terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A MORTE DE KIM JONG-IL E O MITO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

Maurelio Menezes




A morte do ditador norte coreano Kim Jong-Il e a reação a ela merece uma reflexão porque coloca em cheque o conceito de democracia. Pelo menos da democracia como praticada no Brasil.  Como sistema político criado pelos gregos ele era definido como um governo em que o poder era do povo, pelo povo e para o povo" ou seja, nele  o povo definiria o que quer e os governantes o atenderiam. No Brasil, um país que se diz  democrata por excelência, o povo quer saúde e não tem, quer segurança e não tem, quer educação publica e de qualidade e não tem, quer transporte decente e não tem, quer salários decentes e não tem, quer... qualidade de vida e não tem. Em compensação, não quer corrupção e tem de sobra.

As imagens do velório de Jong-Il mostram um sofrimento coletivo do povo norte coreano, um choro coletivo como foi definido pelos veículos ocidentais de comunicação. Para o jornalismo brasileiro, o choro demonstra bem o absoluto controle do Estado sobre a população. Será? Se não for um impossível teatro com milhões de atores, o povo chora pela morte dele porque sofre. E sofre por quê? Evidentemente que não é a troco de nada. Será que o que o povo quer aqui e não tem, eles não têm lá?
Jornais, sites e emissoras de TV daqui são unanimes em afirmar que são “imagens divulgadas pela TV estatal” como quem quer dizer que não são confiáveis. Mas comportamento de TV estatal não é o que mais temos aqui, com o poder publico sustentando a todas e a todos? Porque as de lá são suspeitas e as daqui não? Só as de lá manipulam?

Os jornais de hoje são catastróficos quanto ao futuro: a China teme uma desestabilização do comunismo, povo teme pelo futuro porque filho do ditador, que tem menos de 30 anos, pode colocar tudo a perder. Alias, como alguém pode colocar algo a perder se este algo já não existe, Pelo menos é isso que sempre afirmaram nossos veículos de comunicação, já que sempre pintaram a situação na Coréia do Norte como tétrica, absurda, irrespirável.

Há uma corrente de pensamento que defende a teoria segundo a qual de nada adianta você ter tudo se não tem liberdade. E por acaso no democrático Brasil temos liberdade? Criou-se a ilusão que vivemos numa democracia porque votamos nos governantes que aí estão. Alias liberdade de não votar temos. Mais ainda: os eleitos não cumprem nada dasquilo que levou o eleitor a votar neles e fica por isso mesmo. O atual governo (e os anteriores também) não dá ao povo seus desejos básicos: saúde, educação, transporte, segurança, enfim qualidade de vida, prometido nos palanques. E igualmernte fica por iosso mesmo. Onde está o exercício da democracia no sentido básico pensado pelos gregos?

Democracia aqui é um mito, é um eterno fingir, um faz de conta que só atende ao interesse de grupos social e politicamente hegemônicos, que manipulam e tratam o povo como bibelô, distribuindo a ele cestas básicas e outras empulhações.A decisão do Supremo Tribunal Federal praticamenete acabando com os poderes do Conselho Nacional de Justiça é a prova mais concreta disso. Juizes, desembargadores e ministros que vendem sentenças, que enriquecem bem mais que seus salários permitiriam vão continuar  livres, leves e soltos. 
Qual, enfim, a diferença dessa democracia da tão criticada ditadura sanguinária e manipuladora de Kim Jong-Il na Coréia do Norte?

domingo, 18 de dezembro de 2011

CONTO DE NATAL

Maurelio Menezes



Criação: André Comte-Sponville
- Mamãe! O que é felicidade?

Quando o menino fez a pergunta não fazia idéia que na resposta
estava o segredo da vida... Descalço, sentado no chão de terra batida, brincava, tranqüilo... 


- Vrrruuuummmm, vrum, vruuuuuuuummmmmm!!!!!

A mãe olhou para o filho. O rosto era de quem estava dirigindo um super conversível numa uma pista sem fim. Na mão, um pedregulho que, depois de anos e anos acariciado pela correnteza do rio, tinha um formato que até parecia um carrinho. Parecia...

