Maurelio Menezes
Gostaria de conhecer o quadro final da consulta para escolha do novo reitor da UFMT. Qual foi a abstenção? Quantos foram os votos nulos? E brancos? Esses números podem dar uma idéia concreta sobre a quantas andam as pernas da uiversidade no que diz respeito a cidadania (o interesse por uma escolha tão importante para a sociedade e para a própria universidade é ingrediente obrigatório na formação de um Estado cidadão). Não entendo porque até agora esses números não estão à disposição de todos. Portais de noticias de Mato Grosso não o trazem. O da ADUFMAT, uma das entidades condutoras do processo também os suprimem. O da Universidade ignora o assunto, depois de ter feito campanha indireta para a candidata da situação o tempo inteiro com a exposição que deu a ela reitora/candidata (no momento que posto esse texto a notícia na primeira pagina no www.ufmt.br ainda é a de ontem, o que vai contra o próprio principio da internet que é a instantaneidade).
E não existe argumento que justifique essa falta de informação, uma vez que, com a urna eletronica é possivel se saber ao final da totalização, no exato momento da impressão do resumo, qual a abstenção, votos nulos e brancos... As informações que tenho, se verdadeiras, são alarmantes e os numeros merecem uma reflexão: teria havido cerca de 50% de abstenção e votos brancos e nulos somariam cerca de 20%. Isso significaria que os três candidatos disputaram apenas 30% dos votos, ou algo em torno de 8 mil votos. É muito pouco para quem pretende ser um centro de produção e irradiação de conhecimento e cidadania....
A Comissão Eleitoral tem obrigação de se manifestar urgente e oficialmente sobre esses números (aliás, já o deveria ter feito desde a madrugada quando saiu o resultado final com a reeleição da atual reitora, professora Maria Lúcia Cavalli Neder) e colocar à disposição da sociedade e da comunidade universitaria esse quadro... Em nome da transparência e para que se possibilite a discussão que tantas vezes ja foi proposta: qual a universidade que queremos? Uma, paupérrima, onde os servidores sejam apenas batedores de ponto, executores de tarefas e recebedores de salário ou uma, nobre nos objetivos, onde o servidor tenha consciencia que a ausência dele em debates como o atual possa beneficiar grupos que usam o espaço publico apenas para se locupletar e estão se lixando para a construção de uma sociedade menos desigual, menos injusta, mais cidadã, enfim. A ausencia é a própria ausência na vida da universidade, logo no lugar dessa universidade na construção de um estado verdadeiramente cidadão.
Eu defendo o segundo tipo, porque acredito que a unica forma de melhorarmos nosso país é investir em educação e educação, sob o olhar de estudiosos com os quais comungo meu pensamento, tem um sentido amplo que vai desde a participação efetiva em todos os processos de decisão, e da construção do mundo que queremos, até o ensino formal que, diga-se de passagem, deve ser definido num processo de ampla discussão na sociedade e não enfiado goela abaixo por quem está de plantão no poder. Essa é, acredito, a unica forma de tornarmos nosso país menos injusto, mais cidadão, menos desigual.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
SEMANA DO INDIO SERÁ DE LUTA E DE LUTO
Maurelio Menezes
Recebi há pouco um e-mail de uma colega de doutorado, Solange Pereira, por quem tenho o maior respeito. Envolvida com lutas e causas indigenas (o projeto de doutorado dela é nessa área), Solange divulga a programação da Semana do Índio, na qual, pela primeira vez haverá uma grande concentração na UFT para debates, manifestações e tomadas de posição em relação a uma série de temas que precisam ser colocados na mesa (eu diria, até, exorcizados). Abaixo compartilho democraticamente, o texto do e-mail de solange:
Olá gente
Na Semana dos Povos Indígenas que vai do dia 16 ao 21 de abril, em todo o Brasil, vários povos ESTÃO DE LUTO se organizando para dar testemunho de resistência nestes 512 anos de agressões e violações dos seus direitos.
Em Mato Grosso, os povos indígenas, outras comunidades tradicionais e seus aliados históricos estarão no campus da UFMT, para a celebração desta Semana.
Os povos indígenas desejam relacionar-se com a sociedade envolvente. Este contato pode ser benéfico para todos, considerando sua sabedoria e suas técnicas de produção material e simbólica. A milenar ciência indígena os mantém vivos fisicamente e sua sabedoria lhes capacita para transmutar-se culturalmente para lidar com as imposições do contato, desta relação historicamente desigual.
Como todos sabem as terras demarcadas são da União, não pertencem aos povos indígenas. Estes têm o direito constitucional ao usufruto dos seus bens naturais. Bem, é isso que diz a Constituição Federal (Capítulo VIII, Art. 231).
Porém, neste ano de 2012, a celebração será fúnebre, ESTAMOS DE LUTO pela última investida do Congresso Nacional contra os direitos indígenas. A aprovação do Projeto de Emenda Constitucional 215 põe em risco os direitos adquiridos pelos povos indígenas de usufruto dos territórios demarcados após longos e penosos processos judiciais.
E o que você tem a ver com isso? As bravatas do Congresso Nacional respingam em toda a sociedade abrem o precedente e negam os direitos sociais conquistados a sangue, suor e lágrimas.
Nos dias do evento eu vou vestir preto e vermelho.
Solidarize-se: exponha notícias sobre a Semana dos Povos Indígenas no seu facebook, blog, site.
