sexta-feira, 21 de junho de 2013

REFLEXÕES SOBRE A PRIMAVERA BRASILEIRA -- UM OLHAR SOBRE A VIOLÊNCIA

Maurelio Menezes

Muita gente ainda está atordoada com o que está acontecendo no pais. E as análises são, ainda, as mais desencontradas... Os veiculos de comunicação somente agora estão acordando para o momento e, principalmente para o significado desse momento que, permite diversos olhares. Um deles, bem claro, é  sobre a violencia que tem sido registrada em algumas cidades, a reação a essa violencia e, especialmente, ao constante bater na tecla da necessidade de que os protestos sejam pacificos. E nesse bater de tecla todos, indistintamente, que não se comportam são chamados de baderneiros, vândalos, sempre com destaque que eles compõem uma minoria.
Durante décadas os meios de comunicação construiram no Brasil a imagem que nós somos um povo pacífico. ordeiro, o pais do futuro e a pátria do evangelho. Com o tempo esse estado ganhou o status de anomia, ou seja de falta de objetivos, de subserviência, de perda de identidade, da não participação, enfim de se estar à deriva, ou misturando Erasmo com Chico, de se estar sentado à beira do caminho vendo a banda passar.
Evidentemente que a construção dessa imagem, como todas as construções de imagens, escondia interesses inconfessáveis, o principal deles que para o sistema vigente (seja ele qual for) quanto mais pacifico for o cidadão, mais facilmente ele será objeto de manipulação.
No caso da Primavera do Brasil (aliás, somente poderia mesmo ser no Brasil, a primavera chegar no final do outono e inicio do inverno) os veículos de comunicação somente agora estão acordando... E
com eles boa parte da população que, a cada dia fica mais claro, percebeu que o que vem por aí, seja lá o que for, é irreversivel.  Isso ficou claro, por exemplo, na manifestação de cerca de 70 mil
vozes no protesto de 20 de junho. Muita gente que estava ali não tinha o sentido exato do porque ali estava, mas tinha certeza que estava particioando de um grito de basta, de mudar é necessario. As reinvindicações, como em todo o pais, eram difusas. Em São Paulo teve gente protestando até contra o preço da ração para chachorro. Em Cuiaba, uma dupla de estudantes usou humor para protestar, pedindo num cartaz à presidente Dilma para reduzir 20 centavos no preço de uma marca de cerveja para, ai sim, ela descer redondo.
Mas e os atos de violencia que eclodem aqui e ali nos protestos? Sempre aprendemos que nao se deve generalizar nunca. E é exatamente isso que está se vendo na cobertura dos protestos, uma generalização perigosa. Afinal, não se pode colocar na mesma cova rasa manifestantes que reagem á violencia da policia, que, aliás, deveria estar preparada para gerenciar momentos de tensão, com outros que invadem e saqueiam lojas.
Sem dúvida alguma, a midia prestaria um serviço maior ao pais se deixasse claro que alhos não são
bugalhos. Se questionasse, por exemplo, o fato de na segunda feira no Rio um dos carros que foi incendiado, antes de ser tomado pelo fogo ficou cerca de 10 minutos com uma pequena chama no
interior, mas a policia que ali estava não fez nada para impedir o óbvio, a explosão, o que era possivel com uso simples de um extintor de mão.  Porque não o fez? Não haveria ali o interesse inconfessavel que o fogo se alastrasse mesmo exatamente para poder se acusar o movimento de baderneiro. Afinal se no momento a cobertura da midia falava que era um pequeno grupo, para a historia a imagem que vai ficar é a do corro explodindo...
Enquanto não mudar seu comportamento em relação a isso estará deixando a clara impressão que o pregar a paz esconde uma preocupação que essa violencia se volte definitivamente contra ela e contra o sistema que ela, midia, representa. 



