sexta-feira, 8 de junho de 2012

O EXEMPLO DAS CRIANÇAS E O COMPORTAMENTO REACIONÁRIO DE QUEM DEVERIA DAR O EXEMPLO

Maurelio Menezes

A direção da Associação de Professores da Universidade Federal de Goias, campus Goiania, está manipulando assembléias para tentar evitar que os professores aprovem a adesão à greve nacional dos professores de univerisdade federais...  Dia desses em outra atitude anti democratica, a presidente da ADUFG  simplesmente abandonou uma assembléia em que a maioria defendia a greve, aprovada para começar na segunda feira, dia 11. No Blog do Sérgio você pode saber como tudo aconteceu.
Hoje, sexta feira 08 de junho,  a presidente da Associação, professora Rosana Borges, mostrou mais uma vez seu lado anti democrático com um comportamento que lembra muito o de sindicalistas pelegos tão comuns nos anos 70/80. Pra quem não sabe é significa pelego, é um termo criado para identificar os baba ovos de patrões exploradores. Foi muito usado quando os metalurgicos do ABC mostraram sua força no final dos anos 70.  Na época o sindicalista Luis Inacio Lula da Silva, com certeza, não imaginava que um dia seria o mentor da criação de uma Central de Trabalhadores de Instituições Federais de Ensino Superior que teria como tarefa ações como a dos pelegos que ele combatia. E se alguém dissesse isso para ele, com sua voz rouca iria excomungar o sujeito.
Hoje um grupo de educadoras da creche instalada na universidade para atender filhos de servidores e de alunos fez um passeio pelo campus com as crianças de, em media 4 anos de idade. Num determinado momento, as crianças começaram a gritar: Greve geral da UFG... Queremos greve!! Queremos greve!!!   Todos riram muito, terminaram o passeio e quando chegaram na creche receberam a noticia que a presidente da Associação, Professora Rosana, havia enviado um ofício no qual afirmava ter testemunhado um fato gravissimo e acusava as professoras de terem insuflado as crianças a gritarem as palavras de ordem. As professoras negam que tenham feito isso e afirmam que foi uma manifestação espontanea das crianças. O oficio foi destinado à coordenadora da creche, com cópia para o ao Pró Reitor de Assuntos Comunitários. A integra do oficio,que tem um conteudo absolutamente arbitrário, beirando as raias do nazismo, é a seguinte:

Prezada professora,
Por meio deste instrumento, venho denunciar um fato ocorrido na manhã de hoje, presenciado por mim e outras pessoas que julgo ser gravíssimo.
Sem delongas, o que ocorreu foi o seguinte: por volta das 10h e 15, eu estava no pátio em frente ao IESA/UFG, quando um grupo de educadores da creche chegou ao local acompanhando um passeio das crianças. Ao perceberem a minha presença, uma pessoa da equipe da creche, do sexo feminino, começou a pedir para que as crianças gritassem "greve, greve, greve". Imediatamente, as crianças aderiram ao chamamento da pessoa a qual veem como educadora.
O grupo permaneceu por alguns instantes ali, e depois acomodou-se num banco, embaixo de  uma árvore, ao lado do prédio da IESA. Neste local, as crianças continuaram sendo instigadas a gritar "queremos greve", fato que foi testemunhado por diversos professores da IESA e outras pessoas que por ali passaram.
A par de lamentar profundamente o fato, que desrespeita completamente a Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências, comunico oficialmente o acontecimento à direção da Creche UFG, coloco-me à disposição para providências.
Cordialmente,
Professora Rosana Borges
Diretora Presidente da UDUFG Sindicato
Com cópia para Economista Julio Prates - Pró-reitor de Assuntos da Comunidade Universitária
(Ela assina)
A professora Rosana cita o Estatuto da Criança  e do Adolescente que teria sido desrespeitado. Provavelmente não saiba que ele garante à criança liberdade, inclusive para brincar. O texto completo da lei pode ser lido aqui. Cada artigo, cada parágrafo dele tira a razão da professora. O Capitulo II é definitivo e a professora deveria entender o que ele diz, o que ele considera direito à liberdade.
De qualquer forma é lamentável o posicionamento de uma líder sindical que sequer ouve seus liderados e, pior ainda, de uma líder sindical que toma essa atitute porque, embora como cidadã e contribuinte tenha todo o direito de assumir o posicionamento que bem entender, como líder sindical deve ter  discernimento suficiente nos momentos mais delicados o que, parece-me, está lhe faltando agora.
E isso ficou claro no episódio narrado acima, quando ela abandonou uma assembléia.   Hoje são 54 universidades federais em greve. Os professores querem, fundamentalmente, a reestruturação da carreira e isso implica basicamente em alguns pontos:
  •  Que o governo federal passe a ver a Educação como investimento e não como despesa;
  •  Que definamos qual a universidade que a sociedade brasileira precisa: a que privilegia a quantidade, como quer o governo federal, ou que privilegia a qualidade, como querem os professores;
  • Que seja definido um plano que torne a carreira  mais atraente (hoje por exemplo, um técnico com ensino fundamental, ganha mais no próprio governo que um professor de universidade federal);
  • Que os aposentados tenham direito às mesmas conquistas dos professores da ativa porque eles constribuiram a vida inteira na formação de profissionais de todas as áreas do país e é injusto que sejam tratados de forma diferente agora;

