que chegou a ser ocupado, mas teve que ser desocupado para realização de reformas e até hoje não foi ocupado de fato. Equipamentos, móveis,  estçao amontodos se deteriorando pela falta de uso. A administração superior da UNIFESP,  dois anos depois da primeira denuncia, até hoje não investigou o caso, não apurou se foi apenas incompetencia administrativa mesmo ou se houve fraude com desvio de dinheiro fins inconfessáveis, o que é o mais provável  num país onde a corrupção só faz aumentar devido a impunidade que virou regra e que envolve os mais altos escalões. E ainda querem criar novos impostos ou ressucitar antigos. Para que? Para se ter mais verbas para desviar ou para fazer mau uso?