SEMANADOS POVOS INDÍGENAS – 2012
Encontro dos Povos de Mato Grosso: Direitos ameaçados e resistência
DIAS:16 Á 18 DE ABRIL DE 2012 (chegada dia 15)
LOCAL:ANFITEATRO DAADUFMAT (UFMT-CUIABÁ)
PROGRAMAÇÃO:
DIA15: Chegada ecadastramento a partir das 14:00 hs no local do evento
DIA16:
7:00– Café da manhã
8:00hs- Abertura
9:00hs- RESGATE HISTÓRICODAS LUTAS E CONQUISTAS DO MOVIMENTO INDÍGENA
10:00hs- CONJUNTURA NACIONALE REGIONAL –Chikinha Pareci
11:00hs - Plenária
12:00– Almoço
14:00– Mesa: DIREITOSCONSTITUCIONAIS – PECe Congresso Nacional – Dra. Juliana de Paula (Alta Floresta), Dra.Marcia Brandão (Procuradora do MPF)
16:00 – MOVIMENTO INDÍGENANACIONAL – CONTEXTUALIZAÇÃO - APIB
16:30 – Grupos de discussão: MOVIMENTOINDÍGENA E QUILOMBOLA NO ESTADO – AÇÕES DE RESISTÊNCIA
19:00– Jantar
20:00– VÍDEOS/DOCUMENTÁRIOS - Referentes às lutas e conquistas dos Movimentos Indígenas eQuilombolas no Estado e no Brasil.
DIA17:
7:00– Café da manhã
8:00– RESGATE HISTÓRICO– ECO 92
9:00- Mesa: RIO + 20,CÚPULA DOS POVOS E MUDANÇAS CLIMÁTICAS –Michele Sato (Profª UFMT), Larissa Packer (assessora jurídica daTerra de Direitos) e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil -APIB
Plenária,debates
12:00– Almoço
14:00– Grupos de discussão: DESAFIOSE ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA(afirmação, denúncias, propostas)
16:00– Plenária – Socialização dos grupos temáticos
Desafios e Linhas deação no Estado
19:00– Jantar
20:00– Carta dos Povos indígenas e Quilombolas do Mato Grosso
DIA18:
7:00- café da manhã
8:00– Concentração para o Ato
9:00– Marcha indígena – (caminhada pela cidade)
12:00– Encerramento - Com o almoço
"Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. " (Guimarães Rosa)
Recebi há pouco um e-mail de uma colega de doutorado, Solange Pereira, por quem tenho o maior respeito. Envolvida com lutas e causas indigenas (o projeto de doutorado dela é nessa área), Solange divulga a programação da Semana do Índio, na qual, pela primeira vez haverá uma grande concentração na UFT para debates, manifestações e tomadas de posição em relação a uma série de temas que precisam ser colocados na mesa (eu diria, até, exorcizados). Abaixo compartilho democraticamente, o texto do e-mail de solange:
Olá gente
Na Semana dos Povos Indígenas que vai do dia 16 ao 21 de abril, em todo o Brasil, vários povos ESTÃO DE LUTO se organizando para dar testemunho de resistência nestes 512 anos de agressões e violações dos seus direitos.
Em Mato Grosso, os povos indígenas, outras comunidades tradicionais e seus aliados históricos estarão no campus da UFMT, para a celebração desta Semana.
Os povos indígenas desejam relacionar-se com a sociedade envolvente. Este contato pode ser benéfico para todos, considerando sua sabedoria e suas técnicas de produção material e simbólica. A milenar ciência indígena os mantém vivos fisicamente e sua sabedoria lhes capacita para transmutar-se culturalmente para lidar com as imposições do contato, desta relação historicamente desigual.
Como todos sabem as terras demarcadas são da União, não pertencem aos povos indígenas. Estes têm o direito constitucional ao usufruto dos seus bens naturais. Bem, é isso que diz a Constituição Federal (Capítulo VIII, Art. 231).
Porém, neste ano de 2012, a celebração será fúnebre, ESTAMOS DE LUTO pela última investida do Congresso Nacional contra os direitos indígenas. A aprovação do Projeto de Emenda Constitucional 215 põe em risco os direitos adquiridos pelos povos indígenas de usufruto dos territórios demarcados após longos e penosos processos judiciais.
E o que você tem a ver com isso? As bravatas do Congresso Nacional respingam em toda a sociedade abrem o precedente e negam os direitos sociais conquistados a sangue, suor e lágrimas.
Nos dias do evento eu vou vestir preto e vermelho.
Solidarize-se: exponha notícias sobre a Semana dos Povos Indígenas no seu facebook, blog, site.
SEMANADOS POVOS INDÍGENAS – 2012
Encontro dos Povos de Mato Grosso: Direitos ameaçados e resistência
DIAS:16 Á 18 DE ABRIL DE 2012 (chegada dia 15)
LOCAL:ANFITEATRO DAADUFMAT (UFMT-CUIABÁ)
PROGRAMAÇÃO:
DIA15: Chegada ecadastramento a partir das 14:00 hs no local do evento
DIA16:
7:00– Café da manhã
8:00hs- Abertura
9:00hs- RESGATE HISTÓRICODAS LUTAS E CONQUISTAS DO MOVIMENTO INDÍGENA
10:00hs- CONJUNTURA NACIONALE REGIONAL –Chikinha Pareci
11:00hs - Plenária
12:00– Almoço
14:00– Mesa: DIREITOSCONSTITUCIONAIS – PECe Congresso Nacional – Dra. Juliana de Paula (Alta Floresta), Dra.Marcia Brandão (Procuradora do MPF)
16:00 – MOVIMENTO INDÍGENANACIONAL – CONTEXTUALIZAÇÃO - APIB
16:30 – Grupos de discussão: MOVIMENTOINDÍGENA E QUILOMBOLA NO ESTADO – AÇÕES DE RESISTÊNCIA
19:00– Jantar
20:00– VÍDEOS/DOCUMENTÁRIOS - Referentes às lutas e conquistas dos Movimentos Indígenas eQuilombolas no Estado e no Brasil.
