Maurelio Menezes
Quem é meu aluno no curso de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso certamente já ouviu esta história. Ela faz parte do meu Planejamento de Curso porque, para mim, representa um jornalismo que, infelizmente, a cada dia está mais esquecido.
Mauro Costa, então repórter de policia do Correio da Manhã do Rio de Janeiro desceu logo de manhã para comprar pão na padaria que ficava ao lado do predio onde morava, em Niterói. Na padaria ficou sabendo de um crime envolvendo o filho do prefeito de São Pedro Da Aldeia, cidadezinha que fica na Região dos Lagos. Ali mesmo começou a dar telefonemas para suas fontes depois de pedir ao jornal que lhe enviasse um fotógrafo e um carro. Quando os dois chegaram sairam direto para o local do crime, Mauro, inclusive usando camiseta regata e com várias anotações feitas no papel de embrulhar pão. No dia em que nos contou essa passagem da vida do Mauro, Dona Neusa, sua esposa, nos disse "O pão e o leite estou esperando até hoje, mas a notícia estava na primeira página do Correio no dia seguinte".
Mauro faz parte de minha história como jornalista. Minha e de tantos outros profissionais da melhor qualidade. Com ele nos dirigindo participamos das principais coberturas jornalisticas do periodo áureo da Rede Manchete. Sob a direção dele assumi algumas vezes a Editoria Nacional do Jornal da Manchete (quando o Paulinho da Luz ia para o exterior coordenar coberturas internacionais como Olimpiadas e Copa do Mundo). Todas as grades coberturas da Rede Manchete transpiravam a paixão do Mauro. Aliás, ele era tão apaixonado que algumas pessoas brincavam que o "M" gigante que existia em cima do predio da sede da emissora era de Mauro de não de Manchete.
Foi ele quem me levou para a o SBT (juntamente com a Márcia Marsillac e com o Paulinho da Luz) onde fui fazer parte da equipe que criou o "Aqui e Agora", cujo projeto concebido e parido pelo Amaury Soares nada tinha a ver com o programa que foi para o ar e que somente se tornaria realidade quando alguns anos depois, já na Globo, Amaury colocou no ar o SP Já embrião do tipo de jornalismo que a Globo passou a fazer no seu Praça Primeira Edição.
Mauro foi Chefe de Reportagem na Rede Globo nos tempos de Armando Nogueira, Alice Maria, Luiz Edgar de Andrade (o melhor texto da história do telejornalismo e que ele levaria para a Manchete anos depois), Edson Ribeiro e outros profissionais sem os quais o jornalismo da Globo jamais alcançaria o nível de hoje.
Quando saiu da Globo, Mauro voltou para o jornalismo impresso. E mudou o jornal O Fluminense, que havia sido o principal jornal do antigo estado do Rio e que perdera muito espaço com a fusão do estado com a Guanabara. Mauro fez dele o terceiro jornal do novo estado. Foi ele quem abriu as portas do jornal para Cidinha Campos,apresentadora do principal programa do radio carioca de então, de cuja coluna fui redator por oito anos (depois eu passaria a assinar a coluna e a fazer reportagens especiais para o jornal).
O Mauro Costa que morreu hoje tinha faro pela notícia. Isso até parece lugar comum. Mas não há nada que o defina melhor, acredito. Não deixou um herdeiro no jornaismo (o Maurinho, seu filho, é musico) mas sem dúvida deixou muitas lições de como fazer jornalismo de forma apaixonada, honrada, ética, profissional. Muitos a aproveitaram a aproveitam ainda hoje.
Como registrou no Facebook há pouco uma de suas mais completas criações, a editora do Jornal Nacional Angela Garambone,depois de escrever sobre a importancia dele em sua vida profissional, "Vamos rezar pra que ele fique bem e em paz!"
Que assim seja. Sempre.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
SAUDE MAL DAS PERNAS... SÓ A SAÚDE?
Maurelio Menezes
Dia desses Gabriel Nóvis escreveu um lúcido texto sobre a situação da saúde e a baixa remuneração dos médicos. É mesma absurda a situação dos médicos que estão em campanha para que a UNIMED lhes pague por consulta pelo menos o que é pago hoje pela hora técnica de um desses profissionais do momento, ligados a tecnologia.
Concordo. Afinal, um médico estuda cerca de 15 anos só para poder começar a clinicar. E tem que estudar a vida inteira se quiser se manter atualizado e não cometer erros, que são considerados crimes. Mas além dessa, tenho outra proposta: que alguns médicos que não respeitam o paciente devam ser sumariamente banidos até para não conspurcar a imagem dos colegas.
Escrevo isso porque as duas últimas vezes que estive num consultório saí muito preocupado. Numa delas mais que preocupado, saí assustado. Na primeira a médica me recebeu pegou o resultado de um exame, disse: “Não gostei. Vou aumentar a dosagem do remédio, você vai fazer outro exame e que quero te ver daqui a 50 dias.” Em seguida já foi se levantando, esticando a mão e praticamente me dizendo: “Saia logo que vem outro paciente ai”. Tempo da consulta: 2 minutos. Quando cheguei em casa comentei com Dona Cida, uma amiga que já foi empregada e que hoje nos ajuda sempre. Ela, bem humorada, disse “Xiii. Acho que o senhor deve procurar o SUS. Lá pelo menos não se paga e a consulta dura cinco minutos”. E caiu na risada.
Se os médicos gastarem em media cinco vezes mais o tempo da minha medica em cada consulta e a categoria conseguir o que reivindica, serão seis consultas por hora, ou 460 reais por hora.
O resto da conta cada um pode fazer como quiser...