quinta-feira, 11 de abril de 2013

ÁLCOOL, A DROGA QUE PRECISA SER COMBATIDA

Maurelio Menezes

Entra governo e sai governo e não se toma uma posição clara contra essa  que é a pior droga que existe, a porta de entrada para todas as outras. Os estragos que o álcool faz na familia, e na vida de todos são conhecidos, mas não se toma uma providencia por um motivo simples: a indústria de bebidas é uma grande contribuinte do poder publico, não apenas em impostos, mas como doadora para Caixa 2 de campanhas politicas.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde -OMS-, a bebida é mortal para os adolescentes,  além de ser a principal causa de morte em homens entre 15 e 59 anos: 320 mil pessoas entre 15 e 29 anos morrem ao redor do mundo por ano  em consequencia do consumo do álcool. Mais ainda, se considerarmos todas as faixas de idade, de acordo com a OMS, sobe para  2,5 milhões o número de mortes,  número maior que as mortes causadas pela AIDS, tuberculose ou violência física.
Quer outro dado alarmante:  Há 9 anos  o Álcool, conforme dados divulgados pela ONU, é considerado o principal causador de 60 tipos de doenças, como cirrose, epilepsia, diferentes tipos de câncer -como o colorretal, mama, laringe e fígado, e ferimentos, provocados em casa, no trabalho e em acidentes de trânsito.
Só no Estado de São Paulo, o mais populoso do país, a cada 20 minutos uma pessoa é internada por problemas decorrentes do uso do álcool. O custo para os cofres públicos é inestimavel e somente vai diminuir quando houver uma política eficiente de combate a essa droga. Mas, infelizmente, andamos na contramão dessa idéia.  No Brasil, especialmente  no primeiro governo Lula o investimento no combate ao alcolismo diminiu radicalmente. De acordo com pesquisa do economista Daniel Cerqueira, da Fundação Getulio Vargas, do Rio, em 2007,inicio do segundo governo Lula,  o investimento do Governo Federal no combate ao alcoolismo caiu de 413 milhões de reais no final do governo FHC, para 223 milhões. O mais grave é que nesse periodo, pesquisa da UNIFESP revelou que o alcoolismo era o principal problema de saude publica do Brasil, que tinha mais de 10 por cento de suas mortes ligadas a problemas de consumo de alcool.
Enquanto o poder público não toca nessa ferida, para não perder o faturamento (oficial e extra oficial) gerações e mais gerações vão sendo destruidas. Afinal, o uso de alcool por menores de 18 anos  tem entre suas consequencias, a demencia. E, em todas as idades, o consumo excessivo também afeta diretamente o cérebro e leva a mal-estar físico e psíquico, perda do controle, comportamento antissocial, enjoo, vômitos, tontura, ressaca, dor de cabeça e depressão.
Hoje na Folha de S.Paulo, há um depoimento impressionante de uma alcoolatra, dona de casa, Sueli, que hoje tem 46 anos (o jornal se refere a ela como ex-alcoolotra,  o que, de acordo com integrantes do Alcoolicos Anonimos não existe). O depoimento segue abaixo, mas se voce preferir, pode acessar o texto aqui.

 
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
"Fui abandonada pela minha mãe aos seis anos de idade e passei a ser criada pela minha avó. Era uma família que não gerava amor, carinho. Gerava álcool. Meus avós, minha mãe e meu irmão, todos eram alcoólatras, e minha irmã morreu de overdose. Todos já se foram.
Comecei a beber cedo, com 15, 16 anos, por embalo. Ia para os bailinhos nos fins de semana, mas era tímida, tinha vergonha de namorar, de dançar. Aí descobri que depois de algumas cervejas me tornava poderosa. Dançava, namorava, xingava. Aos poucos, comecei a beber também às quintas e às sextasAos 21 anos, engravidei na balada. Foi o meu apagamento. Não lembro de nada. Não sei quem é o pai da minha filha. Mesmo grávida, continuei bebendo e frequentando balada. Tive minha filha. O normal de uma mãe é cuidar de uma filha recém-nascida. Mas comigo isso não aconteceu. Eu largava minha filha com minha avó alcoólatra e voltava para a vida do álcool e das baladas.
Quando minha filha tinha nove meses, resolvi morar com um homem que mal conhecia em São Paulo. Tive sorte, foi um homem que me acolheu, que falou: 'Pare de trabalhar e cuide da sua filha'. Era tudo o que eu queria: alguém para nos sustentar. Mas em vez de cuidar da minha filha, passei a beber mais e mais. Só que em casa. Eram os meus vizinhos quem cuidavam da minha filha.
Depois começaram as brigas, físicas e verbais. Ele chegava em casa do trabalho e queria a esposa. Encontrava uma bêbada. Quatro anos depois, nasceu a minha segunda filha. Também a gerei no álcool.
A partir daí, o descontrole foi total. Era minha filha maior que cuidava da caçula, de mim e da casa. Eu só me lembrava das coisas até o momento que deixava a menor na escolinha, às 10h. Depois, passava na quitanda, comprava bebida [no começo era cerveja, depois passou a ser pinga com açúcar], começava a beber em casa e apagava tudo.
Não me lembrava de buscar minha filha na escola e, às vezes, estava tão bêbada que a tia não deixava que eu a levasse. Comecei a perceber hematomas nas minhas filhas, mas não lembrava que tinha batido nelas no dia anterior.
Um dia, pedi para a menor, que na época devia ter uns cinco anos, comprar uma garrafa de vinho no meio da chuva. Na volta, ela deixou a garrafa cair e pagou caro por isso. Eu dei um coro tão grande que ela ficou dois dias de cama [começa a chorar compulsivamente]. No dia seguinte, eu não lembrava de nada. E ela dizia: 'A senhora me espancou. Eu odeio a senhora, não tenho mãe'. Até hoje ela não me perdoa. Já a maior conseguiu entender que tudo o que eu fiz foi por causa de uma doença chamada alcoolismo, não foi por maldade.
No dia 13 de janeiro de 1998, decidi dar um novo rumo na minha vida. Meu marido chegou em casa e disse que queria se separar. Eu estava bêbada fazendo o bolo do aniversário de 11 anos da minha filha mais velha.
Naquela noite, passei praticamente no banheiro, vomitando. Uma hora, me ajoelhei no chão e pedi: 'Deus, me ajuda porque sozinha eu não consigo'. Veio então o AA [Alcoólicos Anônimos] na minha cabeça.
Liguei para o telefone de plantão e o atendente me indicou uma sala do AA. No dia seguinte, ingressei na irmandade.
A partir daí, comecei a ser mãe de fato. Depois disso, tive mais dois dois filhos, que hoje têm 14 e 11 anos. Eles dizem: 'Mamãe, eu te amo'. Das minhas filhas mais velhas, eu nunca ouvi isso.
Faz 15 anos que nunca mais coloquei uma gota de álcool na boca. Só por hoje."