Se tivessemos um governo que realmente se preocupa com a consolidação do Brasil como uma nação que não seja subalterna, essas reivindicações nem seriam necessárias, pois não há como se deixar a subalternidade sem investimento maciço na educação.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

GREVE NA UFMT SE TRANSFORMA EM MOMENTO HISTORICO

Maurelio Menezes

Foto: Keka Werneck
Os motivos para se comemorar são muitos. Primeiro a decisão pela greve tomada na segunda feira em Assembléia de se dar um basta  no descaso e na insensibilidade do governo federal que insiste em tratar educação como despesa e não como investimento. Na assembléia ficou claro que os professores querem discutir a universidade que o país precisa e a recuperação da estima e de uma qualidadade que vem sendo colocada em segundo plano em nome da quantidade, aquela necessária para se construir uma nação cidadã e justa, esta para se fazer propaganda e demagogia. Na assembléia, integrantes da administração superior, ao contrario do que tradicionalmente acontecia, votaram a favor do movimento.
Dois dias depois a reitora Maria Lucia Cavalli Neder externou publicamente seu apoio ao movimento dos professores, numa entrevista ao MTTV 2ª Edição da TV Centro America, o telejornal de maior Ibope em Mato Grosso, com, em media, 75% da audiencia entre os aparelhos ligados. Na mesma reportagem, um representante do Diretorio Central dos Estudantes informou a posição oficial dos alunos, de apoio ao movimento dos professores. A reportagem você pode conferir aqui.
No final da manhã de hoje, uma assembléia dos professores do Programa de Pós Graduação em Educação da UFMT, o mais antigo da Universidade, com parcerias com universidades de excelencia no Brasil e no Exterior, decidiu, por ampla maioria, acatar a decisão da Assembleia. Professores e alunos do programa foram informados oficialmente por e mail da  deliberação dos professores, com o seguinte texto:

Caros docentes e discentes
Informamos que na assembléia de docentes do PPGE realizada no dia 18/05/12, foi decidido que, em decorrência da greve, as aulas do mestrado e doutorado em educação ficam suspensas enquanto durar a greve. Serão mantidas as atividades agendadas tais como, bancas de qualificação e de defesa, bem como eventos.  Informamos que com a finalização da greve será definido um novo calendário que não implicará em prejuízos acadêmicos.