O outro encontro com médicos me assustou. Não de imediato, mas depois. Há alguns dias amanheci com uma dor sem tamanho no calcanhar. Foi até a Clínica Genus e ai começou um mini calvário. Pedi um pronto atendimento. Meia hora depois dos procedimentos burocráticos e nada. Fui até o recepcionista interno, falei de minha dor, pedi informação sobre o Pronto Atendimento e ele me disse que o médico tinha acabado de “entrar num procedimento cirúrgico”. Fiquei estático. Eu ali com uma dor sem tamanho, o médico ia pra cirurgia e eles não transferiam os pacientes de emergência para outro. Mais reclamação e ai uma coordenadora garantiu que iria me colocar no ambulatório. Garantiu e cumpriu. Mudaram minha ficha de atendimento, mas eis que de repente aquele que tinha acabado “de entrar num procedimento cirúrgico” aparece. Pensei comigo: “Vai ver que aqui os procedimentos cirúrgicos duram o mesmo tempo da consulta que tive com minha médica”. Radiografia na mão ele disse que eu estava com uma inflamação “no encontro dos tendões”. Prescreveu um antiinflamatório, uma analségico mais forte e outro mais fraco, pediu uma ressonância magnética e disse que assim que o exame fosse feito, queria me ver novamente.
Na própria clinica marcaram a ressonância. Em casa percebi que haviam marcado para uma clinica que fica a cinco quilômetros dali. Liguei desmarcando e marquei para o Hospital São Matheus. Na sexta feira fui fazer o exame e depois de toda a burocracia, a atendente me disse: “Vamos lá, ressonância no pé esquerdo..” Eu assustei e disse: “Não... É no pé direito...” Ela disse que nós tínhamos um problema porque o médico pedira a ressonância no pé esquerdo. A primeira imagem que me veio foi eu entrando num centro cirúrgico para amputar o pé direito, mas com recomendação do médico para amputar o esquerdo, que estava bom. Ou para retirar um rim, mas com a recomendação do médico para retirar o fígado. Ou precisando retirar o apêndice, mas com a recomendação do médico para...
As outras combinações cada um pode fazer como quiser.
Ai uma pergunta: quanto será que merecer ganhar por consulta médicos como esses?
Cada um da a resposta que quiser...
Dia desses Gabriel Nóvis escreveu um lúcido texto sobre a situação da saúde e a baixa remuneração dos médicos. É mesma absurda a situação dos médicos que estão em campanha para que a UNIMED lhes pague por consulta pelo menos o que é pago hoje pela hora técnica de um desses profissionais do momento, ligados a tecnologia.
Concordo. Afinal, um médico estuda cerca de 15 anos só para poder começar a clinicar. E tem que estudar a vida inteira se quiser se manter atualizado e não cometer erros, que são considerados crimes. Mas além dessa, tenho outra proposta: que alguns médicos que não respeitam o paciente devam ser sumariamente banidos até para não conspurcar a imagem dos colegas.
Escrevo isso porque as duas últimas vezes que estive num consultório saí muito preocupado. Numa delas mais que preocupado, saí assustado. Na primeira a médica me recebeu pegou o resultado de um exame, disse: “Não gostei. Vou aumentar a dosagem do remédio, você vai fazer outro exame e que quero te ver daqui a 50 dias.” Em seguida já foi se levantando, esticando a mão e praticamente me dizendo: “Saia logo que vem outro paciente ai”. Tempo da consulta: 2 minutos. Quando cheguei em casa comentei com Dona Cida, uma amiga que já foi empregada e que hoje nos ajuda sempre. Ela, bem humorada, disse “Xiii. Acho que o senhor deve procurar o SUS. Lá pelo menos não se paga e a consulta dura cinco minutos”. E caiu na risada.
Se os médicos gastarem em media cinco vezes mais o tempo da minha medica em cada consulta e a categoria conseguir o que reivindica, serão seis consultas por hora, ou 460 reais por hora.
O resto da conta cada um pode fazer como quiser...
O outro encontro com médicos me assustou. Não de imediato, mas depois. Há alguns dias amanheci com uma dor sem tamanho no calcanhar. Foi até a Clínica Genus e ai começou um mini calvário. Pedi um pronto atendimento. Meia hora depois dos procedimentos burocráticos e nada. Fui até o recepcionista interno, falei de minha dor, pedi informação sobre o Pronto Atendimento e ele me disse que o médico tinha acabado de “entrar num procedimento cirúrgico”. Fiquei estático. Eu ali com uma dor sem tamanho, o médico ia pra cirurgia e eles não transferiam os pacientes de emergência para outro. Mais reclamação e ai uma coordenadora garantiu que iria me colocar no ambulatório. Garantiu e cumpriu. Mudaram minha ficha de atendimento, mas eis que de repente aquele que tinha acabado “de entrar num procedimento cirúrgico” aparece. Pensei comigo: “Vai ver que aqui os procedimentos cirúrgicos duram o mesmo tempo da consulta que tive com minha médica”. Radiografia na mão ele disse que eu estava com uma inflamação “no encontro dos tendões”. Prescreveu um antiinflamatório, uma analségico mais forte e outro mais fraco, pediu uma ressonância magnética e disse que assim que o exame fosse feito, queria me ver novamente.
Na própria clinica marcaram a ressonância. Em casa percebi que haviam marcado para uma clinica que fica a cinco quilômetros dali. Liguei desmarcando e marquei para o Hospital São Matheus. Na sexta feira fui fazer o exame e depois de toda a burocracia, a atendente me disse: “Vamos lá, ressonância no pé esquerdo..” Eu assustei e disse: “Não... É no pé direito...” Ela disse que nós tínhamos um problema porque o médico pedira a ressonância no pé esquerdo. A primeira imagem que me veio foi eu entrando num centro cirúrgico para amputar o pé direito, mas com recomendação do médico para amputar o esquerdo, que estava bom. Ou para retirar um rim, mas com a recomendação do médico para retirar o fígado. Ou precisando retirar o apêndice, mas com a recomendação do médico para...
As outras combinações cada um pode fazer como quiser.
Ai uma pergunta: quanto será que merecer ganhar por consulta médicos como esses?
