quinta-feira, 26 de julho de 2012

GREVE NAS UNIVERSIDADES: AS DUAS PROEZAS DO GOVERNO FEDERAL

Maurelio Menezes


O Governo Federal conseguiu uma proeza com sua intransigência, intolerância, arrogância e mentiras sobre o que  está propondo para os professores de instituições federais de ensino superior:  a greve é a maior de todos os tempos, com 100 por cento de adesão. Isso mesmo, todas as 59 universidades federais aderiram à greve. Nunca antes nas história desse país isso acontecera. Para tentar dividir os professores, o  ex presidente Lula havia criado um sindicato, o PROIFES, acusado de receber dinheiro publico para votar com o governo. Um sindicato que antigamente o proprio presidente chamaria de pelego. Pois nem as sete universidades que esse sindicato representa estão aceitando as imposições do governo e quatro delas ja decidiram rejeitar a segunda proposta  porque ela não toca no essencial, a reestrturação da carreira. Ate segunda feira as 59 universidades federais farão assembleia para se posicionar. Até esse momento, inicio da madrugada de sexta feira, dia 27 de julho, todas as 20 universidades que realizaram assembleias recusaram a proposta.

Com seu comportamento manipulador, o governo está prestes a conseguir uma segunda e definitiva proeza. As mentiras, as tentativas de manipulação, as ações do governo, desprezando a educação, afirmando que investir em educação vai quebrar o país, criando políticas para fortalecer as escolas particulares e enfraquecer as publicas, liberando bilhões de reais para escolas particulares e se negando a dar condições da universidade publica ter a qualidade que a sociedade exige, tudo isso e mais alguns pontos, estão levando à conclusão que o projeto de educação (se é que ele existiu algum dia) do PT é na teoria um e na pratica outro.

Na teoria é da universalização do ensino, da oportunidade para todos, da valorização e do reconhecimento do trabalho dos profissionais de educação, do investimento do que for necessário para se alcançar a qualidade que a sociedade precisa  para seu crescimento e independência... Essa visão foi apresentada pela candidata Dilma no debate do segundo turno da eleição presidencial, na Rede Globo de Televisão e oi assitido por mais de 80 por centodos brasileiros que naquele momento estavam com seus aparelhos de TV ligados. Esse projeto, apresentado como compromisso pode ser assitido a seguir



Na pratica é um projeto de vilependização da educação e de seus profissionais. Do abandono das universidades publicas, da precarização das condições de ensino, do  corrosão do salário, do investimento pesado  e da distribuição de bilhões de reais nas universidades particulares. Depois de criar o PROUNI por meio do qual as particulares vendem vagas ociosas (que jamais seriam preenchidas) para o governo (e recebem anualmente  bilhões de reais), essa semana a presidente Dilma decidiu perdoar 15 bilhões de reais de dividas dessas universidades em troca de mais bolsas.

Aos poucos estão acabando com o que resta nas universidades federais. Primeiro acabaram com a segurança, que foi privatizada... Depois com serviços como limpeza, serviços gerais e jardinagem, por exemplo, que igualmente foram privatizados... O proximo passo é privatizar os hospitais universitarios entregando sua gestão que por enquanto pe da universidade a uma empresa parecida com as OSs que, em Mato Grosso, assumiram os hospitais estaduais e os estão destruindo (uma dessas OSs "desapareceu" depois de receber alguns milhões de reais para gerir um hospital do interior)

A propria função de docente esta sendo privatizada num desrespeito sem tamanho à Constituição que estabelece que a unica forma de ingresso na carreira publica é por meio de concurso. Estão contratando professores tomando por base a CLT, mas sem receber direitos basicos como 13º, ferias e ter depositado seu FGTS.


Mercandante ou Mercantil?
O desrespeito e o desprezo pela educação é tamanho que o Ministro da Educação. Aloisio Mercadante, no meio da maior crise da história, com mais de 350 mil profissionais de educação em greve e com cerca de um milhão e meio de alunos sem aula, viajou para Londres para assistir aos Jogos Olimpicos (e de quebra faturar diarias e benesses). Alias, não era de se esperar algo muito diferente dele, que pe acusado de ter conseguido o titulo de Doutor na Unicamp com uma tese baseada num livro, "O Brasil: a reconstrução retomada", o que contraria as regras não só da Unicamp, mas de toda universidade que exige que o doutorado seja uma tese inédita. Se o titulo dele nasceu de uma mentira, o que se pode esperar de sua gestão?