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A MULHER QUE CRIOU REGRAS QUE ATÉ HOJE SÃO SEGUIDAS NO BRASIL, INFELIZMENTE

Maurelio Menezes

Margareth Tatcher
Tenho visto, especialmente  aqui nas Midias Sociais, severas criticas a Margareth  Tatcher, que morreu hoje, aos 87 anos.
Por mais que essas críticas sejam justas, não ha como negar o papel dela na história recente do mundo. Ao adotar medidas duras que praticamente acabaram com o  Estado de Bem Estar Social que, embora falido, perdurava na Inglaterra desde os velhos tempos, mudou a história não apenas do pais, mas do mundo. Ao adotar uma politica economica  que tinha por base o neoliberalismo praticamenete destruiu direitos trabalhanistas, acabando, por exemplo, com o salario mínimo (que comente voltaria a ser re-adotado na Inglaterra 20 anos mais tarde com Tony Blair) e ditou as normas que seriam seguidas por dezenas de politicos nas décadas seguintes e ate hoje.
As medidas ortodoxas, pelo menos as principais adotadas por ela, foram assumidas no Brasil por Fernando Collor, ignoradas por Itamar Franco que, apesar da caricatura floclórica que nossa intelgentzia tentou carimbar nele, fez um governo progressista, sim, mas retomadas por Fernando Henrique e mantidas, e até aprofundadas por Lula e por Dilma. Nessa sequencia de governos neo liberais, os trabalhadores ficam com o onus e o capital com o bonus da politica economica. Nessa politica em que o trabalhador é espezinhado diariamente, aos empresarios o governo libera a todo momento subsidios e incentivos e aos trabalhadores destina um tratamento baseado na quebra de direitos adquiridos e de reformas que o prejudicam a cada dia mais.
No caso da  Dama de Ferro, justiça seja feita , as medidas adotadas o foram às claras como politica de governo e como ideologia defendida por ela e pelo se grupo que chegou ao poder com o apoio popular do voto (por mais que o voto nunca tenha significado, como defendem alguns academicos, democracia e muito menos garantia de nada para o trabalhador).
No Brasil, essas medidas são adotadas mascaradamente, primeiro por um governo que se dizia social democrata (seja lá o que isso significasse na cabeça de seus idealizadores) e depois, pior ainda, por um governo que se diz dos trabalhadores e que todos os dias usa trabalhadores para manipular a opinião pública e promove politicas contrárias a seus interesses, utilizando, inclusive, um torto sindicalismo de Estado, incentivando a criação e financiando  sindicatos para dividir a classe trabalhadora.
O que me parece é que muitas das pessoas que estão croticando a ex primeira Ministra britaniza o  estão fazendo para aliviar o peso na consciencia que têm por terem apoiado politicos que chegaram ao poder aqui no Brasil aplicando as mesmas receitas que ela aplicou assim que assumiu o poder na Gra Bretanha.  Ou sejam essa critica hoje é quase uma catarse para se livrar da culpa de terem levado ao poder os FHCs, Lulas e Dilmas da vida.
Alias, antes mesmo de Dilma tomar posse postei aqui uma série de análises ás quais dei o nome de O risco a ser evitado" em que analisava o governo de seis mulheres que em seus paises foram as primeiras mulheres a assumir o poder. E apontava em casa uma das análises decisões tomadas e que foram de uma forma ou outra, sob meu olharm prejudiciais a trabalhadores e a seus paises. Uma destas analises foi inteiramente destinado a Margareth Tatcher (você o encontra aqui)... cuja historia tem muito do que encontramos hoje, por exemplo, no governo Dilma quem pelo que a prática tem demonstrado tem se comportado não só como Tatcher, inclusive com  a aura de governo popular, como também o tinha a ex primeira Ministra britanica, cujo partido chegou ao poder com grande apoio popular.