- Felicidade, filho? Felicidade é... como vou te explicar.... 

- Deve ser muito complicado mesmo, mamãe, porque nunca vi nenhuma gente grande dizendo o que que é. Todo mundo fala o que que é um carro, o que que é uma casa, o que que é uma roupa, o que que é um sapato... vruuummm, vrum, vruuuumm... -e estacionou o carrinho.

- Sabe que é, filho.. A gente grande vive muito preocupada com essas coisas porque elas acabam sendo necessárias na vida. A gente precisa do sapato... precisa da casa...

- ..e não precisa da felicidade, mamãe?

- Precisa, filho... Precisa muito. É que desde muito tempo, quando chega numa fase da vida, nossos sonhos acabam sendo sufocados por essas necessidades... Nossas ilusões ficam esquecidas em alguma esquina da cidade... A gente deixa de olhar para as coisas mais simples da vida.. Só as crianças olham para elas...

- Por quê, mamãe? Gente grande não foi, um dia, gente pequena?

- Foi filho... Mas quando a gente cresce perde , como vou te explicar.... a inocência... 

- Eu sempre achei que ser inocente era uma boa coisa...

- É meu filho... Talvez seja a coisa mais importante da vida... Mas até o significado de inocente os adultos mudaram. Hoje, quando se fala em inocente logo se pensa no oposto, culpado. O sentido de pureza está meio que deixado de lado...

- Você não me disse ainda o que é felicidade. Eu posso dar mais umas voltinhas com meu carrinho antes de ir tomar banho?



Anônimo
- Pode, filho... Felicidade é poder brincar com um carrinho... Com esse carrinho.
felicidade, filho, é olhar pela janela e ver a vida em cada coisa... um passarinho na árvore... alguns peixinhos... duas tartaruguinhas... quatro sapinhos na grama... uma flor... uma criança que passa... um adulto que vai... Felicidade, filho, é a própria vida... é o respeito á vida. Sós as crianças percebem isso...


- Mas a gente não sabe o que é felicidade...

- Não sabe, mas sente, filho... Os adultos sabem, mas não sentem..

- Mas sempre foi assim, mamãe?

- Não filho... Houve uma época em que o homem era feliz. A vida dele se resumia a fazer aquilo que era necessário ser feito para que ele sobrevivesse..

- E porque tudo mudou?

- Ninguém sabe, filho, ninguém sabe...

- Olha, mamãe, uma estrela candente...


- Cadente, filho.. Vamos fazer um desejo.. Uma estrela igual a essa, há muitos anos, se transformou num símbolo de mudança... O homem aprendeu que o amor e o respeito ao próximo eram o caminho da felicidade...

- Parece que não adiantou muito, não é, mamãe? Ele se esqueceu de tudo de novo...

- É verdade, filho... Pior ainda... Se esqueceu e teima em não lembrar...

- Será que tem alguém seguindo a estrela cadente?

Papel de parede
- Tomara que sim... Pode ser alguém que, em vez de presentes, traga outros ensinamentos tão simples... Por exemplo, que todos somos diferentes... E que somente o respeito às diferenças é que vai evitar guerras, que vai aproximar os homens, vai mostrar o quanto é importante a convivência... O quanto é importante se eliminar não as diferenças de pensamento e de idéias, mas as diferenças econômicas e sociais...

- Quem sabe, mamãe, esses Reis ensinem a gente grande a olhar pela janela...

- Seria muito bom, filho, porque dois mil anos depois nós desaprendemos..... não estamos mais olhando pela janela...

- E vai adiantar, mamãe? Se a gente grande já desaprendeu uma vez vai desaprender de novo...

- Pode ser que não filho... Pode ser que daqui a dois mil anos tudo volte a ser como antes, quando o homem só matava os animais que precisava matar para sobreviver... Nunca pescava mais do que precisava... Só arava a terra que precisava arar... Só tirava da terra o que realmente necessitava... O homem lutava, mas não guerreava... Se o homem aprender mesmo a olhar pela janela, filho, vai ver que a vida só tem sentido a partir dessas coisas simples...
- Felicidade é uma coisa simples, mamãe?