Cada um da a resposta que quiser...
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A UNIVERSIDADE QUE EU NÃO QUERO – Segunda Parte
Maurelio Menezes
A universidade que eu não quero (e acredito que todos os professores, técnicos e alunos do bem também) tem autoridades (?) que desrespeitam em nome sabe-se lá de que, decisões dos órgãos colegiados superiores e criam regras próprias para administrar (?) Departamentos, Institutos e Faculdades, e a própria Universidade.
A cada dia ouve-se mais histórias contadas por professores submetidos a regras criadas por esses Chefes. E o pior é que, no caso dos Departamentos, eles presidem o Colegiado, que, quase sempre acata os absurdos apresentados nas reuniões. A ultima foi uma obrigação que inventaram e apresentaram a uma professora: quem não tem projeto de pesquisa é obrigado a assumir quatro disciplinas. É a velha política da quantidade em vez da qualidade vomitada de cima pra baixo e engolida por esse professores sem o menor constrangimento.
A resolução 158 de 29 de novembro de 2010, aprovada pelo CONSEPE, ela própria representando a preocupação com a quantidade, é clara, como de resto são as decisões do CONSEPE. Um professor que, por exemplo, coordene um projeto de pesquisa devidamente registrado terá cumprido 10 horas das 40 que é obrigado a cumprir se esse for seu contrato. Mais, “apenas”, três disciplinas de 60 horas e estará livre de todas as demais obrigações que teria e que pode exercer caso queira, mas sem computação de horas em seu PIA. Da mesma forma uma professora que tenha cinco orientações precisará ministrar “apenas” mais três disciplinas de 60 horas para se livrar do resto.
A impressão que fica é que o CONSEPE é apenas um Conselho figurativo. Lá se decidem as normas que devem reger o ensino a pesquisa e a extensão na UFMT. Aí esse tipo de chefe, usando sempre, ou quase sempre, o argumento que é determinação da administração superior, cria ele próprio a regra que lhe interessa não se sabe para atender a interesse de quem.
A Universidade que eu vivi e que gostaria que sobrevivesse a esse tipo de gente foi uma Universidade em que os Departamentos tinham brigas sadias com a administração superior em busca do que deveria ser o objetivo geral: uma educação realmente pública e de qualidade. Desses embates, regra geral, saiam soluções consensuais em que, também regra geral, quem ganhava era a sociedade, que, diga-se de passagem, paga o salário de todos.
O interessante é que tanto os Chefes, quanto Coordenadores de Curso (muitos dos quais compactuam com os Chefes), os Diretores, como também a Reitora e seu vice, foram democraticamente eleitos pelos votos da comunidade acadêmica. No caso dos Departamentos e Coordenações explica-se: ninguém quer pegar o que chamam de abacaxi e assim, feitas as devidas e honrosas exceções, coloca-se qualquer um no posto, para alívio dos demais. De qualquer forma já passou da hora de se debater este pequeno detalhe (para a atual administração –continuidade da anterior- a saída é tirar o sofá da sala, ou seja, acabar com os departamentos).
A Universidade que está aí é a que eu não quero. E repito: professores, técnicos e alunos do bem também não. Nem como professor nem como cidadão, que é sufocado por uma carga tributária desumana, para entre outras coisas custear o que todos nós, junta e honestamente, respeitando decisões que foram tomadas por Conselheiros também democraticamente eleitos, poderíamos conseguir.
A universidade que eu não quero (e acredito que todos os professores, técnicos e alunos do bem também) tem autoridades (?) que desrespeitam em nome sabe-se lá de que, decisões dos órgãos colegiados superiores e criam regras próprias para administrar (?) Departamentos, Institutos e Faculdades, e a própria Universidade.
A cada dia ouve-se mais histórias contadas por professores submetidos a regras criadas por esses Chefes. E o pior é que, no caso dos Departamentos, eles presidem o Colegiado, que, quase sempre acata os absurdos apresentados nas reuniões. A ultima foi uma obrigação que inventaram e apresentaram a uma professora: quem não tem projeto de pesquisa é obrigado a assumir quatro disciplinas. É a velha política da quantidade em vez da qualidade vomitada de cima pra baixo e engolida por esse professores sem o menor constrangimento.
A resolução 158 de 29 de novembro de 2010, aprovada pelo CONSEPE, ela própria representando a preocupação com a quantidade, é clara, como de resto são as decisões do CONSEPE. Um professor que, por exemplo, coordene um projeto de pesquisa devidamente registrado terá cumprido 10 horas das 40 que é obrigado a cumprir se esse for seu contrato. Mais, “apenas”, três disciplinas de 60 horas e estará livre de todas as demais obrigações que teria e que pode exercer caso queira, mas sem computação de horas em seu PIA. Da mesma forma uma professora que tenha cinco orientações precisará ministrar “apenas” mais três disciplinas de 60 horas para se livrar do resto.
A impressão que fica é que o CONSEPE é apenas um Conselho figurativo. Lá se decidem as normas que devem reger o ensino a pesquisa e a extensão na UFMT. Aí esse tipo de chefe, usando sempre, ou quase sempre, o argumento que é determinação da administração superior, cria ele próprio a regra que lhe interessa não se sabe para atender a interesse de quem.
A Universidade que eu vivi e que gostaria que sobrevivesse a esse tipo de gente foi uma Universidade em que os Departamentos tinham brigas sadias com a administração superior em busca do que deveria ser o objetivo geral: uma educação realmente pública e de qualidade. Desses embates, regra geral, saiam soluções consensuais em que, também regra geral, quem ganhava era a sociedade, que, diga-se de passagem, paga o salário de todos.