Atenciosamente
Tânia Maria Lima Beraldo
Coordenadora do PPGE/UFMT


É um momento histórico na UFMT.  É a primeira vez que um Programa de Pós Graduação toma essa posição (pelo menos nos 17 anos em que la sou professor).  Com a posição assumida publicamente primeiro pela Reitora e agora pelo PPGE, está sendo dado, sem duvida, o primeiro passo para a (re)construção da UFMT como uma Universidade realmente cidadã. Independemente do resultado da greve, com atendimento ou não das reinvindicações,  esta é uma tomada de posição que deixa clara a intenção de não se aceitar manipulações.
Da mesma forma que muitos de nós nos orgulhamos de lutas como as que travamos no passado contra o regime militar, pela anistia, pelas diretas, pela redemocratização do país, ou como as travadas hoje por justiça, por qualidade ambiental de vida, contra tantos desmandos, enfim, lutas que assumimos e continuaremos  a assunir pela construção de uma sociedade pelo menos menos injusta, a conquista deste momento deve ser motivo de orgulho para todos. Que o exemplo maduro e consciente do PPGE, o mais antigo programa de Pós Graduação da UFMT  seja seguido pelos demais programas, o que so fortalece a Universidade como um todo.
E ao fortalecer a Universidade estará sendo fortalecida também a sociedade a quem ela deve prestação de serviços, produção de conhecimentos e geração de cidadania. O exemplo que está sendo dado neste momento é unico na história recente de Mato Grosso, e por isso mesmo precisa mais que nunca do apoio desta sociedade, que, em ultima instancia será a grande beneficiada nesta luta. Que deve ser de todos nós.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PROFESSORES DA UFMT SE UNEM :E GRITAM BASTA!!!! GREVE COMEÇA DIA 17

 Maurelio Menezes

Na assembléia havia cerca de 200 professores. Muito pouco para um universo de algo em torno de tres mil profissionais, é verdade. Mas foi a assembléia que maior numero de professores reuniu nos ultimos 10 anos, quando o governo federal começou investir na pratica reacionária de dividir o movimento sindical. Mais significativo ainda foi o resultado: 3 votos contra, 4 abstenções. E todos os demais votos pela deflagração da greve Nem mesmo os integrantes da Administfração Superior que, feitas as devidas e honrosas exceções, só comparecem às assembléias como tropa de choque  para votar contra o que os professores desejam, não se manifestaram. Vergonha? Impotencia? Não sei.... A consciencia de cada um que responda o motivo.

A partir do dia 17, quinta feira, e por tempo indeterminado, em Cuiaba, Sinop e Barra do Garças os professores não entrarão em sala de aula (os campi de Rondonopolis e Alto Araguaia ainda não se manifestaram). A greve só vai existir porque professores decidiram dar um basta nas manipulações de ações condenaveis em todos os aspectos. Desde o ano passado vinha se enrolando as assoçiações de classe, primeiro com o agora candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e depois com Aloizio Mercadante, apostando na divisão do movimento, divisão que ele sempre incentivou comprando consciencias, inclusive.
Diante da inevitabilidade da greve (33 das 42 universidades ligadas á ANDES, aprovaram o indivativo, 3 se abstiveram e 6 não compareceram à reunião na sexta feira em Brasilia) Mercadante tentou mais um golpe: tirou da gaveta uma Medida Provisória, dona Dilma assinou e publicaram no DO, atendendo a 2 ou 3 pontos da pauta de negociações. Foi uma ultima e desesperada tentativa de dividir o movimento mais uma vez. Não conseguiram. Mas a idéia de Mercadante não era apenas isso. A  Medida Provisõria vai ser, também,  a primeira arma que eles vão usar para tentar desmoralizar a greve e colocar a sociedade contra os professores.
Virão com a velha lenga-lenga: "Eles são intransigentes, atendemos às reinvindicações, mas mesmo assim mantiveram essa posição que é contra o interesse do povo" O mesmo discurso reacionario de sempre. Para que se tenha uma ideia do ridiculo da situação desse governo, a proposta de reajuste salarial dele para um douto rcom algo em torno de 20 anos de experiencia foi de cerca de 80 reais, quantia insuficiente para se comprar um bom livro, cujo preço medio esta acima disso. Além do que, só nos dois ultimos anos o salario desse doutor foi corroido em cerca de 800 reais.
Nos pronunciamentos dos professores que defenderam a greve, houve alguns mais extremados (até de "escroto" o governo federal foi chamado), mas todos estavam alicerçados pela razão. E todos apresentaram por meio de caminhos diferentes a mesma saida: a do Basta! à incompertencia, à insensibilidade, ao descaso, ao abandono e à fuga das responsabilidade dos gestores.
Esse governo precisa aprender que Educação é investimento e não despesa. E vai aprender por bem ou por mal.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