DIA17:
7:00– Café da manhã
8:00– RESGATE HISTÓRICO– ECO 92
9:00- Mesa: RIO + 20,CÚPULA DOS POVOS E MUDANÇAS CLIMÁTICAS –Michele Sato (Profª UFMT), Larissa Packer (assessora jurídica daTerra de Direitos) e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil -APIB
Plenária,debates
12:00– Almoço
14:00– Grupos de discussão: DESAFIOSE ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA(afirmação, denúncias, propostas)
16:00– Plenária – Socialização dos grupos temáticos
Desafios e Linhas deação no Estado
19:00– Jantar
20:00– Carta dos Povos indígenas e Quilombolas do Mato Grosso
DIA18:
7:00- café da manhã
8:00– Concentração para o Ato
9:00– Marcha indígena – (caminhada pela cidade)
12:00– Encerramento - Com o almoço
"Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. " (Guimarães Rosa)
domingo, 1 de abril de 2012
NA ELEIÇÃO DO REITOR DA UFMT EU TENHO LADO
Maurelio Menezes
Tenho postado aqui criticas pontuais à atual administração da UFMT, onde sou professor há 16 anos, e onde faço doutorado. Há três candidatos e eu tenho lado nessa eleição. Apóio o professor Fernando Nogueira, de quem reproduzo aqui um artigo veiculado no Espaço Aberto da Adufmat, um Forum virtual e democratico de debates de idéias. É um texto que merece ser ponto de reflexão não apenas da comunidade universitaria, mas de toda a sociedade.
Porque sou candidato a Reitor da UFMT outra vez
Tenho postado aqui criticas pontuais à atual administração da UFMT, onde sou professor há 16 anos, e onde faço doutorado. Há três candidatos e eu tenho lado nessa eleição. Apóio o professor Fernando Nogueira, de quem reproduzo aqui um artigo veiculado no Espaço Aberto da Adufmat, um Forum virtual e democratico de debates de idéias. É um texto que merece ser ponto de reflexão não apenas da comunidade universitaria, mas de toda a sociedade.
Porque sou candidato a Reitor da UFMT outra vez
Fernando Nogueira*
Quando deixei a reitoria da UFMT, por vontade das urnas, decidi me afastar por um tempo das discussões políticas na universidade sem, contudo, deixar de acompanhar de perto o cotidiano da instituição. Dediquei-me às atividades acadêmicas e qualifiquei-me em nível de doutorado, o que assegurou minha inserção em projetos de pesquisa e desenvolvimento, além de contribuir para a melhoria de minhas atividades em sala de aula. Nesse período, também fiz uma imersão, um mergulho profundo nas causas que ensejaram aquele resultado adverso nas urnas. Erros meus na gestão de nossa UFMT? Promessas de campanha que jamais viriam a ser cumpridas ao longo dos anos pelos meus oponentes? Conjuntura política favorável a mudanças no poder do país?
Nessa imersão, fiz uma autocrítica, conversei com colegas, ouvi críticas, analisei-as, amadureci e, sobretudo, pude compreender a motivação das insatisfações com a minha gestão. Mas, além das críticas, ouvi, também, análises pontuais. Uma delas, de que me orgulhou muito, foi que, em meu mandato, em momento algum coloquei em risco a autonomia de nossa Universidade. Aliás, fui um dos reitores que se colocaram publicamente, em âmbito nacional, contra a “proposta de Autonomia”, que nada tinha de autonomia, apresentada pelo Governo Federal, naquela época. Outra análise pontual, de que igualmente me orgulho, diz respeito ao inegável, respeitoso e democrático convívio com os membros da comunidade universitária, dispensando, indistintamente, igual atenção a todas as demandas institucionais. Isso porque, para mim, o processo eleitoral se esgota com a proclamação do resultado das urnas.
Por oportuno, dirijo-me àqueles que insistem em comparar gestões, que ocorreram em momentos distintos, e o faço recorrendo aos colegas da História que dizem sempre, e com razão, que não é possível se comparar dois momentos diferentes na história. Quando exerci a Reitoria, era adversa a realidade do financiamento das Universidades públicas. Evidentemente, se as condições tivessem sido favoráveis, mais ações e avanços teriam sido concretizados. Apesar disso, foi possível manter a UFMT altiva e incrementar sua inserção na capital e nos pólos avançados situados em regiões estratégicas para o desenvolvimento do Estado de Mato Grosso. Nesse contexto, vale salientar que, diferentemente das realizações materiais, é possível sim, ainda que sejam momentos distintos da história, comparar a forma de conduzir a gestão universitária e o convívio com os segmentos que compõem a universidade, seus respectivos sindicatos e a inserção da instituição na sociedade.
Hoje, mais do que antes, colegas reconhecem que em minha tentativa de reeleição não lancei mão da máquina administrativa. Não usei e jamais usaria, porque não faz parte do meu perfil, tirar proveito próprio de cargos, equipamentos e material que não são meus e sim de toda a comunidade universitária e, em última análise, da sociedade que a mantém. Tive e ainda tenho a compreensão de que o que deve pautar a campanha de quem está revestido de mandato é o conjunto de ações realizadas e a postura adotada, como gestor para estabelecer as decisões institucionais na instituição e na sociedade.