O interessante é que tanto os Chefes, quanto Coordenadores de Curso (muitos dos quais compactuam com os Chefes), os Diretores, como também a Reitora e seu vice, foram democraticamente eleitos pelos votos da comunidade acadêmica. No caso dos Departamentos e Coordenações explica-se: ninguém quer pegar o que chamam de abacaxi e assim, feitas as devidas e honrosas exceções, coloca-se qualquer um no posto, para alívio dos demais. De qualquer forma já passou da hora de se debater este pequeno detalhe (para a atual administração –continuidade da anterior- a saída é tirar o sofá da sala, ou seja, acabar com os departamentos).
A Universidade que está aí é a que eu não quero. E repito: professores, técnicos e alunos do bem também não. Nem como professor nem como cidadão, que é sufocado por uma carga tributária desumana, para entre outras coisas custear o que todos nós, junta e honestamente, respeitando decisões que foram tomadas por Conselheiros também democraticamente eleitos, poderíamos conseguir.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
NUMEROS PARA REFLEXÃO
Maurelio Menezes
O texto abaixo foi postado no Blog do Luiz Nassif (que pode ser acessado no original a partir do link http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-piora-no-salario-dos-professores-das-federais ) Há outras comparações que poderiam ser feitas sobre, por exemplo, o que leva o governo a abrir concurso para outras áreas pagando bem mais para candidatos com curso médio do que se propõe a pagar para um doutor de universidade federal. Mas um detalhe salta aos olhos e confirma a insensatez do atual governo, reprodução piorada do que foram os anteriores: a oferta de reajuste para os dois proximos anos é bem inferior á inflação prevista apenas para esse ano. Ou seja, se proõe a reajustar abaixo da inflação e nem toca nas perdas que impos aos professores nos ultimos anos. Ô Raça!
Salários dos Professores das Federais já estão piores do que no Governo FHC
Por Pierre Lucena
Durante o ano de 2011, as representações docentes se reuniram com o Governo Dilma com o objetivo de reorganizar a carreira, conforme foi pactuado no segundo Governo Lula. A ideia geral era de equilibrar a carreira docente com outras semelhantes no Governo Federal, a exemplo da carreira de pesquisador do Ministério da Ciência e Tecnologia e da carreira de pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Este texto se propõe a comparar os salários destas carreiras, desde o ano de 1998 até 2011, dentro de sua principal referência, que é o salário inicial de um pesquisador/professor com doutorado.
Metodologia
Para esta comparação, foram utilizados dados obtidos junto ao Relatório intitulado “Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais”, disponibilizado pelo Governo Federal em sua página do servidor.
Foram comparados dados de três carreiras distintas:
· Professor Adjunto 1 em Dedicação Exclusiva com Doutorado, das Universidades Federais, estando este na ativa e recebendo a Gratificação de Estímulo a Docência (GED);
· Pesquisador do IPEA;
· Pesquisador do Ministério de Ciência e Tecnologia, com doutorado.
Todas as carreiras tiveram como base o salário inicial, com as gratificações a que os servidores possuem direito, como a GED, durante o Governo Fernando Henrique. Esta gratificação foi incorporada posteriormente.
Para o cálculo da inflação foi utilizado o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), do IBGE, obtido junto ao banco de dados do IPEA.
O ano de 1998 foi escolhido como base pelo fato de ser o primeiro ano com o lançamento do caderno com os salários do Governo Federal.
Resultados
O que se vê no gráfico 1, com o salário nominal das três carreiras, é certa equivalência, estando inicialmente o pesquisador da carreira de Ciência e Tecnologia com salário abaixo das demais. O professor adjunto era o que percebia a maior remuneração em 1998 (R$ 3.388,31), quando calculado com a GED cheia (140 pontos).
Gráfico 1 – Salário nominal das carreiras, desde 1998.
Quando observada a evolução salarial das carreiras, verifica-se que os docentes das universidades federais tiveram seus salários reajustados bem abaixo das demais. O pesquisador do IPEA recebe em 2011, de salário inicial, aproximadamente R$ 13 mil, enquanto os docentes com doutorado pouco mais de R$ 7,3 mil. Os pesquisadores do MCT recebem pouco mais de R$ 10,3 mil. Quando calculado o percentual de distorção, verifica-se que para equiparar-se aos salários do MCT, seria preciso um reajuste no salário dos docentes por volta de 41,1%, e para equiparar-se aos do IPEA, seria necessário um reajuste de 76,7%.
Esta distorção se mostra ainda mais evidente quando descontada a inflação pelo IPCA, com base em 1998.
Gráfico 2 – Salário real das carreiras, descontada a inflação, desde 1998.
Verifica-se que houve perda salarial dos professores quando descontada a inflação do período. O salário real do professor é 2,8% inferior ao primeiro ano da série (1998). As outras duas carreiras tiveram ganhos reais dentro deste período.
Quando colocado em Base 100, descontada a inflação do período, a distorção fica ainda mais evidente, como pode ser verificado no Gráfico 3.
Gráfico 3 – Salário real das carreiras com Base 100, descontada a inflação desde 1998.
Fonte: organizado pelo autor, com dados do Governo Federal e do IPEA.
Dada a proposta do Governo de reajuste de 4% no próximo ano e posterior congelamento do vencimento, com discussão apenas em 2013, a perda em relação à 1998 é significativa, considerando a previsão de inflação de 6,5% para o ano de 2011 e 5% para os anos de 2012 e 2013. Caso a categoria aceite esta proposta, o Professor Adjunto 1 deverá receber por volta de 86% do que recebia em 1998, já descontada a inflação pelo IPCA, conforme pode ser visto no Gráfico 4.
É possível verificar certa estabilidade nos vencimentos dos professores, desde o ano de 1998. Não há ganho significativo do salário em nenhum momento, apenas a reposição da inflação, seja no Governo FHC, seja no Governo Lula.
Gráfico 4 – Previsão de salário real das carreiras até 2014 na hipótese de aceitação da proposta do Governo, com Base 100, descontada a inflação desde 1998.
Fonte: organizado pelo autor, com dados do Governo Federal e do IPEA.