UMA RELIQUIA - ALL OF THE BEATLES AND FOREVER

Maurelio Menezes



Aproveitando a onda da vinda de Paul McCartney ao Brasil (mais uma)  uma reliquia pra você: todas as musicas da maior banda de rock de todos os tempos. Pelo menos para mim. É só você clicar no título e ouvir cada uma das músicas gravadas pelos garotos de Liverpool,  Paul, John,George e Ringo. São 208 músicas  que fizeram sucesso no momento em que foram gravadas, outras que nem fizeram tanto sucesso e outras, a maioria, eternas, que receberam dezenas, centenas de gravações, como Yesterday, a musica mais gravada na história.  Essa relíquia está no link Beatles songs on Youtube .



Divirta-se. As músicas que constam nessa discoteca virtual são:

A Day in the Life
A Hard Day’s Night
A Taste of Honey
Across The Universe
Act Naturally
All I’ve got to Do
All My Loving
All Together Now
All You Need Is Love
And I Love Her           
And Your Bird Can Sing                     
Anna (Go To Him)   
Another Girl
Any Time At All          
Ask Me Why                                       
Baby It’s You            
Baby You’re A Rich Man                     
Baby’s in Black                                   
Back In The USSR    
Bad Boy
Because                       
Being for the Benefit of Mr. Kite!     
Birthday                     
Blackbird
Blue Jay Way             
Boys                                                      
Can’t Buy Me Love  
Chains 
Carry That Weight    
Come Together                                    
Cry Baby Cry            
Day Tripper
Dear Prudence           
Devil In Her Heart                              
Dig A Pony                 
Dig It
Dizzy Miss Lizzie      
Do You Want to Know a Secret         
Doctor Robert          
Don’t Bother Me
Don’t Let Me Down  
Don’t Pass Me By                               
Drive My Car 
Eight Days a Week
Eleanor Rigby
Every Little Thing
Everybody’s Got Something to Hide Except For Me and My Monkey
Everybody’s Trying to be My Baby
Fixing a Hole
Flying
For No One
For You Blue
Free As A Bird
From Me To You
Get Back
Getting Better
Girl
Glass Onion
Golden Slumbers
Good Day Sunshine
Good Morning, Good Morning
Good Night
Got To Get You Into My Life
Happiness is a Warm Gun
Hello, Goodbye
Help
Helter Skelter
Her Majesty
Here Comes The Sun
Here, There And Everywhere
Hey Bulldog
Hey Jude
Hold Me Tight
Honey Don’t
Honey Pie
I Am the Walrus
I Call Your Name
I Don’t Want to Spoil the Party
I Feel Fine
I Me Mine
I Need You
I Saw Her Standing There
I Should Have Known Better
I Wanna Be Your Man
I Want To Hold Your Hand
I Want To Tell You
I Want You
I Will
I’ll Be Back
I’ll Cry Instead
I’ll Follow the Sun
I’ll Get You
I’m a Loser
I’m Down
I’m Happy Just to Dance with You
I’m Looking Through You
I’m Only Sleeping
I’m so tired
I’ve Got A Feeling
I’ve Just Seen a Face
If I Fell
If I Needed Someone
In My Life
It Won’t Be Long
It’s All Too Much
It’s Only Love
Julia
Kansas City/Hey, Hey, Hey
Komm Gib Mir Deine Hand
Lady Madonna
Let it Be
Little Child
Long Tall Sally
Long, Long, Long
Love Me Do
Love You To
Lovely Rita
Lucy in the Sky with Diamonds
Maggie Mae
Magical Mystery Tour
Martha My Dear
Matchbox
Maxwell’s Silver Hammer
Mean Mr. Mustard
Michelle
Misery
Money (That’s What I Want)
Mother Nature’s Son
Mr. Moonlight
No Reply
Norwegian Wood
Not a Second Time
Nowhere Man
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Octopus’s Garden
Oh! Darling
Old Brown Shoe
One After 909
Only A Northern Song
P.S. I Love You
Paperback Writer
Penny Lane
Piggies
Please Mister Postman
Please Please Me