segunda-feira, 18 de março de 2013

NO FINAL, SEMPRE PERDE QUEM É DO MAL

Maurelio Menezes


Há anos a UFMT mantém um convenio, baseado em Lei Federal, em que cede profissionais aos Estados e Municipios, dentro de alguns criterios... Primeiro há a solicitação do orgão interessado, por meio de seu gestor principal, prefeitos e governador. O primeiro passo é a concordancia do Departamento ao qual o profissional está vinculado. Aprovado pelo Departamento, o processo é encaminhado á Congregação da Faculdade ou Instituto ao qual o Departamento é vinculado. Aprovado ai, o processo segue para a reitoria, que, concordando, dá sequencia ao prrocesso, que é encaminhado para o Ministerioda Educação para que o Ministro oficialmente, por meio d euma Portaria em que a sssinatura dele é impressã em alto relevo.
 Há dois tipos de cessão: com e sem custas. para a Universidade No segundo caso, o professor (ou técnico) continua a receber seus salários na UFMT e o órgão solicitante se obriga a devolver aos cofres da Universidade os proventos pagos ao servidor cedido.
Assim aconteceu com dezenas de professores e técnicos que responderam (e alguns que ainda respondem), por exemplo, por secretarias municipais e estaduais. Foi assim que aconteceu comigo, quando por um ano e nove meses repondi pela Secretaria Municipal de Comunicação de Cuiabá.
Quando ainda era Secretario recebi uma notificação do Ministerio Público Federal para apresentar defesa numa acusação de que, como servidor com DE da UFMT não poderia ter exercido o cargo. E informando que seria obrigado a devolver todos os proventos que recebi no periodo em que fui Secretario.
Com o auxilio de minha então secretária, hoje querida amiga Glaucia Saraiva Almeida, e de minha Coordenador Administrativo Financeira, Dona ´Julieta, outra querida amiga, reuni toda a documentação da cessão que foi encaminhada ao MP, bem como cópia dos pagamentos feitos como ressarcimento pela Prefeitura à UFMT.
Na época conversei com o Procurador da UFMT que me disse julgar estranho porque a UFMT deveria ter sido provocada a entrar como litis consorte (termo juridico que pode ser traduzido como "sócio") na ação, porque ela seria interessada em reaver o dinheiro caso existisse ilegalidade. O Procurador me disse que no meu caso não havia ilegalidade alguma, que o processo seguira todos os tramites, que a cessão fora legal e que os pagamentos haviam todos sido feitos regularmentre (alias, na minha gestão foram quitadas, inclusive, dividas da Prefeitura para com a UFMT referente a salarios não ressarcidos no prazo na gestão anterior, ou seja, eu como Secretario zelei pelos interesses de minha UFMT). De acordo com o Procurador o processo seria certamente arquivado.
Apesar disso tudo o MPF ofereceu denúncia contra mim. E o pior, um Juiz Federal aceitou a denúncia, o que me obrigou a recorrer ao Tribunalk Federal de Recursos da Primeira Região, em Brasilia, por meio do advogado  José Antônio Rosa, que fora Procurador da Prefeitura de Cuiaba à época do inicio do processo.
Hoje o TRF1 em Brasilia julgou o recurso que foi acatado por unanimidade., de tal forma que não cabe mais recurso à decisão. O que me espanta é como o MPF oferece denúncia de um caso em que o processo tem as provas que a denúncia era falsa e feita por alguém sem caráter ou sem conhecimento de causa. Como me espanta também o MPF não ter provocado a UFMT para que ela entrasse de "sócia" (a procurador com certeza daria parecer contrario à sequencia do processo, que era irregular). Mais ainda me espanta que um Juiz Federal acate a denuncia quando nos autos há provas cabais de que a ação era viciada. Afinal, a função principal de um Juiz não é fazer justiça?
Gostaria muito de saber quem foi o autor (ou autora) da denúncia para saber de quem devo ter pena pela pequenez de espirito. Dificilmente o saberei porque o autor (ou autora) ao fazer a denúncia , pelo que parece, se escondeu covardemente no anonimato.
Fica o registro do tipo de pessoas que temos soltas por ai. São pessoas rasteiras, pequenas mesmo, que parecem ter orgasmos em criar (ou tentar criar) problemas para os outros. Pessoas que gastam suas energias não para melhorar esse país, torná-lo menos imjusto. Mas apenas para tentar atingir o próximo.  
Mas há também o outro lado. E por ele fica também o registro da capacidade de profissionais como o José Antonio Rosa, que conseguiu mais uma vez que a justiça fosse feita, apesar dessas pessoas que estão soltas por ai e que não entendem que no final elas sempre perdem, porque, como diz a garotada hoje, são do mal.
É isso, no final, sempre perde quem é do mal  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A QUEM INTERESSA DESTRUIR O ENSINO SUPERIOR PÚBLICO NO BRASIL?