Conclusão
A proposta oferecida pelo Governo Federal, além de não atender ao que teria sido acertado, de equiparação com a carreira do Ministério da Ciência e Tecnologia, ainda representa enorme perda potencial durante o Governo Dilma.
Os resultados mostraram que a realidade hoje é ainda pior do que em 1998, quando foi concedida a GED, para aqueles que a recebiam em sua totalidade, quando alcançado os 140 pontos.
Referências
IPEADATA – www.ipeadata.gov.br
Dados do Servidor – www.servidor.gov.br
O texto abaixo foi postado no Blog do Luiz Nassif (que pode ser acessado no original a partir do link http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-piora-no-salario-dos-professores-das-federais ) Há outras comparações que poderiam ser feitas sobre, por exemplo, o que leva o governo a abrir concurso para outras áreas pagando bem mais para candidatos com curso médio do que se propõe a pagar para um doutor de universidade federal. Mas um detalhe salta aos olhos e confirma a insensatez do atual governo, reprodução piorada do que foram os anteriores: a oferta de reajuste para os dois proximos anos é bem inferior á inflação prevista apenas para esse ano. Ou seja, se proõe a reajustar abaixo da inflação e nem toca nas perdas que impos aos professores nos ultimos anos. Ô Raça!
Salários dos Professores das Federais já estão piores do que no Governo FHC
Por Pierre Lucena
Durante o ano de 2011, as representações docentes se reuniram com o Governo Dilma com o objetivo de reorganizar a carreira, conforme foi pactuado no segundo Governo Lula. A ideia geral era de equilibrar a carreira docente com outras semelhantes no Governo Federal, a exemplo da carreira de pesquisador do Ministério da Ciência e Tecnologia e da carreira de pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Este texto se propõe a comparar os salários destas carreiras, desde o ano de 1998 até 2011, dentro de sua principal referência, que é o salário inicial de um pesquisador/professor com doutorado.
Metodologia
Para esta comparação, foram utilizados dados obtidos junto ao Relatório intitulado “Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais”, disponibilizado pelo Governo Federal em sua página do servidor.
Foram comparados dados de três carreiras distintas:
· Professor Adjunto 1 em Dedicação Exclusiva com Doutorado, das Universidades Federais, estando este na ativa e recebendo a Gratificação de Estímulo a Docência (GED);
· Pesquisador do IPEA;
· Pesquisador do Ministério de Ciência e Tecnologia, com doutorado.
Todas as carreiras tiveram como base o salário inicial, com as gratificações a que os servidores possuem direito, como a GED, durante o Governo Fernando Henrique. Esta gratificação foi incorporada posteriormente.
Para o cálculo da inflação foi utilizado o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), do IBGE, obtido junto ao banco de dados do IPEA.
O ano de 1998 foi escolhido como base pelo fato de ser o primeiro ano com o lançamento do caderno com os salários do Governo Federal.
Resultados
O que se vê no gráfico 1, com o salário nominal das três carreiras, é certa equivalência, estando inicialmente o pesquisador da carreira de Ciência e Tecnologia com salário abaixo das demais. O professor adjunto era o que percebia a maior remuneração em 1998 (R$ 3.388,31), quando calculado com a GED cheia (140 pontos).
Gráfico 1 – Salário nominal das carreiras, desde 1998.
Quando observada a evolução salarial das carreiras, verifica-se que os docentes das universidades federais tiveram seus salários reajustados bem abaixo das demais. O pesquisador do IPEA recebe em 2011, de salário inicial, aproximadamente R$ 13 mil, enquanto os docentes com doutorado pouco mais de R$ 7,3 mil. Os pesquisadores do MCT recebem pouco mais de R$ 10,3 mil. Quando calculado o percentual de distorção, verifica-se que para equiparar-se aos salários do MCT, seria preciso um reajuste no salário dos docentes por volta de 41,1%, e para equiparar-se aos do IPEA, seria necessário um reajuste de 76,7%.
Esta distorção se mostra ainda mais evidente quando descontada a inflação pelo IPCA, com base em 1998.
Gráfico 2 – Salário real das carreiras, descontada a inflação, desde 1998.
Verifica-se que houve perda salarial dos professores quando descontada a inflação do período. O salário real do professor é 2,8% inferior ao primeiro ano da série (1998). As outras duas carreiras tiveram ganhos reais dentro deste período.
Quando colocado em Base 100, descontada a inflação do período, a distorção fica ainda mais evidente, como pode ser verificado no Gráfico 3.
Gráfico 3 – Salário real das carreiras com Base 100, descontada a inflação desde 1998.
Fonte: organizado pelo autor, com dados do Governo Federal e do IPEA.
Dada a proposta do Governo de reajuste de 4% no próximo ano e posterior congelamento do vencimento, com discussão apenas em 2013, a perda em relação à 1998 é significativa, considerando a previsão de inflação de 6,5% para o ano de 2011 e 5% para os anos de 2012 e 2013. Caso a categoria aceite esta proposta, o Professor Adjunto 1 deverá receber por volta de 86% do que recebia em 1998, já descontada a inflação pelo IPCA, conforme pode ser visto no Gráfico 4.
É possível verificar certa estabilidade nos vencimentos dos professores, desde o ano de 1998. Não há ganho significativo do salário em nenhum momento, apenas a reposição da inflação, seja no Governo FHC, seja no Governo Lula.
Gráfico 4 – Previsão de salário real das carreiras até 2014 na hipótese de aceitação da proposta do Governo, com Base 100, descontada a inflação desde 1998.
Fonte: organizado pelo autor, com dados do Governo Federal e do IPEA.
Conclusão
A proposta oferecida pelo Governo Federal, além de não atender ao que teria sido acertado, de equiparação com a carreira do Ministério da Ciência e Tecnologia, ainda representa enorme perda potencial durante o Governo Dilma.
Os resultados mostraram que a realidade hoje é ainda pior do que em 1998, quando foi concedida a GED, para aqueles que a recebiam em sua totalidade, quando alcançado os 140 pontos.