- Não, filho, felicidade não é uma coisa simples... As coisas simples é que são a felicidade... Você já fez o seu pedido para a estrela?

Foto: Antonio da Silva Couto
- Já, mamãe... Eu quero que você, o papai, a vovó, o vovô, o titio, a titia, minha maninha e todo mundo nunca deixem de olhar pela janela e ver essas coisas simples. Eu quero que o mundo seja feliz, mamãe...

- Vai ser filho... Vai ser -disse a mãe olhando para a estrela cadente e para o filho que brincava com seu conversível último tipo numa pista sem fim.

sábado, 5 de novembro de 2011

SEO DOTÔ UMA ESMOLA PRA UM HOMEM QUE É SÃO...

Maurelio Menezes

Quando Luiz Gonzaga e Zé Dantas compuseram "Vozes da Seca" na década de 40 do século passado com certeza não imaginavam que a letra seria tão usada para se referir não só à ajuda dada pelos sulistas aos nordestinos na época da seca (que mais parecia uma esmola, porque os sulistas jamais se preocuparam em resolver o problema definitivamente), mas também a tantas outras situações muito parecidas.
Uma delas, agora na segunda década do seculo XXI:  a decisão de se reservar metade das vagas da UFMT para negros e brancos oriundos de escolas públicas. O problema central está, só não enxerga quem é cego ou finge não enxergar, na pessima qualidade do ensino publico que, feitas as devidas e honrosas exceções, não forma ninguem. Num passado relativamente recente quem estudava em escola pública entrava direto nas universidades de excelencia. Eu, como tantos de minha geração,  estudei num Grupo Escolar e numa Colégio Municipal e num Instituto Estadual de uma pequena cidade do interior paulista, Dracena. E sem cursinho entrei num curso que à epoca era muito concorrido na USP, o de Letras. Era uma aluno muito acima da média? Jamais o fui. Apenas tive minha formação em escolas públicas de qualidade. A partir dos anos 70, ainda no regime militar , com o movimento de entregar a educação para a iniciativa privada, o ensino publico começou a ser jogado às traças. E nenhum governo evitou essa deterioração. O de Lula com o FIES acabou de selar o "investimento" no ensino privado em detrimento do público. Há decadas o poder público não investe nem no aluno nem no professor. Tem razão a professora Amanda Gurgel ao afirmar que a educação há muitos anos não é prioridade nem dos governos municipal, nem dos estaduais e muito menos dos federais.
Hoje não se faz nada para se restabelecer um ensino de qualidade como ja tivemos no passado , mas se alimenta debates como o de cotas que nada mais são que as esmolas  poetadas por Gonzagão e Zé Dantas e cantadas por Gonzagão e tantos outros. Com esse debate pobre de conteudo, que só objetiva se desviar o foco, o governo e seus asseclas (aqueles que repetem tais quais papagaios o discurso do poder central) posam de progressistas,  incluidores, concretizadores do reparo de injustiças cometidas ao longo do tempo contra as "classes menos favorecidas".
Somente teremos um país menos injusto quando as injustiças forem corrigidas na raiz e de uma vez por todas. Nada contra politicas afirmativas, mas elas somente têm razão de ser se vierem acompanhadas de medidas que solucionem o problema na base e não sejam assumidas como um discurso demagógico.
Os governos do estado, responsável pelo ensino médio (que é um dos piores do país) e municipais (que não estão muito á frente) agradecem. Afinal a decisão, não da UFMT, mas de um grupo que reza a cartilha da administração superior (feitas as devidas e honrosas exceções) os desobriga de investir para se ter um ensino publico de qualidade. Pelo menos nos dez proximos anos que é o prazo estipulado para essa enganação.
Lamentável! E o que que mais me espanta é que cabeças aparentemente lúcidas comemoram essa aberração como se fosse a solução, a panacéia para todos os males. Não são. São apenas esmolas dadas a homens que são sãos e que, ou ficarão viciados com ela ou morrerão de vergonha. Lamentável mesmo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

EFEITO COLATERAL

Maurelio Menezes

Pela segunda vez, uma decisão autocrática da Administração Superior da Universidade Federal de Mato Grosso –UFMT- provocará um resultado altamente prejudicial aos estudantes de Mato Grosso e derrubará por terra o princípio e os estudos que há décadas norteiam a criação de universidades públicas.