É bem verdade, não por acaso, que o calendário estabelecido para a eleição em curso não favorece as candidaturas que se opõem à reeleição pretendida pelos atuais gestores. O tempo é insuficiente para percorrer toda a instituição, acrescido da dificuldade de dispor, com igual facilidade, de dados institucionais e de tempo hábil para contatos pessoais com os membros da comunidade universitária e, também, de condições para cobrir as despesas referentes a deslocamentos para os Campi de Rondonópolis, Médio Araguaia e Sinop. Apesar disso, ao longo da campanha certamente nos encontraremos algumas vezes, inclusive aqui neste Espaço Aberto que democraticamente é de todos nós e não apenas na retórica de um grupo. Nestes poucos encontros vamos debater a Universidade que queremos e, se for do desejo da UFMT, continuaremos as discussões, durante o período que antecederá o início do mandato, na perspectiva de estabelecimento de políticas e ações estratégicas de gestão.
Aqui cabe indagar: A Universidade que queremos é uma Universidade apenas cheia de prédios, que têm recebido severas críticas, quanto à qualidade e infraestrutura implantadas? É evidente que não! Construções são necessárias, contudo é imprescindível assegurar com igual prioridade as demandas da qualidade do ensino, do incentivo à pesquisa e à extensão, seja no que se refere a pessoal, seja no que diz respeito à infraestrutura disponibilizada ou à disponibilidade de tempo para tal. Há mais. Uma universidade capaz de se posicionar, quando necessário for, contra políticas de governo que não contribuam para a contratação de pessoal, condições de trabalho e remuneração decentes. Sobretudo, a Universidade que queremos é uma universidade que vai lutar e primar pela qualidade e não apenas pela quantidade, como tem acontecido nos últimos anos, em que se negligencia a visão humanista para tratar os seres humanos, na instituição universitária, como meros números com vistas a determinadas estatísticas.
No contexto atual, é preciso que sejam lançadas as bases para avançar no que interessa à Universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão, o tripé que fez da UFMT uma universidade de qualidade que começamos a construir lá atrás, antes mesmo de 10 de dezembro de 1970. É como sempre afirmo e reafirmo: A UFMT é resultado da contribuição indelével de tantos quantos já participaram ou ainda participam da sua construção. E não apenas desta ou daquela administração superior. A cada tempo o seu próprio tempo, suas oportunidades e seus avanços.
Há muita coisa a fazer e, sobretudo, a se modificar. Isso está claro para mim e para aqueles que me lançaram o desafio de participar mais uma vez deste processo democrático na UFMT. Por isso, e também em virtude da imersão e da análise a que me referi no início desta conversa com vocês, é que me dispus, se assim for o desejo da comunidade universitária, a ser Reitor da UFMT outra vez, para comandar um processo de evolução que hoje é mais que necessário em nossa Universidade, um processo que resgate a autonomia, o convívio democrático e a discussão com vistas à qualidade, discussão da qual, infelizmente, estamos nos afastando a cada dia mais.
Por fim, esclareço que minha candidatura a Reitor é fruto do anseio de uma parcela da comunidade universitária, que entende a necessidade de tornar público que, na UFMT, o pensamento não é hegemônico no que concerne à forma em que deve se dar a gestão das ações no âmbito da instituição e também em relação à sua inserção na sociedade. Por isso mesmo é que, na condição de candidato, peço a necessária reflexão, contribuições e adesão, na forma de voto, à CHAPA 2: A UFMT EM PRIMEIRO LUGAR.
*Fernando Nogueira é professor do Departamento de Engenharia Elétrica, Doutor em Engenharia Elétrica, graduado em Administração e candidato a Reitor da UFMT.
segunda-feira, 12 de março de 2012
A QUEDA
Maurelio Menezes
Uma cutucadinha para reflexão de quem tem a duvida como alimento diario. A renuncia de Ricardo Teixeira é comemorada por articulistas de esporte e por muita gente como um grande gol da democracia. Para mim, é mais uma piada. Não a queda, mas a comemoração e as afirmações que resultaram dela. Os argumentos para defender essa tese são muitos, simples, e óbvios e, evidentemente, vão provocar a ira dos escudeiros de plantão e daqueles que deixam sua inteligencia ser nublada pela fumaça da paixão.
Juca Kfouri, por exemplo, sempre muito apaixonado, diz que foi uma vitoria do governo Dilma Roussef. Será? Dias atras, um destes colunistas (se não me falha a memoria foi ele mesmo) publicou que Ricardo Teixeira recorrera a Lula para não cair. O Ministro do Esporte não confirmou nem desmentiu a noticia... Agora com a queda de Teixeira a sub mensagem é a seguinte: Dilma não aceitou o pedido de Lula (sim, porque Lula seria bem capaz de fazer o pedido para pagar o fato de ter garantido a abertura no estadio do Corinthians que nem existia e que ele dera um jeito de "conseguir" financiamento). Em outras palavras, Dilma é uma Presidente independente que, diga-se de passagem, está pronta para um segundo mandato Nilson Lage, um dos meus professores de Jornalismo há mais de 30 anos disse um dia numa aula: a desconfiança é fundamental. Nunca acreditem em histórias certinhas demais. Pois esta historia esta certinha demais, cheira a armação.