Maurelio Menezes

Este artigo, assinado por Luiz Pinguelli Rosa, foi  publicado ontem em O Globo. Antes que os defensores da mediocridade  presente nas cabeças coroadas de Brasilia se arvorem em afirmar que o Globo faz parte do PIG, essa sigla boba criada por eles, o artigo foi reproduzido em centenas de blogs e jornais on line, representantes das correntes mais distintas. Entre eles o Jornal da CIência da SBPC, o Brasiliasnas.org, o Blog do Nassif, além de estar, por exemplo, no portal do Ministério do Planejamento...
O artigo denuncia o que nós denunciamos durante a greve  que durou 127 dias nas Universidades Federais e é resultado do sindicalismo oficial que, como todos sabem tem inspiração facista e é conhecido por suas práticas nazistas...
Vale a pena ler cada uma das linhas e, a partir delas, fazer uma profuna reflexão do que setá fazendo com o ensino superior no país. Para quem pensa o Brasil desapaixonadamente, será impossivel não não ver nessa posição do Governo Federal algo muito parecido com as praticas da censura absurda do regime militar. E isso não é bom para ninguem, muito meno spara o pais.

                                                           UM ALMOÇO PARA EINSTEIN

Luiz Pinguelli Rosa
A partir de agora, atividades acadêmicas e científicas nas universidades federais deverão seguir uma cartilha com 122 prescrições burocráticas da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério da Educação (MEC).
"A revolução dos bichos" ("Animal farm", no título original), sátira de George Orwell ao stalinismo por trair a revolução socialista, tinha também uma cartilha, com sete mandamentos: tudo o que ande sobre duas pernas é inimigo; tudo o que ande sobre quatro pernas ou tenha asas é amigo; nenhum animal usará roupas; nenhum animal dormirá em cama; nenhum animal beberá álcool; nenhum animal matará outro animal; todos os animais são iguais.
Há contradição, arbitrariedades, burocracia idiota, moralismo hipócrita e pontos éticos e corretos. Embora ficção, essa cartilha é paradigmática.
Na cartilha da CGU e do MEC, há contradições e interpretações que confrontam a Constituição. Se a cartilha for seguida à risca, nenhum professor em dedicação exclusiva poderá possuir ações de empresas, nem mesmo da Petrobras ou do Banco do Brasil, o que é um absurdo. Também não poderá participar de sociedade privada, logo os pesquisadores terão que abdicar de sociedades científicas, como a SBPC, e de outras, como o Clube de Engenharia. O item 11, por exemplo, limita a autonomia universitária listando leis e decretos e omitindo artigos da Constituição. Outros itens tratam colegiados acadêmicos como corporativos e ameaçam seus membros. O objetivo é incutir o medo que costuma paralisar as pessoas.
Alguns auditores da CGU, articulados com elementos da Procuradoria da República no Rio, promoveram acusações a Aloísio Teixeira e Carlos Levi, ex-reitor e atual reitor da UFRJ, respectivamente, e a outros colegas da reitoria (No fim da década de 1960, existiram, na UFRJ, os atingidos pelo AI-5. Agora, haverá os atingidos pelos órgãos de controle, especialmente o professor Geraldo Nunes, que o relatório da CGU demite, sem existir um processo específico contra ele na UFRJ e sem passar pelos colegiados.) As acusações foram refutadas na sua essência pelo Conselho Universitário. Aloísio faleceu. Teve em vida reconhecimento, além de acadêmico, pela posição democrática coerente desde a oposição de esquerda à ditadura. Levi, um dos criadores do LabOceano, o primeiro do moderno Parque Tecnológico da UFRJ, foi inocentado pelo colegiado da própria CGU de acusações sem pé nem cabeça: comprovou-se que os recursos foram gastos em obras e atividades acadêmicas por meio da Fundação José Bonifácio, da universidade.
Infelizmente, para a mentalidade conservadora e juridicista que entrava o serviço público, tudo o que moderniza a gestão do Estado é inimigo, até mesmo as fundações de apoio, criadas por lei com esse propósito. Por sua vez, tudo o que segue o caminho mais complicado e demorado é amigo: para seguir as regras da cartilha, doentes podem morrer sem remédios e estudantes podem ficar sem laboratórios. Querem até licitar a folha de pagamento da UFRJ, feita há décadas por meio do Banco do Brasil! A quem serve isso? A algum grande banco. Isso combate a corrupção ou a estimula?
São muitas as proibições que estimulam o imobilismo e a indolência, pois qualquer iniciativa acadêmica pode violar algo. O deputado Chico Alencar contou 3,7 milhões de leis "no país da cultura bacharelesca". Uma denúncia anônima mentirosa - disparada como um míssil por um inimigo pessoal - pode levar um colega sério a ser alvo de perseguição kafkiana. Em outro livro de Orwell, "1984", um terrível personagem, o Big Brother, de algum lugar vigia todos e os pune. Seu famoso bordão - "Big Brother está observando você" - chegou a inspirar o programa televisivo. Por razões ideológicas ou midiáticas, problemas administrativos sanáveis viram escândalos. Podem ser refutados na Justiça, mas advogados saem caro.
Dar aulas cumprindo o expediente é uma obrigação que deve ser cobrada de todos os docentes. Aliás, não há nada sobre isso na cartilha. É o mínimo, mas é preciso fazer mais: envolver os estudantes, criar coisas novas, ajudar a mudar o Brasil em benefício do seu povo e a compreender o mundo contemporâneo na cultura, nas artes, na ciência e na tecnologia. A quem interessa acabar isso?
Em 1925, Einstein esteve na UFRJ: na Escola Politécnica e no Museu Nacional, fundados por Dom João VI. Fizeram parte da UFRJ Darcy Ribeiro, José Leite Lopes, Maria Yedda Linhares, Eulália Lobo e Milton Santos (atingidos pelo AI-5), César Lattes, Carlos Chagas e Clementino Fraga. A Coppe, criada por Alberto Luiz Coimbra, que este ano comemora 50 anos de pós-graduação e pesquisa de engenharia, recebeu Noam Chomsky, os ganhadores do Nobel Carlo Rubbia e Joseph Rotblat e brasileiros ilustres como Oscar Niemeyer e os presidentes Dilma e Lula. Projetos com empresas realizados por meio da Fundação Coppetec foram citados como referência pelos ministros Mercadante e Raupp em visitas recentes. Nada disso exime a UFRJ do controle externo, mas é preciso haver respeito à autonomia. Oferecer um almoço na visita de Einstein à universidade hoje poderia ser considerado um ato ilícito, segundo a cartilha.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