Este princípio, criado a partir de estudos de especialistas de diversas áreas, define que uma universidade, para ser criada, precisa contemplar as necessidades, principalmente sociais e econômicas, da região onde esta universidade está sendo criada. Isso pressupõe que os profissionais formados por esta universidade vão trabalhar nesta região para desenvolvê-la, diminuir suas carências e principalmente suas injustiças sociais.

Ao determinar que o SISU seria a única forma de ingresso na UFMT (sim, porque o que houve foi uma determinação da Reitora para atender o desejo político partidário do governo federal), a Administração Superior abriu espaço para alunos de outras regiões estudarem aqui. Pode-se afirmar que essa é idéia da universalização democrática do acesso á universidade que, teoricamente, está no centro do SISU. Discurso puro. E pior, altamente prejudicial aos cofres públicos.

Uma simples avaliação de como estão os cursos hoje e se encontrará um quadro muito diferente do que havia antes. Nos chamados cursos de ponta, entre eles Medicina e Direito, alunos entrando seis meses depois de as aulas terem iniciado. No curso de Direito por exemplo, há casos de alunos que se matricularam no ano passado e nunca assistiram aula. Nos demais cursos, pelas informações que tenho, uma evasão muito maior que nos anos anteriores. É o caso da Pedagogia onde, de acordo com uma colega que também participou aqui em Natal do 34º Congresso da Associação Nacional de Pesquisadores em Educação, cerca de metade dos matriculados não irão concluir o curso.

Na segunda decisão sem consulta à comunidade acadêmica, a da cota para alunos oriundos de escolas públicas, mais uma vez os estudantes de Mato Grosso serão prejudicados. E o pior que, como não houve debate sobre o tema nem para se descobrir formas de resolver o problema na raiz, esses alunos foram manipulados com os velhos chavões como “pai de aluno de escola pública não pode pagar cursinho”, “qualidade do ensino público é muito ruim”, “escola publica não tem laboratório” e outras falácias do gênero. Qual o resultado disso tudo? Como o ensino médio tem uma qualidade bemmelhor que a de Mato Grosso nos grandes centros, e ai me refiro principalmente a São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, alunos das escola publicas destas cidades, prestarão o SISU lá e virão para cá, alguns para fazerem matricula e nunca mais voltar e outros até para cursar, mas ao se formar arrumam as malas e voltarão para suas regiões.

Estes são apenas alguns dos efeitos colaterais destas decisões absolutamente antidemocráticas e pouco inteligentes, de acordo com o pensamento do Professor Doutor Eymard Mourão Vasconcellos, do GT Educação Popular do 34º Congresso da Associação Nacional dos Pesquisadores em Educação do qual participei aqui em Natal. Num minicurso ministrado por ele e outros três pesquisadores, Eymard comentou que tem uma divida de gratidão impagável àqueles que pensam de forma diferente dele, porque essas pessoas, sejam elas quem forem, o fazem pensar, avaliar posições e correr um risco muito menor de errar.

Pois é... Muita gente da UFMT deveria ter feito esse mini curso. Com certeza os efeitos colaterais não seriam tão desastrosos quanto estes.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DEMAGOGIA BARATA OU NECESSIDADE SOCIAL?

Maurelio Menezes

O CONSEPE -Conselho Superior de Ensino e Pesquisa- da UFMT, a toque de caixa, vai votar a adoção de cotas para alunos oriundos do ensino público. Estão previstas duas votações para que a medida entre em vigor já a partir do próximo ano letivo. Estranho, muito estranho, pois em momento algum a administração superior da universidade debateu, nem mesmo entre os integrantes da administração, essa possibilidade.