E cheira a armação porque é dificil acreditar na independencia de um governo que faz da administração uma troca de favores e um eterno jogar para baixo do tapete denuncias de corrupção e mau uso do dinheiro publico. Afinal, não joguemos nós para debaixo do tapete que esse é um governo que tem entre seus ministros o consultor das consultorias nunca dadas, Fernando Pimentel. É um governo que tem um Ministro da Pesca, Bispo Crivella, cuja primeira providencia será criar um monte de cargos para alojar seus peixinhos e cuja segunda providencia sera lutar para que o canditado de seu partido em São paulo renuncie para tentar facilitar a vida do candidato do PT lá.
Além de outras barganhas, o atual governo é um governo refém da pior parte do PMDB, aquela mesma que na semana passada mandou um recado para a Presidente, ao derrotá-la no Senado vetando uma indicação dela para a ANTT. Assim se a queda de Ricardo Teixeira tiver alguma coisa a ver com o Governo Dilma, não foi por interesses democraticos e sim, igualmente, por interesses não confessaveis. Alias, Fernando Sarney é um dos citados para assumir a presidencia com a já informada saida do novo Presidente, José Maria Marin. Com Sarney à frente da CBF e do Comite Local as verbas vão ser liberadas, os gastos realizados, enfim vai sair do jetinho que, como diria um colega de Grupo de pesquisa. "O Capital quer" porque as galinhas estarão aos cuidados das raposas oficiais.
Sobre a saida de Ricardo Teixeira, ele caiu de maduro. É mais daqueles casos cuja queda tem mulher envolvida. Teixeira começou a cair quando separou-se filha de João Havelange, seu criador, que jamais o perdoou por isso e o abandonou à própria sorte. E mais... Ricardo Teixeira deve estar rindo de tudo isso, porque com certeza estava achando uma chatice todos os dias ver o nome dele colocado na boca do sapo, muitas vezes por intenções nada confessaveis. Vai controlar seus negocios e gastar seus milhões em Miami, vendo a seleção brasileira perdendo mais uma Copa em casa e rindo muito de tudo daqui... A menos que consigam condena-lo (e a todos os que supostamente são cumplices dele) nos crimes que teria cometido aqui. Pode ser, afinal a Páscoa está chegando e o Coelhinho existe.
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E cheira a armação porque é dificil acreditar na independencia de um governo que faz da administração uma troca de favores e um eterno jogar para baixo do tapete denuncias de corrupção e mau uso do dinheiro publico. Afinal, não joguemos nós para debaixo do tapete que esse é um governo que tem entre seus ministros o consultor das consultorias nunca dadas, Fernando Pimentel. É um governo que tem um Ministro da Pesca, Bispo Crivella, cuja primeira providencia será criar um monte de cargos para alojar seus peixinhos e cuja segunda providencia sera lutar para que o canditado de seu partido em São paulo renuncie para tentar facilitar a vida do candidato do PT lá.
Além de outras barganhas, o atual governo é um governo refém da pior parte do PMDB, aquela mesma que na semana passada mandou um recado para a Presidente, ao derrotá-la no Senado vetando uma indicação dela para a ANTT. Assim se a queda de Ricardo Teixeira tiver alguma coisa a ver com o Governo Dilma, não foi por interesses democraticos e sim, igualmente, por interesses não confessaveis. Alias, Fernando Sarney é um dos citados para assumir a presidencia com a já informada saida do novo Presidente, José Maria Marin. Com Sarney à frente da CBF e do Comite Local as verbas vão ser liberadas, os gastos realizados, enfim vai sair do jetinho que, como diria um colega de Grupo de pesquisa. "O Capital quer" porque as galinhas estarão aos cuidados das raposas oficiais.
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| O que estaria prometendeo Havelange ao ex genro? |
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O CRONOGRAMA DO DESCASO
Maurelio Menezes
A ação da PM na desocupação de Pinheirinho, em S.José dos Campos, foi criticada, com justiça, violentamente nas midias sociais (e não redes), transformada em TT no Twitter. Foi mais uma prova de que a Policia Militar nao está preparada para intervenções pontuais e acaba agindo sempre na base da pancada e dos varios tipos de bombas intimidadoras que usava nos tempos do regime militar.
E isso, ao contrario do que afirmam alguns para tentar tirar proveito político, de olho nas eleições de outubro, não tem absolutamente nada a ver com o estado onde está o pelotão . O despreparo da corporação ficou claro essa semana também em Recife onde, teoricamente, a PM é comandada por um governador da base federal, Eduardo Campos, alias, o melhor avaliado do Brasil. Lá estudantes que protestavam contra o aumento do preço da passagem de onibus foi atacada a pancadas, bombas de gas e efeito moral. De acordo com os que afirmaram que a PM que foi violenta em Pinhdirinho é a "PM do Alckmim" no naso de Recife é a "PM do Eduardo Campos", e faz o que ele manda.
É verdade que por tras da ação da policia havia a ação de provocadores ( o que é contestado por muita gente), mas ela deveria estar preparada inclusive para isso. Mas, mais do que isso, há todo um cronograma de descaso dos governos federal, estadual e municipal com os moradores do Pinheirinho. Em oito anos de ocupação, mesmo sabendo como a Justiça age em casos de Direito de Propriedade, nenhuma das tres esferas se posicionou contra a desapropriação nem apresentou alternativas para os moradores. Somente no inicio desse ano, como lembra a Folha de S. Paulo hoje (http://migre.me/7FX9r) quando a desocupação ja havia sido decretada, um "protocolo de intenções foi assinado pelo prefeito, pelo secretário estadual da Habitação, Silvio Torres, e pela secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães. O protocolo foi, no entanto, recusado pela Justiça, por falta de ações concretas."