EU NÃO QUERO PAZ!!!

Maurelio Menezes

Hoje, véspera de Natal, acordei e, em minhas andanças pelo Facebook havia dezenas, centenas de posts desejando Paz aos amigos, virtuais ou não. Por isso decidi republicar aqui um texto postado originariamente  no Portal Rmtonline, quando dele era colunista, em 24 de dezembro de 2002, portanto exatamente há 10 anos. Ele é atual e continua a representar meu pensamento, o pensamento de quem não quer Paz, porque essa paz desejada acaba sendo efêmera e eu me coloco entre aqueles que sonham e lutam por conquistas definitivas.



O mundo pede paz. O ex-Presidente americano, Jimmy Carter, ao receber o Prêmio Nobel, falou em paz. A viúva de John Lennon, Yoko Ono, ao lembrar o aniversário de morte do ex-beatle, falou em paz. Todos os canais de TV veiculam campanhas pedindo paz. Nas ruas os adesivos que mais fazem sucesso nos carros são os que pedem paz. Caminhadas, cavalgadas, carreatas e abraços pela paz são destaque nos telejornais, especialmente se no dia houver alguma tragédia. É a paz funcionando como contraponto à violência.
A história mostra que tudo isso funciona apenas para garantir audiência. Sempre após conflitos, grandes ou pequenos, a paz foi celebrada e comemorada. Foi assim nas duas grandes guerras mundiais. Foi assim, também, nas pequenas guerras todas com consequências mundiais. Quem não se lembra do aperto de mão histórico entre Iasser Arafat e Yitzhak Rabin nos jardins da Casa Branca celebrando a paz entre judeus e palestinos? Os dois e mais Shimon Peres ganharam, inclusive, o Premio Nobel da Paz em 1994. Oito anos depois do aperto de mão, palestinos e israelenses estão se destruindo de forma incompreensível e irracional. Mais ainda: quase noventa anos depois da Primeira Guerra Mundial e mais de 50 anos após o final da Segunda Guerra Mundial, o mundo ainda pede paz e o que temos é sangue.

Os táxis de Cuiabá circulam com o adesivo Quero Paz no Trânsito. Apesar disso, a cada dia aumenta a violência no trãnsito, inclusive com o assassinato de taxistas. Nas praias do Rio de Janeiro o Movimento Viva Rio faz uma campanha permanente pela paz. Mas o que se vê são os traficantes fechando o comércio, matando, mandando e desmandando.

Em todos os países mães se vestem de branco e pedem paz para que seus filhos possam viver num mundo melhor. Mas a cor mais frequente que é jogada em nossas retinas é a vermelha do sangue derramado por culpados e inocentes.