A tomada de decisões sem se ouvir a comunidade acadêmica tem se tornado uma perigosa regra na universidade, apontando para um viés autoritário, incompatível com os tempos pós modernos e com o próprio discurso da administração, hoje.

Quando adotou o ENEM como única forma de ingresso na UFMT a reitora, professora Maria Lucia Cavalli Neder, ingenuamente ou não, confessou que o fez por determinação do Ministério da Educação que se comprometera a liberar mais verbas para universidade. À época houve protestos e o resultado foi uma calamidade. Cursos que nunca tiveram vagas ociosas estão até hoje, dois anos depois com “alunos de menos” ou com vagas preenchidas por matrículas, mas com os alunos jamais tendo assistido aulas. Isso sem contar os cursos que na metade do ano ainda estavam fazendo chamadas. Medicina, por exemplo, teve 13 chamadas.

A novidade da cota para alunos de escola pública está cheirando a mais uma determinação. Com ela adotada poder-se-á afirmar que esse é um país que inclui, que combate as injustiças. O triste é que não se analisa porque alunos de escolas públicas têm menos condições de ingressar em cursos de ponta como Medicina e Direito. Isso é fato. Aliás, nestes dois cursos alunos de escolas particulares também têm dificuldades. E muito. É só fazer uma análise de quantos alunos destas escolas prestam vestibular para estes cursos e quantos entram.

Mas este é apenas um dos argumentos para não se concordar com o que pretende a administração superior agora. Um dos diretores da UBES, que defende a medida afirma que nas escola publicas não existem laboratórios, computadores, acesso a cultura, livros, cinema e teatro . E o que a UBES tem feito para mudar essa situação? Há manifestações contra o fim da meia passagem, mas nunca vi ninguém invadir o gabinete do governador ou fazer greve exigindo essas melhorias para o ensino médio, responsabilidade do Estado. Assim esta posição está parecendo muito mais um golpe de oportunismo do que uma preocupação social, da mesma forma que a posição da administração superior da UFMT parece muito mais um lance demagógico para atender a ordem de Brasília. Pode até não ser. Mas se não é, porque não debater com a comunidade acadêmica? Porque não amadurecer democraticamente esta idéia por meio do debate, da analise desprovida de interesses provavelmente inconfessáveis?

Quando Hillary Clinton esteve no Brasil, ao conversar com estudantes na UNB comentou que quando a política de cotas foi implantada nos Estados Unidos, foram adotadas diversas medidas para que o motivo que justificava a adoção não fizesse dela um política permanente. Mas e aqui? O que está se fazendo agora neste sentido?

A questão da política de cotas é polemica. Todos concordam com isso. Mas como está sendo adotada aqui, com a “tropa de choque” da administração superior convocada para comoarecer em oeso na sessçao do CONSEPE dia 3, não vai resolver nada.
O ingresso universal na universidade publica só será resolvido quando a educação fundamental for tratada com seriedade. E isso é responsabilidade de todos nós. O governo do estado teve dinheiro para comprar maquinários e desviar, de acordo com o Ministério Público, 44 milhões de reais. Será que não tem algum para montar os tais laboratórios que estariam faltando (embora em muitas escolas eles existam e sejam melhores até que os das particulares).
Se a UFMT quer mesmo corrigir uma injustiça, porque não assume uma luta de melhorar o ensino fundamental por meio de projetos e, quem sabe, até mesmo a oferta de cursos de extensão mos moldes co Cuiabavest, criado pelo ex prefeito Wilson Santos e do MTvest criado nos mesmos moldes.?
Qualquer outra medida que não seja essa é empulhação pura, algo como um FIES para a UFMT, No FIES, as particulares arrumam vagas para alunos de escolas publicas e o governo libera verbas para elas. Agora provavelmente troca as vagas da UFMT por mais verba, verba alias, que poderia ser aplicada na melhoria do ensino fundamental. Mas isso seria uma politica séria de educação e politica séria para educação nao faz parte da cartilha do atual governo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