A "compra" de Maluf sendo oficializada
Com esse quadro, infelliz e lamentavel, a segunda proeza do governo a que se refere o título, será, a curto prazo, transformar essa greve numa greve política que significará o inicio do fim não só do projeto de educação que está sendo defendido na pratica pelo governo (porque na pratica ele difere muito do projeto teórico). Mas da própria estrutura de poder que se instalou no pais ha dez anos e que a cada dia que passa mais está se mostrando podre, mentirosa, sustentado-se por meios de escândalos como o do Mensalão, de dólares na cueca, de enriquecimento meteórico do filho do Presidente, dos bilhões repassados a empreiteiras como a Delta, de Carlinhos Cachoeira, da entrega de cargos e Ministérios a politicos como Paulo Maluf que está sentindo o cerco se fechar para que explique a fortuna enviada ilicitamente para paraisos fiscais (que ele afirma nçao se dele, mas ja ter sido provado que era gerida pelo seu filho). Alias, a "compra" de Maluf foi exatamente para que apoiasse a candidatura a prefeito de São Paulo do ex ministro da Educação, responsavel pela criação de fracassos como o Enem e o Reuni (um projeto que expandiu a universidade sem lhe dar a menor condição para funcionar. Para se ter uma idéia do que é isso, o curso de Direito da UFMt em Barra dos Garças, criado nessa "onda" tem apenas dois professores efetivos no seu quadro) . E pelo que dizem as pesquisas foi uma "compra' inócua, ja que ele nçao consegue mais que sete por cento dos votos.

A cada dia fica mais claro que  sem em 2002 a Esperança venceu o Medo, 10 anos depois a Decepção está matando a Esperança. Infeliz e lamentavelmente.

O OLHAR DO ELISMAR SOBRE A LEI DA DIVULGAÇÃO DOS SALARIOS

Maurelio Menezes

Eu já tentei convencer algumas vezes o Elismar,meu colega no Grupo de Pedsquisa Movimentos Sociais e Educação,  a criar um blog onde poderia expor sua visão de mundo. Algo simples como esse meu aqui... Ele sempre arruma um argumento desse que os preguiçosos digitais têm na manga da camisa para se desculpar... Já disse a ele que seria interessante inclusive para que ele fizesse a divulgação via midias sociais, pois basta colocar lá o link e o membro da rede tem acesso ao texto integral... mas ele sempre dá um jeito de desconversar, tomado pela sua eterna preguiça digital... Por isso estou publicando aqui esse texto dele. Você pode até não concordar, mas é o olhar dele e vale a pena ser lido. No mínimo será mais um argumento para reflexão. E aí não o argumento de um preguiçoso digital, mas de alguém que se dedica ao estudo do mundo em que vivemos
Faça bom proveito:

O CARÁTER POLÍTICO-IDEOLÓGICO DA PUBLICAÇÃO DOS SALÁRIOS DOS SERVIDORES PÚBLICOS

Elismar Bezerra Arruda
Um dos maiores pensadores e revolucionários do século XX foi o italiano Antônio Gramsci. Condenado pela justiça italiana a serviço do fascismo de Mussolini, Gramsci continuou e desenvolveu, inclusive e especialmente na prisão, a filosofia marxista com o objetivo de “elevar intelectual e moralmente” as massas trabalhadoras no sentido da “sociedade regulada”. A contribuição desse italiano da Sardenha para a Filosofia e para a Política é reconhecida, hoje, no mundo inteiro. São muitos os movimentos, lutas e organizações dos trabalhadores do Brasil e da América Latina, que se utilizam das elaborações teórico-metodológicas de Gramsci para entender a complexa e contraditória realidade em que vivemos e, fundamentalmente, para orientar suas políticas. Não é fácil entender a realidade, ainda mais num mundo em que os interesses do capital, expressos e defendidos por todos os meios (pacíficos e violentos) pela empresa privada, tenta a todo o momento consolidar na cabeça das pessoas que pensar é desnecessário, que filosofia é coisa de desocupado, lunático, etc. O interessante é que, sabendo que as pessoas não param de pensar e pensam sempre a partir das materialidades que as fazem tristes, alegres, passivas ou não, etc., o status quo urde e tenta impor “o seu” modo de pensar e “o seu” pensamento.
Assim, especialmente ao longo das últimas três décadas, foi sendo consolidada na sociedade brasileira a idéia de que os “políticos” são a causa de todos os nossos males; que, de um modo geral, são todos ladrões, incapazes e preguiçosos. Essa idéia para fazer-se mais completa e competente no seu desiderato, estendeu a mesma caracterização a tudo que é “público” e a todos os que trabalham na Administração Pública, nos Serviços Públicos – seja como dirigente, seja como simples servidor. Essa idéia, ou essa forma de conceber a chamada “coisa pública” (ou Estado e os governos), não caiu do Céu, embora se nutra muito dos elementos da religião; trata-se de um modo de pensar que adjetiva, qualifica tudo e a todos, conforme os interesses da empresa privada. É dessa forma que os serviços públicos e seus trabalhadores, de modo geral, são concebidos como coisa desprezível do ponto de vista da produção, da qualidade, da produtividade e da ética. Os meios de comunicação reforçam isso diuturnamente, sedimentando a compreensão de que esses serviços são o lugar do desperdício, da indolência, do uso irresponsável e descontrolado dos recursos públicos e da corrupção; desse modo, o “público” ficou como coisa que não presta, enquanto a “empresa privada” significa sempre qualidade e decência.
Esse é um problema ideológico grave, porque, não obstante a patifaria de muitos “políticos”, o que se divulga sobre o Serviço Público é uma fraude que deforma a consciência coletiva. Ao se divulgar esse pensamento e generalizar esse discurso contra os servidores, colocando-os na mesma “balança” dos “políticos profissionais” corruptos, cria-se uma cortina de fumaça que cega a população e permite à empresa privada fazer o que bem entende com “a coisa pública”, impunemente. Essa degeneração conceitual dos “políticos” e dos serviços públicos, que os qualificam definitivamente como corrompidos e, assim, como sujeitos e instrumentos que jamais estarão a serviço da sociedade, como inimigos malfeitores da sociedade, acaba por livrar o sistema do capital, o capitalismo, de qualquer responsabilidade pela realidade econômico-social em que vivemos; então, divulga-se que é a “índole”, a “natureza” deformada e “pervertida” desses indivíduos a causa dos nossos problemas econômicos e sociais. A empresa privada inocula nas massas trabalhadoras uma espécie de ódio ao que é público, afastando-as da política e do Estado, para que ela, a empresa privada, aproprie-se do Estado como instrumento a serviço da realização dos seus interesses; ao tempo em que se eleva aos olhos dessas massas como solução definitiva para todos os males da sociedade. É assim que, diante do fracasso da empresa privada em resolver os problemas sociais, porque não é da sua natureza promover o desenvolvimento social, descaradamente, então, atribui-se ao “público” e aos servidores públicos a culpa pela incapacidade da empresa privada resolver tais problemas.
A sociedade age como se, mesmo desconfiando dos interesses individuais e mesquinhos do lobo, mas “sabendo” (mediante as propagandas realizadas pelo próprio lobo sobre si mesmo) da sua força e do seu poder, preferisse ver na passividade e mansidão do carneiro a mesquinhez, o egoísmo e a voracidade do lobo; assim, veste o bicho com pele de carneiro e ainda que o veja uivar como lobo, comer como lobo, viver como lobo, prefere acreditar na versão que o próprio lobo dá de si mesmo, isto é, como sendo um não-lobo. O interessante é que, pela sua própria natureza, o lobo nunca se deixou confundir com carneiro, ao contrário: exibe arrogantemente para a sociedade conformada essa diferença como poder, como superioridade. É assim que mesmo testemunhando sempre a empresa privada praticar ações que só atendem aos seus próprios interesses privados, o lucro, como é da sua natureza, a sociedade prefere acreditar na empresa privada, desprezando o “público”, a política, os serviços públicos e seus servidores.
Não é fácil convencer as pessoas de que esse pensamento “privatista” é incorreto e nefasto, mas, pior é aceitá-lo pacificamente; ainda mais porque diariamente os meios de comunicação estão a repercutir com muito barulho as patifarias e desmandos praticados na Administração Pública envolvendo “políticos”, servidores e empresários, como se esses desmandos estivessem em todos os órgãos e praticados por todos os servidores. Aliás, é interessante observar que quando empresários estão envolvidos com corrupção, nunca são tratados no noticiário como tais e, sim, como “contraventores”, “bicheiros”, “lobistas”, o diabo, mas, nunca como empresários. Assim, as dificuldades para entendermos a realidade se acentuam, porque essa repercussão é apresentada como expressão real da democracia, da liberdade de expressão, isto é, como confirmação de que vivemos em um país democrático. Mas, como diz o poeta: “as aparências enganam, ao que odeiam e aos que amam”; porque, então, todo esse barulho? Se neste momento deste artigo eu afirmasse que os meios de comunicação estão corretos e que o que é publico não presta, certamente teria a concordância de muita gente. Mas não seria correto. Na verdade, precisamos entender o caráter pedagógico daquela atitude dos meios de comunicação: de fato, eles usam esses casos para fazer a sociedade acreditar definitivamente, especialmente as massas trabalhadoras e a classe média, que aquilo ali e nada mais é a causa de todos os problemas que a sociedade enfrenta.