Aos governos municipal, estadual e federal junte-se alguns movimentos sociais que tiveram tempo para pressionar democraticamente o poder publico para uma solução e aí montar um sistema para que os moradores tivessem lá vida minimamente digna. Pinheirinho se transformou num tipo de favela, que, como toda favela, abrigava desde traficantes e puxadores de carros a gente de bem, trabalhadora, idosos e crianças que jamais tiveram acesso a politicas publicas.
Agora, no bafafá da desocupação, muita gente quer posar de bonzinho para sair bem na foto. E de quebra aproveitar para alfinetar possiveis adversários politicos em outubro. Isso é lamentavel porque fazem politicagem com tragedia humana. Tragedia que todos esses personagens poderia ter evitado.
A PM agiu de forma errada (embora amparada pela Justiça que em todos os niveis manteve a desocupação)? Agiu. Mas a ação da PM e da Justiça não seria necessária se não fosse o descaso do poder publico e dos movimentos sociais que só foram tentar "colocar tramela na porta quando a porta estava arrombada".
Quantos Pinheirinhos existem no Brasil? Quantas vezes e até quando a história vai se repetir?
P.S Quando estava terminando este post, vi as imagens do protesto em São Paulo contra o prefeito Gilberto Kassab. Estranho, muito estranho. As faixas mostravam que o protesto era contra a desocupação de Pinheirinho e contra a ação da policia. Por isso jogaram ovos no prefeito de São Paulo? Mas o que ele tem a ver com S.José dos Campos? E que o ele tem a ver com a PM, que é estadual? É... a campanha de 2012 ja começou. E da pior e mais lamentavel forma possivel... Pior que os partidores que estavam lá e que tentaram impedir o trabalho de jornalistas, pelo que tudo indica, vão ter Kassab no palanque. É que pelo que informa o Augusto Nunes em seu blog ( bit.ly/ybza6U ) o prefeito fechou hoje o aluguel do partido dele para a candidatura de Haddad
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| Pinheirinho, a PM do Alckmin |
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| Recife, a PM do Eduardo Campos |
É verdade que por tras da ação da policia havia a ação de provocadores ( o que é contestado por muita gente), mas ela deveria estar preparada inclusive para isso. Mas, mais do que isso, há todo um cronograma de descaso dos governos federal, estadual e municipal com os moradores do Pinheirinho. Em oito anos de ocupação, mesmo sabendo como a Justiça age em casos de Direito de Propriedade, nenhuma das tres esferas se posicionou contra a desapropriação nem apresentou alternativas para os moradores. Somente no inicio desse ano, como lembra a Folha de S. Paulo hoje (http://migre.me/7FX9r) quando a desocupação ja havia sido decretada, um "protocolo de intenções foi assinado pelo prefeito, pelo secretário estadual da Habitação, Silvio Torres, e pela secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães. O protocolo foi, no entanto, recusado pela Justiça, por falta de ações concretas."
Aos governos municipal, estadual e federal junte-se alguns movimentos sociais que tiveram tempo para pressionar democraticamente o poder publico para uma solução e aí montar um sistema para que os moradores tivessem lá vida minimamente digna. Pinheirinho se transformou num tipo de favela, que, como toda favela, abrigava desde traficantes e puxadores de carros a gente de bem, trabalhadora, idosos e crianças que jamais tiveram acesso a politicas publicas.
Agora, no bafafá da desocupação, muita gente quer posar de bonzinho para sair bem na foto. E de quebra aproveitar para alfinetar possiveis adversários politicos em outubro. Isso é lamentavel porque fazem politicagem com tragedia humana. Tragedia que todos esses personagens poderia ter evitado.
A PM agiu de forma errada (embora amparada pela Justiça que em todos os niveis manteve a desocupação)? Agiu. Mas a ação da PM e da Justiça não seria necessária se não fosse o descaso do poder publico e dos movimentos sociais que só foram tentar "colocar tramela na porta quando a porta estava arrombada".
Quantos Pinheirinhos existem no Brasil? Quantas vezes e até quando a história vai se repetir?
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| Ovos para Kassab que nada tinha a ver com o peixe |
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A MORTE DE KIM JONG-IL E O MITO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA
Maurelio Menezes
A morte do ditador norte coreano Kim Jong-Il e a reação a ela merece uma reflexão porque coloca em cheque o conceito de democracia. Pelo menos da democracia como praticada no Brasil. Como sistema político criado pelos gregos ele era definido como um governo em que o poder era do povo, pelo povo e para o povo" ou seja, nele o povo definiria o que quer e os governantes o atenderiam. No Brasil, um país que se diz democrata por excelência, o povo quer saúde e não tem, quer segurança e não tem, quer educação publica e de qualidade e não tem, quer transporte decente e não tem, quer salários decentes e não tem, quer... qualidade de vida e não tem. Em compensação, não quer corrupção e tem de sobra.
As imagens do velório de Jong-Il mostram um sofrimento coletivo do povo norte coreano, um choro coletivo como foi definido pelos veículos ocidentais de comunicação. Para o jornalismo brasileiro, o choro demonstra bem o absoluto controle do Estado sobre a população. Será? Se não for um impossível teatro com milhões de atores, o povo chora pela morte dele porque sofre. E sofre por quê? Evidentemente que não é a troco de nada. Será que o que o povo quer aqui e não tem, eles não têm lá?