MORRE UM POUCO DO JORNALISMO APAIXONADO

Maurelio Menezes

Quem é meu aluno no curso de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso certamente já ouviu esta história. Ela faz parte do meu Planejamento de Curso porque, para mim, representa um jornalismo que, infelizmente, a cada dia está mais esquecido.
Mauro Costa, então repórter de policia do Correio da Manhã do Rio de Janeiro desceu logo de manhã para comprar pão na padaria que ficava ao lado do predio onde morava, em Niterói. Na padaria ficou sabendo de um crime envolvendo o filho do prefeito de São Pedro Da Aldeia, cidadezinha que fica na Região dos Lagos. Ali mesmo começou a dar telefonemas para suas fontes depois de pedir ao jornal que lhe enviasse um fotógrafo e um carro. Quando os dois chegaram sairam direto para o local do crime, Mauro, inclusive usando camiseta regata e com várias anotações feitas no papel de embrulhar pão. No dia em que nos contou essa passagem da vida do Mauro, Dona Neusa, sua esposa, nos disse "O pão e o leite estou esperando até hoje, mas a notícia estava na primeira página do Correio no dia seguinte".
Mauro faz parte de minha história como jornalista. Minha e de tantos outros profissionais da melhor qualidade. Com ele nos dirigindo participamos das principais coberturas jornalisticas do periodo áureo da Rede Manchete. Sob a direção dele assumi algumas vezes a Editoria Nacional do Jornal da Manchete (quando o Paulinho da Luz ia para o exterior coordenar coberturas internacionais como Olimpiadas e Copa do Mundo). Todas as grades coberturas da Rede Manchete transpiravam a paixão do Mauro. Aliás, ele era tão apaixonado que algumas pessoas brincavam que o "M" gigante que existia em cima do predio da sede da emissora era de Mauro de não de Manchete.
Foi ele quem me levou para a o SBT (juntamente com a Márcia Marsillac e com o Paulinho da Luz) onde fui fazer parte da equipe que criou o "Aqui e Agora", cujo projeto concebido e parido pelo Amaury Soares nada tinha a ver com o programa que foi para o ar e que somente se tornaria realidade quando alguns anos depois, já na Globo, Amaury colocou no ar o SP Já embrião do tipo de jornalismo que a Globo passou a fazer no seu Praça Primeira Edição.
Mauro foi Chefe de Reportagem na Rede Globo nos tempos de Armando Nogueira, Alice Maria, Luiz Edgar de Andrade (o melhor texto da história do telejornalismo e que ele levaria para a Manchete anos depois), Edson Ribeiro e outros profissionais sem os quais o jornalismo da Globo jamais alcançaria o nível de hoje.
Quando saiu da Globo, Mauro voltou para o jornalismo impresso. E mudou o jornal O Fluminense, que havia sido o principal jornal do antigo estado do Rio e que perdera muito espaço com a fusão do estado com a Guanabara. Mauro fez dele o terceiro jornal do novo estado. Foi ele quem abriu as portas do jornal para Cidinha Campos,apresentadora do principal programa do radio carioca de então, de cuja coluna fui redator por oito anos (depois eu passaria a assinar a coluna e a fazer reportagens especiais para o jornal).
O Mauro Costa que morreu hoje tinha faro pela notícia. Isso até parece lugar comum. Mas não há nada que o defina melhor, acredito. Não deixou um herdeiro no jornaismo (o Maurinho, seu filho, é musico) mas sem dúvida deixou muitas lições de como fazer jornalismo de forma apaixonada, honrada, ética, profissional. Muitos a aproveitaram a aproveitam ainda hoje.
Como registrou no Facebook há pouco uma de suas mais completas criações, a editora do Jornal Nacional Angela Garambone,depois de escrever sobre a importancia dele em sua vida profissional, "Vamos rezar pra que ele fique bem e em paz!"
Que assim seja. Sempre.

sábado, 17 de setembro de 2011

SAUDE MAL DAS PERNAS... SÓ A SAÚDE?