É óbvio que a corrupção, o desmando, etc. degeneram a nossa vida, mas a divulgação insistente dos casos de corrupção na administração pública como a causa de todos os males, longe da aparente restauração ética e moral que dizem objetivar, está servindo, de fato, para preservar um sistema que tem na sua natureza, na sua gênese a perversidade da exploração, da violência e da danação em geral. Na verdade, o que objetivam é desqualificar não só “público” em si, mas, fundamentalmente, destruir a idéia de que o coletivo, a solidariedade, a comunidade, o “estatal” e a comunhão, enquanto elementos éticos-políticos, podem caracterizar um novo modelo econômico-social de vida superior e em negação ao individualismo, à competição e ao egoísmo do lucro. É por isso que a má qualidade da Educação, o crescimento vertiginoso da Violência, a falta de atendimento adequado e competente na Saúde, o Desemprego, etc., são apresentados como produto da incompetência e da corrupção, etc. na “coisa pública”. Do mesmo modo podemos entender porque, mesmo não tendo melhorado em nada o abastecimento e a qualidade da água em Cuiabá, depois da privatização, os meios de comunicação não apresentam mais o problema como fruto da incompetência, da leniência, etc., mas, simplesmente, como problema técnico prestes a ser resolvido. Muda-se a qualidade da crítica para preservar a empresa privada e seguir desqualificando o “público”. É nesse sentido que precisamos entender a lei que determina a publicação dos salários dos servidores públicos em todo o país.
Qualquer brasileiro medianamente informado sabe que nos Serviços públicos apenas os altos escalões do Judiciário, do Executivo e do Legislativo ganham bons salários; ainda assim, não acho que esses altos salários seja o problema, o “mal-maior”, mas, sim, o conteúdo do seu ser jurídico-político de afirmação da lógica do capital. A quase totalidade dos servidores ganha muito mal, entretanto, a idéia que está divulgada e assimilada pela população em geral é a de todos são marajás e, desse modo, é justificada a exigência da publicação dos salários de todos os servidores públicos. Essa exigência se insere naquela idéia do status quo de desqualificar o “público”, de apresentá-lo como indecente, desonesto e incapaz; a publicação dos salários dos servidores públicos os constrange, não por terem o valor dos seus salários divulgados, mas, porque os pressupõem, indistintamente, como recebedores de vencimentos ilegais e imorais e, assim, sorvedouros dos recursos do povo. A exigência é uma indecência. Aos olhos da sociedade manietada pelas idéias “privatistas”, a lei, revestida por um discurso moralista, é apresentada como medida moralizadora que dará transparência à Administração Pública, etc.; mas, não é nada disso.
Fosse para dar transparência à aplicação de todos os recursos públicos (com o que concordo), todas as empresas que recebem recursos públicos (na forma de incentivos fiscais, empréstimos, perdão de dívida, subsídios, etc.) deveriam ser obrigadas a publicar os salários e pró-labore de todos os seus funcionários e diretores. Se é para dar transparência na aplicação dos recursos públicos, porque os “proponentes” de tal lei não exigiram isso das empresas privadas? A boa vida que empresários que recebem recursos públicos estão levando, curtindo as belezas e mordomias caríssimas em paraísos turísticos do mundo inteiro não é corrupção, não é uso indevido ou desvio dos recursos públicos? A exigência da publicação dos salários dos servidores públicos, de fato, não é mais que mais uma tentativa de satanizar o que é público em favor da sacralização da empresa privada, do individualismo, da concorrência e do lucro. Trata-se, de fato, de uma atitude político-ideológica da classe proprietária-governante, urdida e aplicada no sentido de desnaturar as iniciativas de mudanças da sociedade atual na perspectiva dos trabalhadores. Ao fim e ao cabo, o que a classe proprietária-governante quer é demonstrar por todos os meios, inclusive pela mentira, que o que é público, que qualquer governo, sempre será empecilho para o “pleno desenvolvimento” da sociedade; que não há saída pela via do “público”, do Estado, e que, dessa forma, o que resta como correto e competente para fazer funcionar a sociedade é apenas a empresa privada, os empresários. Excluem-se, assim, os trabalhadores que, sem propriedades, tem só a própria capacidade de trabalhar como mercadoria para vender e garantir a própria existência.
Por fim, podemos concluir que a desqualificação feita diuturnamente pela classe proprietária-governante através dos meios de comunicação em relação ao que é “público”, à “associação” solidária como forma de viver em comunidade, configura-se como a sua concepção de mundo que é imposta às massas trabalhadoras para que a sociedade siga sendo o que é. Na verdade, a classe proprietária-governante nega o Estado às massas trabalhadoras para ficar com ele só para si, pois, sabe a importância e a força que o Estado representa. Assim, quando sataniza os servidores públicos, a classe proprietária-governante está educando os trabalhadores em geral para que não percebam e entendam as possibilidades político-administrativas que a Administração Pública tem se apropriada pelos trabalhadores; mais que isto, quer impedir as massas trabalhadoras, mediante a participação transformadora nas estruturas político-administrativas da Administração Pública, de se educar na perspectiva destas se apropriarem não só da Administração Pública, mas do Estado.  De fato, a desqualificação dos serviços e dos servidores públicos tem uma razão estratégica para o sistema do capital.
É por tudo isso que a sociedade, e não apenas os servidores públicos, precisa compreender o que está sendo urdido e lhe imposto como verdade derradeira. É preciso as massas trabalhadoras e a classe média saberem da natureza da Administração Pública, dos Serviços Públicos e porque estão sendo tratados como estão, pois, sabendo corretamente disso, poderão apropriar-se do “público” e fazê-lo instrumento da construção de um novo modo de viver e de produzir a vida. Para começar, podemos exigir, por exemplo, dos nossos parlamentares que apresentem projeto de lei impondo às empresas privadas que recebem ou receberem recursos públicos (sob qualquer forma) a publicação dos salários e pró-labore dos seus diretores e funcionários. Trata-se de recursos públicos dados à empresa privada que precisam ser controlados pela sociedade. Ou será um sacrilégio exigir algum tipo de controle da empresa privada? Algum dos nossos parlamentares, estaduais e federais, tem coragem de, não só propor, mas, de lutar por isso?