Referências
IPEADATA – www.ipeadata.gov.br
Dados do Servidor – www.servidor.gov.br
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
A UNIVERSIDADE QUE EU NÃO QUERO - I
Maurelio Menezes
“Precisamos debater a universidade que queremos”. Provavelmente não há ninguém na academia que jamais tenha ouvido esta frase, que é apenas uma frase porque raramente este debate toma mais que alguns minutos nos encontros e assembléias. Eu confesso que não sei, com todos os detalhes, que universidade eu quero, mas tenho certeza qual a universidade que eu não quero.
Não quero, por exemplo, uma universidade que não respeite os portadores de qualquer tipo de deficiência, ou seja lá como se diz isso hoje, de acordo com o vocabulário politicamente correto do momento, porque a mesma universidade que cria termos que teoricamente significam respeito a esses cidadãos, na prática os discrimina, os desrespeita e faz absolutamente tudo para dificultar suas vidas como se elas já não fossem dificultadas o suficiente pela própria vida.
Há algum tempo vem sendo travado um debate sobre o que fazer com o portão que dá acesso à Universidade Federal de Mato Grosso pela Avenida Fernando Correa da Costa. Até alguns anos havia ali uma catraca daquelas que alguém com uns quilinhos a mais não conseguia passar. Havia também um caminho tortuoso com degraus desnivelados. Para se chegar ao Instituto de Linguagens, Instituto de Educação e “adjacências” era uma aventura igualmente tortuosa até mesmo para quem não portava nenhum tipo de necessidade especial. Com isso, um cadeirante precisava dar uma volta de alguns quilômetros para chegar até seu local de aula.
Seguindo uma política de inclusão, e com verba própria, o Instituto de Linguagens, dirigido pela professora Rosangela Cálix, reformou tudo: instalou um portão largo o suficiente para permitir o acesso sem dificuldades dos cadeirantes, construiu uma rampa com inclinação mínima, e até instalou sinalizadores para facilitar a caminhada dos portadores de deficiencia visual, aqueles que antigamente eram chamados de cegos.
Agora em nome de uma segurança que não existe, querem voltar com a catraca e construir um portão para os cadeirantes, portão que ficará fechado a cadeado. Mas quem abrirá este portão para eles? "O guarda", dizem os defensores do fechamento. Mas e quando o guarda não estiver ali? Sim, porque o guarda atende a três Institutos e fica a maior parte do tempo circulando. "Bem aí o cadeirante espera". Assim, se ele der sorte, ficará apenas umas duas ou três horas esperando.
No mundo inteiro as soluções hoje são pela acessibilidade, mas naUniversidade Federal de Mato Grosso a opção parece ser pela inacessibilidade, pelo desrespeito ao Ser Humano, especialmente àqueles que sofreram algum tipo de infortúnio físico. Essa universidade de < cegos, definitivamente, eu não quero. Também não quero uma universidade que privilegia a construção de prédios em detrimento da contratação de servidores. Mas isso é assunto pra outro dia.
“Precisamos debater a universidade que queremos”. Provavelmente não há ninguém na academia que jamais tenha ouvido esta frase, que é apenas uma frase porque raramente este debate toma mais que alguns minutos nos encontros e assembléias. Eu confesso que não sei, com todos os detalhes, que universidade eu quero, mas tenho certeza qual a universidade que eu não quero.
Não quero, por exemplo, uma universidade que não respeite os portadores de qualquer tipo de deficiência, ou seja lá como se diz isso hoje, de acordo com o vocabulário politicamente correto do momento, porque a mesma universidade que cria termos que teoricamente significam respeito a esses cidadãos, na prática os discrimina, os desrespeita e faz absolutamente tudo para dificultar suas vidas como se elas já não fossem dificultadas o suficiente pela própria vida.
Há algum tempo vem sendo travado um debate sobre o que fazer com o portão que dá acesso à Universidade Federal de Mato Grosso pela Avenida Fernando Correa da Costa. Até alguns anos havia ali uma catraca daquelas que alguém com uns quilinhos a mais não conseguia passar. Havia também um caminho tortuoso com degraus desnivelados. Para se chegar ao Instituto de Linguagens, Instituto de Educação e “adjacências” era uma aventura igualmente tortuosa até mesmo para quem não portava nenhum tipo de necessidade especial. Com isso, um cadeirante precisava dar uma volta de alguns quilômetros para chegar até seu local de aula.
Seguindo uma política de inclusão, e com verba própria, o Instituto de Linguagens, dirigido pela professora Rosangela Cálix, reformou tudo: instalou um portão largo o suficiente para permitir o acesso sem dificuldades dos cadeirantes, construiu uma rampa com inclinação mínima, e até instalou sinalizadores para facilitar a caminhada dos portadores de deficiencia visual, aqueles que antigamente eram chamados de cegos.
Agora em nome de uma segurança que não existe, querem voltar com a catraca e construir um portão para os cadeirantes, portão que ficará fechado a cadeado. Mas quem abrirá este portão para eles? "O guarda", dizem os defensores do fechamento. Mas e quando o guarda não estiver ali? Sim, porque o guarda atende a três Institutos e fica a maior parte do tempo circulando. "Bem aí o cadeirante espera". Assim, se ele der sorte, ficará apenas umas duas ou três horas esperando.