Por isso neste final de ano vamos todos gritar em alto e bom tom: Eu não quero Paz! Por quê? Porque o mundo não precisa de paz, precisa de justiça. Ampla, real e irrestrita.

Justiça para que sejam condenados os criminosos comuns, esse que andam sorrateiramente pelas esquinas assaltando, roubando, matando e fazendo da vida uma coisa qualquer sem valor algum.

Justiça para que sejam condenados os piores tipos de criminosos: seres desumanos como ministros do judiciário, desembargadores, juizes, políticos e policiais que vem usando cargos públicos para promover a corrupção e violência, liberando ou protegendo assassinos, traficantes, contrabandistas, agentes do crime que se convencionou chamar de organizado.

Justiça para que sejam condenados os chamados criminosos do colarinho branco, agentes públicos, muitas vezes eleitos pelo povo, que, em vez de fazer da coisa pública um bem para todos, a transforma em objeto corrompendo e se deixando corromper, para atender seus interesses pessoais, sempre mesquinhos.

Justiça para que sejam condenados os agressores covardes que se aproveitam da superioridade física para espancar mulheres e crianças.

Justiça para condenar aqueles que usam do poder que lhe foi dado para alimentar ou mesmo provocar guerras, que matam, separam pais e mães de filhos, maridos de mulheres, amantes de amantes. Guerras que destroem a vida. Guerras que destroem o sentimento de dignidade e de amor próprio, elementos fundamentais para que o ser humano sobreviva.

Justiça para condenar os que condenaram à morte crianças que nascem e permanecem desnutridas em consequência de políticas insensatas que promovem a fome, a doença e a desgraça.

Justiça para condenar os que impedem ou tentam impedir a livre manifestação do pensamento, seja ele qual for.

Justiça para condenar os que impedem o acesso de muitos à educação e à saúde de qualidade.

Justiça para condenar os que impedem a justiça para todos, porque somente depois de conseguirmos justiça é que conseguiremos e viveremos em paz. Para sempre.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O ABSURDO DOS DESMANDOS NA UFMT

Maurelio Menezes

Reproduzo abaixo uma Carta Aberta escrita por um professor da Universidade Federal de Mato Grosso que, como tantos outros ao longo dos anos, vem sendo desrespeitado por uma junta médica (ou seria de torturadores, como afirma o professor?).  A denuncia é gravissima. Essa carta Aberta foi distribuida a vários professores da UFMT e, após sua distribuição, gerou um sem número de depoimentos d eoutros professores que passaram por situação semelhante. Justiça seja feita esse desmando não é exclusividade da atual administração.  Mas denuncias como essa nunca foram tão constantes, o que é lamentável sob todos os aspectos.


Carta Aberta à Magnífica Reitora da Universidade Federal de Mato Secretaria Cultura Mato Grosso
Profª Drª Maria Lúcia Cavalli Neder