Polythene Pam
Rain
Real Love
Revolution 1
Revolution 9
Rock and Roll Music
Rocky Raccoon
Roll Over Beethoven
Run For Your Life
Savoy Truffle
Sexy Sadie
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
She Came In Through The Bathroom Window
She Loves You
She Said, She Said
She’s A Woman
She’s Leaving Home
Sie Liebt Dich
Slow Down
Something
Strawberry Fields Forever
Sun King
Taxman
Tell Me What You See
Tell Me Why
Thank You Girl
The Ballad of John And Yoko
The Continuing Story of Bungalow Bill
The End
The Fool On The Hill
The Inner Light
The Long And Winding Road
The Night Before
The Word
There’s A Place
Things We Said Today
Think For Yourself
This Boy
Ticket to Ride
Till There was You
Tomorrow Never Knows
Twist and Shout
Two of Us
Wait
We Can Work It Out
What Goes On
What You’re Doing
When I Get Home
When I’m Sixty-Four
While My Guitar Gently Weeps
Why don’t we do it in the road
Wild Honey Pie
With a Little Help From My Friends
Within You Without You
Words of Love
Yellow Submarine
Yer Blues
Yes It Is
Yesterday
You Can’t Do That
You Know My Name
You Like Me Too Much
You Never Give Me Your Money
You Really Got a Hold on Me
You Won’t See Me
You’re Going to Lose That Girl
You’ve Got to Hide Your Love Away
Your Mother Should Know

terça-feira, 24 de abril de 2012

OS NÚMEROS ALARMANTES DA ELEIÇÃO DA UFMT

Maurelio Menezes

Os números não oficiais que havia recebido sobre a consulta para escolha do novo reitor da Universidade Federal de Mato Grosso -UFMT-  não estavam muito longe dos oficiais. Lamentavelmente. Eles são, como eu previra, alarmantes e temos, todos, que pararmos um pouco para um exercicio de reflexão sobre o que eles significam. Quando se fala em Universidade hoje a primeira imagem que vem à mente é a de um centro produtor de conhecimento,  difusor de cidadania, formador de posicionamentos que possam levar nosso país ser pelo menos um pouco menos injusto que o é hoje.
Quando António Gramsci pensou em transformação da sociedade foi muito claro ao defender a idéia que a transformação permanente somente aconteceria quando houvesse uma elevação cultural das massas. Quando ele se referia a isso não pretendia, com certeza, dizer que era necessário que todos se tornassem cultos, no sentido que o senso comum dá a esse  vocábulo. Gramsci pensava em termos de conscientização e da formação de um espirito crítico que levasse a todos (e para ele todos são intelectuais) a definir os caminhos a serem seguidos para se viver numa sociedade menos injusta, mais igualitária. . Com os números da Consulta na UFMT, fica dificil acreditar que um dia isso será realidade, pois afinal, o centro que deveria ser irradiador de um espirito assim mostra-se absolutamente alheio e como afirma o senso comum, "esta se lixando para o que vier por aí".
As informações que tinha é que os três candidatos haviam disputado pouco mais de 8 mil votos num universo de mais de 26 mil. Eles disputaram um pouco mais que isso.
Resumidamente, o quadro final é o que segue:
COLÉGIO ELEITORAL (professores, alunos e técnicos26.712 eleitores
ALUNOS VOTANTES  ...................................................  7.221
PROFESSORES VOTANTES .......................................   1.421
TÉCNICOS VOTANTES................................................   1.432
BRANCOS .......................................................................        70 
NULOS .............................................................................     201
ABSTENÇÃO  ..................................................................  16.367 eleitores