Maurelio Menezes

Dia desses Gabriel Nóvis escreveu um lúcido texto sobre a situação da saúde e a baixa remuneração dos médicos. É mesma absurda a situação dos médicos que estão em campanha para que a UNIMED lhes pague por consulta pelo menos o que é pago hoje pela hora técnica de um desses profissionais do momento, ligados a tecnologia.
Concordo. Afinal, um médico estuda cerca de 15 anos só para poder começar a clinicar. E tem que estudar a vida inteira se quiser se manter atualizado e não cometer erros, que são considerados crimes. Mas além dessa, tenho outra proposta: que alguns médicos que não respeitam o paciente devam ser sumariamente banidos até para não conspurcar a imagem dos colegas.
Escrevo isso porque as duas últimas vezes que estive num consultório saí muito preocupado. Numa delas mais que preocupado, saí assustado. Na primeira a médica me recebeu pegou o resultado de um exame, disse: “Não gostei. Vou aumentar a dosagem do remédio, você vai fazer outro exame e que quero te ver daqui a 50 dias.” Em seguida já foi se levantando, esticando a mão e praticamente me dizendo: “Saia logo que vem outro paciente ai”. Tempo da consulta: 2 minutos. Quando cheguei em casa comentei com Dona Cida, uma amiga que já foi empregada e que hoje nos ajuda sempre. Ela, bem humorada, disse “Xiii. Acho que o senhor deve procurar o SUS. Lá pelo menos não se paga e a consulta dura cinco minutos”. E caiu na risada.
Se os médicos gastarem em media cinco vezes mais o tempo da minha medica em cada consulta e a categoria conseguir o que reivindica, serão seis consultas por hora, ou 460 reais por hora.
O resto da conta cada um pode fazer como quiser...
O outro encontro com médicos me assustou. Não de imediato, mas depois. Há alguns dias amanheci com uma dor sem tamanho no calcanhar. Foi até a Clínica Genus e ai começou um mini calvário. Pedi um pronto atendimento. Meia hora depois dos procedimentos burocráticos e nada. Fui até o recepcionista interno, falei de minha dor, pedi informação sobre o Pronto Atendimento e ele me disse que o médico tinha acabado de “entrar num procedimento cirúrgico”. Fiquei estático. Eu ali com uma dor sem tamanho, o médico ia pra cirurgia e eles não transferiam os pacientes de emergência para outro. Mais reclamação e ai uma coordenadora garantiu que iria me colocar no ambulatório. Garantiu e cumpriu. Mudaram minha ficha de atendimento, mas eis que de repente aquele que tinha acabado “de entrar num procedimento cirúrgico” aparece. Pensei comigo: “Vai ver que aqui os procedimentos cirúrgicos duram o mesmo tempo da consulta que tive com minha médica”. Radiografia na mão ele disse que eu estava com uma inflamação “no encontro dos tendões”. Prescreveu um antiinflamatório, uma analségico mais forte e outro mais fraco, pediu uma ressonância magnética e disse que assim que o exame fosse feito, queria me ver novamente.
Na própria clinica marcaram a ressonância. Em casa percebi que haviam marcado para uma clinica que fica a cinco quilômetros dali. Liguei desmarcando e marquei para o Hospital São Matheus. Na sexta feira fui fazer o exame e depois de toda a burocracia, a atendente me disse: “Vamos lá, ressonância no pé esquerdo..” Eu assustei e disse: “Não... É no pé direito...” Ela disse que nós tínhamos um problema porque o médico pedira a ressonância no pé esquerdo. A primeira imagem que me veio foi eu entrando num centro cirúrgico para amputar o pé direito, mas com recomendação do médico para amputar o esquerdo, que estava bom. Ou para retirar um rim, mas com a recomendação do médico para retirar o fígado. Ou precisando retirar o apêndice, mas com a recomendação do médico para...
As outras combinações cada um pode fazer como quiser.
Ai uma pergunta: quanto será que merecer ganhar por consulta médicos como esses?
Cada um da a resposta que quiser...