CABES: sala das torturas?
Eu tenho câncer. Este diagnóstico é avassalador na vida de qualquer um de nós. Tanto o portador da doença quanto a sua família e amigos próximos são atingidos. Do dia para a noite temos de aceitar essa verdade e as limitações que ela passa a nos impor. Todos os nossos planos são repensados; passamos por procedimentos médicos de nomes impronunciáveis e assustadores; tantos sobressaltos, dúvidas. Tanto medo de morrer...
Desde que recebi o diagnóstico já fui submetido a uma cirurgia que extirpou minha tireóide, acompanhada de um esvaziamento cervical. Suportei dores. Tive momentos de tristeza, mas nunca de desânimo. Na etapa inicial do tratamento, fui assisitido por dois jovens oncologistas formados pela Faculdade de Medicina desta UFMT, que agiram com absoluta competência. Na segunda fase serei assistindo por um médico aposentado (pela mesma Faculdade). Todos me transmitem muita confiança de cura.
O tratamento corria muito bem até receber o telefonema de um técnico do CABES. Em comunicado imperativo informava: A sua perícia médica foi marcada para quarta feira e esteja aqui às 8 horas. Contrargumentei: acabo de passar por uma cirurgia. Resposta: encontre alguém que te traga aqui professor. Pedi ajuda a um amigo e no dia aprazado lá estavámos. O atendimento começou às 9 hs. Afinal, as pessoas que ali vão para serem periciadas gozam de absoluta saúde e podem esperar.
Na sala de espera, o tom das conversas que ouvia foi me intrigando. Todos tinham reclamações de um senhor, e olhavam temerosos para uma porta. Ao mesmo tempo um senhor muito sizudo abria e fechava portas; fazia entrar as pessoas numa saleta, tudo sem nos dar ao menos "bom dia". Ao meu lado, um professor aposentado por problemas cardíacos dizia que seu emocial não estava bem, e temia o que podia lhe acontecer. Já tivera negado uma vez seu pedido de não mais recolher imposto de renda, direito assegurado em lei.
Fui chamado pelo senhor sizudo e conduzido à saleta, onde recebi a ordem: sente-se!. Ele saiu para logo depois voltar. Silêncio. Na sala, três homens, que depois vim saber eram médicos. Nenhum se apresentou. Você fica sem saber com quem vai conversar e quais os procedimentos serão ali adotados. Intimidação? Descaso com o outro?
Na saleta, há duas mesas e quatro cadeiras. Alguém, que supus fosse um médico, ocupava a mesa mais afastada e assumia um ar distante. Ao redor da outra mesa, três cadeiras: a do periciado, a do perito, que fazia as perguntas, e ao computador outra pessoa que me pareceu técnico escrevente; tudo muito próximo. Ameaçador. Não sei se por estar fragilizado pela doença, em mim o inquérito que se seguiu, comandado de modo agressivo, em tom autoritário e arrogante, pelo senhor sizudo, teve efeito mais avassalador do que a notícia de me saber portador de um câncer.
Tudo eram desconfianças. Eu havia preparado um relato historiando desde a supeita da doença até a cirurgia, com cópias dos Exames Anátomo Patológico, Biópsia de linfonodo cervical, que detectou o câncer, e o Resumo Clínico: Carcinoma papilifero de Tireóide que confirma a retirada da tireóide, do tumor e o esvaziamento cervical. Para além disso tenho, uma cicatriz recente de 10 cm no pescoço. O senhor inquisidor de tudo duvidava. Tentava me confundir com perguntas capciosas. Ele estava à espreita!
Dei respostas firmes. O senhor de ar até então distante fez o papel de moderador, e o senhor inquisidor diminuiu o tom agressivo. No entanto, o estrago emocial que ele podia me causar já estava feito. Pela primeira vez em minha vida fui exposto a uma situação que creio pode ser chamada de assédio (i)moral. Eu me sentia acuado e sob suspeição.
Ao final do interrogatório, ambos (o senhor distante e o meu algoz) do alto dos poderes que eles julgam que seus cargos de funcionários públicos lhes facultam, proferiram a sentença: vamos dar a ele 120 dias.
Que generosos! Não é mais a lei que nos ampara. Tampouco a necessidade e as limitações físicas que importam. O atestado emitido pelo médico que me assiste sequer foi lido, quanto mais considerado. Também se permitiram decidir sobre o tempo de meu tratamento sem ao menos ler um único exame. Parece-me que não há nessa atitude respeito pelo paciente e sequer ética médica.
Concluí que a violência de ser tratado como alguém passível de inventar estar com câncer, pode ser chamada no mínimo de imperícia médica. Como resultado de ser exposto a atendimento médico tão indígno e desrespeitoso, ao chegar em casa tive febre, dores de cabeça, vomitei e, pela primeira vez, desde que recebi a notícia e iniciei o tratamento contra o câncer fiquei prostrado e deprimido.
Venho de público fazer esta denúncia por que vou lutar contra estes dois tipos de câncer: o Carcinoma papilifero de tireóide e o tipo de tratamento que me foi dispensado naquela breve sessão de tortura chamada de perícia médica. E vou vencer. Eu juro.
Como carta aberta, espero que esta denúncia seja absorvida pelo Ministério Público Federal e pelo Conselho Regional de Medicina, secção Mato Grosso e pela representação estadual do Ministério da Previdência Social. De tais instituições anseio ser ouvido e obter respostas. Alguém há de responder e de ser responsabilizado pelos atos que ocorrem com frequência no CABES.
Apesar do que relatei, por conduta ética e respeito, não divulgo de público os nomes dos três profissionais médicos que assinaram o documento "Laudo Médico Pericial". Mas, coloco-me à disposição das intituições acima nomeadas para fazê-lo.
Magnífica Reitora, mui respeitosamente, venho de público pedir que, ao responder, também de público, a minha carta, informe, as providências que serão tomadas. Como sujestão, providenciar endereço eletrônico específico para que aqueles membros desta UFMT que por ventura queiram oferecer denúncia sobre a prestação do mesmo serviço. Assim, teriam resguardas suas identidades, caso dependam do CABES em algum pleito.
Vou cobrar de Vossa Magnificência e solicitar aos nossos diretores sindicais que acompanhem o que acontece naquele CABES. Conclamo a todos que denunciem.
Afinal, o lugar de vítima não é o meu e com certeza não pode ser o de ninguém. Você que, como eu, foi aviltado, unamo-nos contra essa gente sem preparo humano para tratar com pessoas já fragilizadas, e que só querem fazer valer seus direitos. Sermos tratados com respeito e dignidade é parte fundamental da nossa cura.

Atenciosamente,
Professor João Antonio Botelho Lucidio
Departemento de História/UFMT