Jornais, sites e emissoras de TV daqui são unanimes em afirmar que são “imagens divulgadas pela TV estatal” como quem quer dizer que não são confiáveis. Mas comportamento de TV estatal não é o que mais temos aqui, com o poder publico sustentando a todas e a todos? Porque as de lá são suspeitas e as daqui não? Só as de lá manipulam?
Os jornais de hoje são catastróficos quanto ao futuro: a China teme uma desestabilização do comunismo, povo teme pelo futuro porque filho do ditador, que tem menos de 30 anos, pode colocar tudo a perder. Alias, como alguém pode colocar algo a perder se este algo já não existe, Pelo menos é isso que sempre afirmaram nossos veículos de comunicação, já que sempre pintaram a situação na Coréia do Norte como tétrica, absurda, irrespirável.
Há uma corrente de pensamento que defende a teoria segundo a qual de nada adianta você ter tudo se não tem liberdade. E por acaso no democrático Brasil temos liberdade? Criou-se a ilusão que vivemos numa democracia porque votamos nos governantes que aí estão. Alias liberdade de não votar temos. Mais ainda: os eleitos não cumprem nada dasquilo que levou o eleitor a votar neles e fica por isso mesmo. O atual governo (e os anteriores também) não dá ao povo seus desejos básicos: saúde, educação, transporte, segurança, enfim qualidade de vida, prometido nos palanques. E igualmernte fica por iosso mesmo. Onde está o exercício da democracia no sentido básico pensado pelos gregos?
Democracia aqui é um mito, é um eterno fingir, um faz de conta que só atende ao interesse de grupos social e politicamente hegemônicos, que manipulam e tratam o povo como bibelô, distribuindo a ele cestas básicas e outras empulhações.A decisão do Supremo Tribunal Federal praticamenete acabando com os poderes do Conselho Nacional de Justiça é a prova mais concreta disso. Juizes, desembargadores e ministros que vendem sentenças, que enriquecem bem mais que seus salários permitiriam vão continuar livres, leves e soltos.
Qual, enfim, a diferença dessa democracia da tão criticada ditadura sanguinária e manipuladora de Kim Jong-Il na Coréia do Norte?
A morte do ditador norte coreano Kim Jong-Il e a reação a ela merece uma reflexão porque coloca em cheque o conceito de democracia. Pelo menos da democracia como praticada no Brasil. Como sistema político criado pelos gregos ele era definido como um governo em que o poder era do povo, pelo povo e para o povo" ou seja, nele o povo definiria o que quer e os governantes o atenderiam. No Brasil, um país que se diz democrata por excelência, o povo quer saúde e não tem, quer segurança e não tem, quer educação publica e de qualidade e não tem, quer transporte decente e não tem, quer salários decentes e não tem, quer... qualidade de vida e não tem. Em compensação, não quer corrupção e tem de sobra.
As imagens do velório de Jong-Il mostram um sofrimento coletivo do povo norte coreano, um choro coletivo como foi definido pelos veículos ocidentais de comunicação. Para o jornalismo brasileiro, o choro demonstra bem o absoluto controle do Estado sobre a população. Será? Se não for um impossível teatro com milhões de atores, o povo chora pela morte dele porque sofre. E sofre por quê? Evidentemente que não é a troco de nada. Será que o que o povo quer aqui e não tem, eles não têm lá?
Jornais, sites e emissoras de TV daqui são unanimes em afirmar que são “imagens divulgadas pela TV estatal” como quem quer dizer que não são confiáveis. Mas comportamento de TV estatal não é o que mais temos aqui, com o poder publico sustentando a todas e a todos? Porque as de lá são suspeitas e as daqui não? Só as de lá manipulam?
Os jornais de hoje são catastróficos quanto ao futuro: a China teme uma desestabilização do comunismo, povo teme pelo futuro porque filho do ditador, que tem menos de 30 anos, pode colocar tudo a perder. Alias, como alguém pode colocar algo a perder se este algo já não existe, Pelo menos é isso que sempre afirmaram nossos veículos de comunicação, já que sempre pintaram a situação na Coréia do Norte como tétrica, absurda, irrespirável.
Há uma corrente de pensamento que defende a teoria segundo a qual de nada adianta você ter tudo se não tem liberdade. E por acaso no democrático Brasil temos liberdade? Criou-se a ilusão que vivemos numa democracia porque votamos nos governantes que aí estão. Alias liberdade de não votar temos. Mais ainda: os eleitos não cumprem nada dasquilo que levou o eleitor a votar neles e fica por isso mesmo. O atual governo (e os anteriores também) não dá ao povo seus desejos básicos: saúde, educação, transporte, segurança, enfim qualidade de vida, prometido nos palanques. E igualmernte fica por iosso mesmo. Onde está o exercício da democracia no sentido básico pensado pelos gregos?
Democracia aqui é um mito, é um eterno fingir, um faz de conta que só atende ao interesse de grupos social e politicamente hegemônicos, que manipulam e tratam o povo como bibelô, distribuindo a ele cestas básicas e outras empulhações.A decisão do Supremo Tribunal Federal praticamenete acabando com os poderes do Conselho Nacional de Justiça é a prova mais concreta disso. Juizes, desembargadores e ministros que vendem sentenças, que enriquecem bem mais que seus salários permitiriam vão continuar livres, leves e soltos.
Qual, enfim, a diferença dessa democracia da tão criticada ditadura sanguinária e manipuladora de Kim Jong-Il na Coréia do Norte?
domingo, 18 de dezembro de 2011
CONTO DE NATAL
Maurelio Menezes
- Cadente, filho.. Vamos fazer um desejo.. Uma estrela igual a essa, há muitos anos, se transformou num símbolo de mudança... O homem aprendeu que o amor e o respeito ao próximo eram o caminho da felicidade...