Traduzindo esse resumo, temos que, ao juntarmos a abstenção com os brancos e nulos, teremos um total de  16.664 leitores que simplesmente ficaram alheios ao processo eleitoral que definiu quem vai dirigir uma Instituição que tem um orçamento de 500 milhões de reais e deveria ter uma importância fundamental na vida do Estado.  Esse número corresponde a exatos 62,38947 por cento do Colegio Eleitoral. Como há pessoas que não compareceram por motivos justificáveis e aceitáveis como viagem, saúde e coisas do gênero, vamos arredondar para menos: a abstenção chegou ao absurdo de 62 por cento do total.
De quem é a culpa? Dos três candidatos que não conseguiram despertar nos eleitores o interesse pela eleição? Do pouquissimo tempo que se teve para a campanha, o que sempre beneficia um grupo em detrimento de outros?  Das sucessivas administrações superiores que ainda vivem o espirito do regime militar e governam há décadas a universidade como se ela fosse um feudo próprio onde se faz, sem ouvir ninguem, o que quiser para atender a interesses que acha correto defender?  Do desprezo a que vem sendo submetidos professores, técnicos e alunos ao longo de anos, décadas até? Do governo federal  (não apenas do atual), que prioriza a quantidade em detrimento da qualidade e que  que, ao pagar salários miseráveis e não dar condiçoes de trabalho e aprendizado a professores, técnicos e alunos, fez com que a universidade se transformasse apenas num burocrático pontinho sem importância na vida de cada um? Ou será de todos nós que não estamos fazendo a nossa parte na construção de um centro formador de cidadãos? Aliás, será que esta é a hora de se procurar culpados ou de se tomar uma providência concreta para que essa realidade se transforme de uma vez por todas?
E quem ganha com isso? O grupo que se reelegeu porque se a abstenção fosse menor poderia ter que disputar um segundo turno e ai a história poderia ser diferente? Os grupos que perderam porque ao não convencer os eleitores que valeria à pena comparacerem perderam a oportunidade de implantar um novo pensamento de gestão na UFMT?  Ou será que ganham aqueles que querem destruir cada vez mais a universidade publica, cuja qualidade é a cada dia mais questionada (o curso de Direito, por exemplo, que sempre foi de excelencia, pelo segundo ano consecutivo não consegue o Selo de Qualidade da OAB)?
A atual reitora, reeleita, apresentou na campanha e após ela, sua plataforma. Deveria rasgá-la (como deveriam também os outros candidatos, caso tivessem sido eleitos) e dirigir todas suas energias e de sua equipe no sentido de resgatar a alma da UFMT, uma alma que está hoje no limbo, implorando por socorro. Socorro que, os numeros da eleição (ainda uma vez, eles) mostram que somente será efetivo com uma ação que não foi privilegiada nos últimos anos (e até décadas): fazer de quem realmente é a  UFMT (alunos, técnicos e professores) seres humanos que se sintam cuidados e não espoliados. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

ONDE ESTÃO OS NÚMEROS DA ELEIÇÃO DA UFMT?