No mundo inteiro as soluções hoje são pela acessibilidade, mas naUniversidade Federal de Mato Grosso a opção parece ser pela inacessibilidade, pelo desrespeito ao Ser Humano, especialmente àqueles que sofreram algum tipo de infortúnio físico. Essa universidade de < cegos, definitivamente, eu não quero. Também não quero uma universidade que privilegia a construção de prédios em detrimento da contratação de servidores. Mas isso é assunto pra outro dia.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
A GREVE QUE PODERIA SER EVITADA
Maurelio Menezes
Na quarta-feira os professores da UFMT entram em greve. É uma greve que poderia ser evitada se não fosse a arrogancia e a incompetencia do governo federal. Na campanha de 2002 Lula afirmou que iria acabar com as perdas impostas aos professores pela incompetencia e insensibilidade dos governos anteriores. Na época essas perdas eram de 75 por cento. Oito anos de engodo se passaram e hoje essas perdas, de acordo com alguns cálculos, são de 152 por cento, mas de acordo com outros são superiores a 180 por cento. Ou seja, o governo dele foi mais incompetente e mais insensivel que os anteriores.O resultado desta incompetencia e insensibilidade está na constatação da deterioração do ensino superior público. Não há atrativo algum em se seguir a carreira de docente. Dia desses, uma colega de Departamento comentou comigo que um taxista brincou com ela: "A senhora, doutora, estudou tanto pra ganhar isso. Eu que nunca estudei nada ganho muito mais na praça". Nada contra o taxista "ganhar mais na praça", aliás, eles deveriam ganhar até mais.Mas tudo contra se ganhar o que ganha um professor.
Além de tudo, o salário é apenas a ponta visível do iceberg (ou caberia melhor "o Titanic"?) em que se transformou o ensino superior público. O atual governo (e a atual administração superior da UFMT reproduz isso, ai sim com competencia) está destroçando a olhos vistos as universidades. Em uma de minhas disciplinas, essencialmente prática, não há técnico há varios anos, o que significa que há varios anos, os alunos não têm, como deveriam,a prática. Já fiz de tudo, inclusive liberei os alunos e tornei público essa deficiencia por meio aqui de nosso Espaço Aberto, depois de enviar corresondencia á reitora e à Pro Reitora de Ensino e Graduação. O que ambas fizeram? Resolveram o problema? Não. Exigiram, pelo que informou a Chefe de Departamento que eu prestasse contas sobre minha decisão.
Enquanto não investe na universidade pública, o governo financia o ensino privado via Prouni, o que faz com que as universidades privadas recebam, para preencher vagas ociosas, muito mais dinheiro que as públicas recebem comoorçamento. Há outra saida que não a greve? E a decisão foi tomada numa assembléia bastante participativa, com apenas cinco votos contrários e outras cinco abstenções.
Com a greve perdem todos. Ou quase todos. Perdem os alunos, que terão um atraso em suas vidas academicas,além do descontrole de seus calendários pessoais. Perdem os professores que terão o desgaste natural de um movimento reinvindicatório, além, igualmente, do desncontrole de seus calendários pessoais, do planejamento que fizeram. Perde a sociedade, que paga impostos para, entre outras coisas, financiar a produção de conhecimento que deve ser revertido em beneficio dela própria. Só não perde o governo federal (e, por extensão, a administração superior da UFMT), que não têm a menor preocupação com alunos, professores e sociedade.
Na quarta-feira os professores da UFMT entram em greve. É uma greve que poderia ser evitada se não fosse a arrogancia e a incompetencia do governo federal. Na campanha de 2002 Lula afirmou que iria acabar com as perdas impostas aos professores pela incompetencia e insensibilidade dos governos anteriores. Na época essas perdas eram de 75 por cento. Oito anos de engodo se passaram e hoje essas perdas, de acordo com alguns cálculos, são de 152 por cento, mas de acordo com outros são superiores a 180 por cento. Ou seja, o governo dele foi mais incompetente e mais insensivel que os anteriores.O resultado desta incompetencia e insensibilidade está na constatação da deterioração do ensino superior público. Não há atrativo algum em se seguir a carreira de docente. Dia desses, uma colega de Departamento comentou comigo que um taxista brincou com ela: "A senhora, doutora, estudou tanto pra ganhar isso. Eu que nunca estudei nada ganho muito mais na praça". Nada contra o taxista "ganhar mais na praça", aliás, eles deveriam ganhar até mais.Mas tudo contra se ganhar o que ganha um professor.
Além de tudo, o salário é apenas a ponta visível do iceberg (ou caberia melhor "o Titanic"?) em que se transformou o ensino superior público. O atual governo (e a atual administração superior da UFMT reproduz isso, ai sim com competencia) está destroçando a olhos vistos as universidades. Em uma de minhas disciplinas, essencialmente prática, não há técnico há varios anos, o que significa que há varios anos, os alunos não têm, como deveriam,a prática. Já fiz de tudo, inclusive liberei os alunos e tornei público essa deficiencia por meio aqui de nosso Espaço Aberto, depois de enviar corresondencia á reitora e à Pro Reitora de Ensino e Graduação. O que ambas fizeram? Resolveram o problema? Não. Exigiram, pelo que informou a Chefe de Departamento que eu prestasse contas sobre minha decisão.
Enquanto não investe na universidade pública, o governo financia o ensino privado via Prouni, o que faz com que as universidades privadas recebam, para preencher vagas ociosas, muito mais dinheiro que as públicas recebem comoorçamento. Há outra saida que não a greve? E a decisão foi tomada numa assembléia bastante participativa, com apenas cinco votos contrários e outras cinco abstenções.
Com a greve perdem todos. Ou quase todos. Perdem os alunos, que terão um atraso em suas vidas academicas,além do descontrole de seus calendários pessoais. Perdem os professores que terão o desgaste natural de um movimento reinvindicatório, além, igualmente, do desncontrole de seus calendários pessoais, do planejamento que fizeram. Perde a sociedade, que paga impostos para, entre outras coisas, financiar a produção de conhecimento que deve ser revertido em beneficio dela própria. Só não perde o governo federal (e, por extensão, a administração superior da UFMT), que não têm a menor preocupação com alunos, professores e sociedade.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
E POR FALAR EM ELEIÇÕES...