- Tomara que sim... Pode ser alguém que, em vez de presentes, traga outros ensinamentos tão simples... Por exemplo, que todos somos diferentes... E que somente o respeito às diferenças é que vai evitar guerras, que vai aproximar os homens, vai mostrar o quanto é importante a convivência... O quanto é importante se eliminar não as diferenças de pensamento e de idéias, mas as diferenças econômicas e sociais...
- Já, mamãe... Eu quero que você, o papai, a vovó, o vovô, o titio, a titia, minha maninha e todo mundo nunca deixem de olhar pela janela e ver essas coisas simples. Eu quero que o mundo seja feliz, mamãe...
Quando o menino fez a pergunta não fazia idéia que na resposta
estava o segredo da vida... Descalço, sentado no chão de terra batida, brincava, tranqüilo...
- Vrrruuuummmm, vrum, vruuuuuuuummmmmm!!!!!
- Vrrruuuummmm, vrum, vruuuuuuuummmmmm!!!!!
A mãe olhou para o filho. O rosto era de quem estava dirigindo um super conversível numa uma pista sem fim. Na mão, um pedregulho que, depois de anos e anos acariciado pela correnteza do rio, tinha um formato que até parecia um carrinho. Parecia...
- Felicidade, filho? Felicidade é... como vou te explicar....
- Deve ser muito complicado mesmo, mamãe, porque nunca vi nenhuma gente grande dizendo o que que é. Todo mundo fala o que que é um carro, o que que é uma casa, o que que é uma roupa, o que que é um sapato... vruuummm, vrum, vruuuumm... -e estacionou o carrinho.
- Sabe que é, filho.. A gente grande vive muito preocupada com essas coisas porque elas acabam sendo necessárias na vida. A gente precisa do sapato... precisa da casa...
- ..e não precisa da felicidade, mamãe?
- Precisa, filho... Precisa muito. É que desde muito tempo, quando chega numa fase da vida, nossos sonhos acabam sendo sufocados por essas necessidades... Nossas ilusões ficam esquecidas em alguma esquina da cidade... A gente deixa de olhar para as coisas mais simples da vida.. Só as crianças olham para elas...
- Por quê, mamãe? Gente grande não foi, um dia, gente pequena?
- Foi filho... Mas quando a gente cresce perde , como vou te explicar.... a inocência...
- Eu sempre achei que ser inocente era uma boa coisa...
- É meu filho... Talvez seja a coisa mais importante da vida... Mas até o significado de inocente os adultos mudaram. Hoje, quando se fala em inocente logo se pensa no oposto, culpado. O sentido de pureza está meio que deixado de lado...
- Você não me disse ainda o que é felicidade. Eu posso dar mais umas voltinhas com meu carrinho antes de ir tomar banho?
- Pode, filho... Felicidade é poder brincar com um carrinho... Com esse carrinho.
felicidade, filho, é olhar pela janela e ver a vida em cada coisa... um passarinho na árvore... alguns peixinhos... duas tartaruguinhas... quatro sapinhos na grama... uma flor... uma criança que passa... um adulto que vai... Felicidade, filho, é a própria vida... é o respeito á vida. Sós as crianças percebem isso...
- Mas a gente não sabe o que é felicidade...
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| Anônimo |
felicidade, filho, é olhar pela janela e ver a vida em cada coisa... um passarinho na árvore... alguns peixinhos... duas tartaruguinhas... quatro sapinhos na grama... uma flor... uma criança que passa... um adulto que vai... Felicidade, filho, é a própria vida... é o respeito á vida. Sós as crianças percebem isso...
- Mas a gente não sabe o que é felicidade...
- Não sabe, mas sente, filho... Os adultos sabem, mas não sentem..
- Mas sempre foi assim, mamãe?
- Não filho... Houve uma época em que o homem era feliz. A vida dele se resumia a fazer aquilo que era necessário ser feito para que ele sobrevivesse..
- E porque tudo mudou?
- Ninguém sabe, filho, ninguém sabe...
- Olha, mamãe, uma estrela candente...
- Parece que não adiantou muito, não é, mamãe? Ele se esqueceu de tudo de novo...
- É verdade, filho... Pior ainda... Se esqueceu e teima em não lembrar...
- Será que tem alguém seguindo a estrela cadente?
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| Papel de parede |
- Quem sabe, mamãe, esses Reis ensinem a gente grande a olhar pela janela...
- Seria muito bom, filho, porque dois mil anos depois nós desaprendemos..... não estamos mais olhando pela janela...
- E vai adiantar, mamãe? Se a gente grande já desaprendeu uma vez vai desaprender de novo...
- Pode ser que não filho... Pode ser que daqui a dois mil anos tudo volte a ser como antes, quando o homem só matava os animais que precisava matar para sobreviver... Nunca pescava mais do que precisava... Só arava a terra que precisava arar... Só tirava da terra o que realmente necessitava... O homem lutava, mas não guerreava... Se o homem aprender mesmo a olhar pela janela, filho, vai ver que a vida só tem sentido a partir dessas coisas simples...
- Felicidade é uma coisa simples, mamãe?
- Não, filho, felicidade não é uma coisa simples... As coisas simples é que são a felicidade... Você já fez o seu pedido para a estrela?
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| Foto: Antonio da Silva Couto |
- Vai ser filho... Vai ser -disse a mãe olhando para a estrela cadente e para o filho que brincava com seu conversível último tipo numa pista sem fim.
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