Maurelio Menezes

Gostaria de conhecer o quadro final da consulta para escolha do novo reitor da UFMT. Qual foi a abstenção? Quantos foram os votos nulos? E brancos? Esses números podem dar uma idéia concreta sobre a quantas andam  as pernas da uiversidade no que diz respeito a cidadania (o interesse por uma escolha tão importante para a sociedade e para a própria universidade é ingrediente obrigatório na formação de um Estado cidadão). Não entendo porque até agora esses números não estão à disposição de todos. Portais de noticias de Mato Grosso não o trazem. O da ADUFMAT, uma das entidades condutoras do processo também os suprimem.  O da Universidade ignora o assunto, depois de ter feito campanha indireta para a candidata da situação o tempo inteiro com a exposição que deu a ela reitora/candidata (no momento que posto esse texto a notícia na primeira pagina no www.ufmt.br   ainda é a de ontem, o que vai contra o próprio principio da internet que é a instantaneidade).

E não existe argumento que justifique essa falta de informação, uma vez que, com a urna eletronica é possivel se saber ao final da totalização,  no exato momento da impressão do resumo, qual a abstenção, votos nulos e brancos... As informações que tenho, se verdadeiras, são alarmantes e os numeros merecem uma reflexão: teria havido cerca de 50% de abstenção e votos brancos e nulos somariam cerca de 20%. Isso significaria que os três candidatos disputaram apenas 30% dos votos, ou algo em torno de 8 mil votos. É muito pouco para quem pretende ser um centro de produção e irradiação de conhecimento e cidadania....

A Comissão Eleitoral tem obrigação de se manifestar urgente e oficialmente sobre esses números (aliás, já o deveria ter feito desde a madrugada quando saiu o resultado final com a reeleição da atual reitora, professora Maria Lúcia Cavalli Neder) e colocar à disposição da sociedade e da comunidade universitaria esse quadro... Em nome da transparência e para que se possibilite a discussão que tantas vezes ja foi proposta: qual a universidade que queremos? Uma, paupérrima, onde os servidores sejam apenas batedores de ponto, executores de tarefas e recebedores de salário ou uma, nobre nos objetivos, onde o servidor tenha consciencia que a ausência dele em debates como o atual possa beneficiar grupos que usam o espaço publico apenas para se locupletar e estão se lixando para a construção de uma sociedade menos desigual, menos injusta, mais cidadã, enfim. A ausencia é a própria ausência na vida da universidade, logo no lugar dessa universidade na construção de um estado verdadeiramente cidadão.

Eu defendo o segundo tipo, porque acredito que a unica forma de melhorarmos nosso país é investir em educação e educação, sob o olhar de estudiosos com os quais comungo meu pensamento, tem um sentido amplo que vai desde a participação efetiva em todos os processos de decisão, e da construção do mundo que queremos, até o ensino formal que, diga-se de passagem, deve ser definido num processo de ampla discussão na sociedade e não enfiado goela abaixo por quem está de plantão no poder. Essa  é, acredito, a unica forma de tornarmos nosso país menos injusto, mais cidadão, menos desigual.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

SEMANA DO INDIO SERÁ DE LUTA E DE LUTO

Maurelio Menezes


Recebi há pouco um e-mail de uma colega de doutorado, Solange Pereira, por quem tenho o maior respeito. Envolvida com lutas e causas indigenas (o projeto de doutorado dela é nessa área), Solange divulga a programação da Semana do Índio, na qual, pela primeira vez haverá uma grande concentração na UFT para debates, manifestações e tomadas de posição em relação a uma série de  temas que precisam ser colocados na mesa (eu diria, até, exorcizados). Abaixo compartilho democraticamente, o texto do e-mail  de solange:


Olá gente
Na Semana dos Povos Indígenas que vai do dia  16 ao 21 de abril, em todo o Brasil, vários povos ESTÃO DE LUTO se organizando para dar testemunho de resistência nestes 512 anos de agressões e violações dos seus direitos.
Em Mato Grosso, os povos indígenas, outras comunidades tradicionais e seus aliados históricos estarão no campus da UFMT, para a celebração desta Semana.
Os povos indígenas desejam relacionar-se com a sociedade envolvente. Este contato pode ser benéfico para todos, considerando sua sabedoria e suas técnicas de produção material e simbólica. A milenar ciência indígena os mantém vivos fisicamente e sua sabedoria lhes capacita para transmutar-se culturalmente para lidar com as imposições do contato, desta relação historicamente desigual.
Como todos sabem as terras demarcadas são da União, não pertencem aos povos indígenas. Estes têm o direito constitucional ao usufruto dos seus bens naturais. Bem, é isso que diz a Constituição Federal (Capítulo VIII, Art. 231).
Porém, neste ano de 2012, a celebração será fúnebre, ESTAMOS DE LUTO pela última investida do Congresso Nacional contra os direitos indígenas. A aprovação do Projeto de Emenda Constitucional 215 põe em risco os direitos adquiridos pelos povos indígenas de usufruto dos territórios demarcados após longos e penosos processos judiciais.
E o que você tem a ver com isso? As bravatas do Congresso Nacional respingam em toda a sociedade abrem o precedente e negam os direitos sociais conquistados a sangue, suor e lágrimas.
Nos dias do evento eu vou vestir preto e vermelho.
Solidarize-se: exponha notícias sobre a Semana dos Povos Indígenas no seu facebook, blog, site.

SEMANADOS POVOS INDÍGENAS – 2012
Encontro dos Povos de Mato Grosso: Direitos ameaçados e resistência

DIAS:16 Á 18 DE ABRIL DE 2012 (chegada dia 15)
LOCAL:ANFITEATRO DAADUFMAT (UFMT-CUIABÁ)
PROGRAMAÇÃO:

DIA15:  Chegada ecadastramento a partir das 14:00 hs no local do evento


DIA16:
7:00– Café da manhã
8:00hs-  Abertura
9:00hs-  RESGATE HISTÓRICODAS LUTAS E CONQUISTAS DO MOVIMENTO INDÍGENA
10:00hs-  CONJUNTURA NACIONALE REGIONAL –Chikinha Pareci
11:00hs - Plenária
12:00– Almoço


14:00– Mesa: DIREITOSCONSTITUCIONAIS – PECe Congresso Nacional – Dra. Juliana de Paula (Alta Floresta), Dra.Marcia Brandão (Procuradora do MPF)
16:00 – MOVIMENTO INDÍGENANACIONAL – CONTEXTUALIZAÇÃO - APIB
16:30 – Grupos de discussão: MOVIMENTOINDÍGENA E QUILOMBOLA NO ESTADO – AÇÕES DE RESISTÊNCIA
19:00– Jantar
20:00– VÍDEOS/DOCUMENTÁRIOS - Referentes às lutas e conquistas dos Movimentos Indígenas eQuilombolas no Estado e no Brasil.


DIA17:
7:00– Café da manhã
8:00– RESGATE HISTÓRICO– ECO 92
9:00- Mesa: RIO + 20,CÚPULA DOS POVOS E MUDANÇAS CLIMÁTICAS –Michele Sato (Profª UFMT), Larissa Packer (assessora jurídica daTerra de Direitos) e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil -APIB
Plenária,debates
12:00– Almoço
14:00– Grupos de discussão: DESAFIOSE ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA(afirmação, denúncias, propostas)
16:00– Plenária – Socialização dos grupos temáticos
Desafios e Linhas deação no Estado
19:00– Jantar
20:00– Carta dos Povos indígenas e Quilombolas do Mato Grosso


DIA18:
7:00-  café da manhã
8:00– Concentração para o Ato
9:00– Marcha indígena – (caminhada pela cidade)        
12:00– Encerramento  - Com o almoço

"Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. " (Guimarães Rosa)