Maurelio Menezes
Ano que vem tem eleições municipais... Sites e outros veículos de comunicação estão divulgando as primeiras pesquisas sobre intenções de votos. Em Brasília discute-se a reforma política e algumas previsões não são nada animadoras. Uma delas é a lista fechada, para mim, uma aberração. Vai, na verdade, significar uma economia para candidatos corruptores: nos moldes de hoje eles compram votos dos eleitores. Com a lista fechada vão gastar dinheiro apenas com os convencionais. O voto vai continuar sendo obrigatório, o que, no meu olhar é discutível. Entendo que o brasileiro ainda não tem maturidade para ser livre para votar ou não. Mas quando terá? Votar é como andar: só se aprende no exercício do fazer, ou seja, andar se aprende andando, votar se aprende votando, da mesma forma que amar só se aprende amando.
Antes das eleições do ano que vem, entretanto, para nós aqui em Mato Grosso outra vai mexer com muitas coisas: a do Conselho Regional de Odontologia, uma área sempre colocada em segundo plano, que não provoca grandes discussões e que é, talvez, a mais importante na área de saúde publica. As eleições do CRO, como a própria atividade de seus profissionais, sempre foram uma espécie de feudo, sem discussão pública. Nós, pobres mortais, nunca fomos chamados a dizer o tipo de odontologia que queremos. Mais do que isso, nunca se viu, que eu saiba, um debate entre candidatos em que suas propostas não apenas para a classe, mas especialmente para a sociedade, sejam colocadas em julgamento.
Três grupos concorrem ao comando do CRO e eu já tomei partido: A situação tem duas “chapas” A UM, comandada por Dalter Favarete, e a DOIS, que é uma espécie de dissidência, comandada por Gustavo Oliveira, atual presidente, com a “Valorização”. Pelas propostas expostas no blog, estão preocupados apenas com a categoria. Fica difícil concordar. Já passou do momento de se apresentar propostas mais amplas, que beneficiem diretamente a sociedade.
A chapa TRÊS tem Alba Medeiros à frente. Ela é a primeira mulher na história do CRO a se candidatar ao cargo. Enfermeira, cirurgiã dentista, professora da UFMT, especialista em saúde publica, integrante do Grupo de Pesquisa comandado por Julio Muller é, para mim, das três, a que mais transparentemente apresenta as propostas e a mais preocupada com a construção de uma odontologia que sirva ao dentista, mas tenha também a sociedade como prioridade. As propostas da chapa TRÊS estão em http://www.inovacaocromt.com.br/ . Alba propôs um debate entre os três candidatos e até agora nenhum adversário se dispôs a isso.
Aliás, a ADUFMAT poderia prestar um serviço à cidadania tomando para si a responsabilidade de promover e organizar esse debate, que poderia ser transmitido ao vivo por emissoras de rádio e até de TV. Afinal, é por meio de eleições como essa do CRO, que não têm o mesmo destaque das municipais, estaduais e nacionais, que conseguiremos construir um país de verdade já que as reformas começam pela base, pelas entranhas, e não pelo cume, pelo visível.
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Ano que vem tem eleições municipais... Sites e outros veículos de comunicação estão divulgando as primeiras pesquisas sobre intenções de votos. Em Brasília discute-se a reforma política e algumas previsões não são nada animadoras. Uma delas é a lista fechada, para mim, uma aberração. Vai, na verdade, significar uma economia para candidatos corruptores: nos moldes de hoje eles compram votos dos eleitores. Com a lista fechada vão gastar dinheiro apenas com os convencionais. O voto vai continuar sendo obrigatório, o que, no meu olhar é discutível. Entendo que o brasileiro ainda não tem maturidade para ser livre para votar ou não. Mas quando terá? Votar é como andar: só se aprende no exercício do fazer, ou seja, andar se aprende andando, votar se aprende votando, da mesma forma que amar só se aprende amando.
Antes das eleições do ano que vem, entretanto, para nós aqui em Mato Grosso outra vai mexer com muitas coisas: a do Conselho Regional de Odontologia, uma área sempre colocada em segundo plano, que não provoca grandes discussões e que é, talvez, a mais importante na área de saúde publica. As eleições do CRO, como a própria atividade de seus profissionais, sempre foram uma espécie de feudo, sem discussão pública. Nós, pobres mortais, nunca fomos chamados a dizer o tipo de odontologia que queremos. Mais do que isso, nunca se viu, que eu saiba, um debate entre candidatos em que suas propostas não apenas para a classe, mas especialmente para a sociedade, sejam colocadas em julgamento.
Três grupos concorrem ao comando do CRO e eu já tomei partido: A situação tem duas “chapas” A UM, comandada por Dalter Favarete, e a DOIS, que é uma espécie de dissidência, comandada por Gustavo Oliveira, atual presidente, com a “Valorização”. Pelas propostas expostas no blog, estão preocupados apenas com a categoria. Fica difícil concordar. Já passou do momento de se apresentar propostas mais amplas, que beneficiem diretamente a sociedade.
A chapa TRÊS tem Alba Medeiros à frente. Ela é a primeira mulher na história do CRO a se candidatar ao cargo. Enfermeira, cirurgiã dentista, professora da UFMT, especialista em saúde publica, integrante do Grupo de Pesquisa comandado por Julio Muller é, para mim, das três, a que mais transparentemente apresenta as propostas e a mais preocupada com a construção de uma odontologia que sirva ao dentista, mas tenha também a sociedade como prioridade. As propostas da chapa TRÊS estão em http://www.inovacaocromt.com.br/ . Alba propôs um debate entre os três candidatos e até agora nenhum adversário se dispôs a isso.
Aliás, a ADUFMAT poderia prestar um serviço à cidadania tomando para si a responsabilidade de promover e organizar esse debate, que poderia ser transmitido ao vivo por emissoras de rádio e até de TV. Afinal, é por meio de eleições como essa do CRO, que não têm o mesmo destaque das municipais, estaduais e nacionais, que conseguiremos construir um país de verdade já que as reformas começam pela base, pelas entranhas, e não pelo cume, pelo visível.
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