 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O EXEMPLO DAS CRIANÇAS E O COMPORTAMENTO REACIONÁRIO DE QUEM DEVERIA DAR O EXEMPLO

Maurelio Menezes

A direção da Associação de Professores da Universidade Federal de Goias, campus Goiania, está manipulando assembléias para tentar evitar que os professores aprovem a adesão à greve nacional dos professores de univerisdade federais...  Dia desses em outra atitude anti democratica, a presidente da ADUFG  simplesmente abandonou uma assembléia em que a maioria defendia a greve, aprovada para começar na segunda feira, dia 11. No Blog do Sérgio você pode saber como tudo aconteceu.
Hoje, sexta feira 08 de junho,  a presidente da Associação, professora Rosana Borges, mostrou mais uma vez seu lado anti democrático com um comportamento que lembra muito o de sindicalistas pelegos tão comuns nos anos 70/80. Pra quem não sabe é significa pelego, é um termo criado para identificar os baba ovos de patrões exploradores. Foi muito usado quando os metalurgicos do ABC mostraram sua força no final dos anos 70.  Na época o sindicalista Luis Inacio Lula da Silva, com certeza, não imaginava que um dia seria o mentor da criação de uma Central de Trabalhadores de Instituições Federais de Ensino Superior que teria como tarefa ações como a dos pelegos que ele combatia. E se alguém dissesse isso para ele, com sua voz rouca iria excomungar o sujeito.
Hoje um grupo de educadoras da creche instalada na universidade para atender filhos de servidores e de alunos fez um passeio pelo campus com as crianças de, em media 4 anos de idade. Num determinado momento, as crianças começaram a gritar: Greve geral da UFG... Queremos greve!! Queremos greve!!!   Todos riram muito, terminaram o passeio e quando chegaram na creche receberam a noticia que a presidente da Associação, Professora Rosana, havia enviado um ofício no qual afirmava ter testemunhado um fato gravissimo e acusava as professoras de terem insuflado as crianças a gritarem as palavras de ordem. As professoras negam que tenham feito isso e afirmam que foi uma manifestação espontanea das crianças. O oficio foi destinado à coordenadora da creche, com cópia para o ao Pró Reitor de Assuntos Comunitários. A integra do oficio,que tem um conteudo absolutamente arbitrário, beirando as raias do nazismo, é a seguinte:

Prezada professora,
Por meio deste instrumento, venho denunciar um fato ocorrido na manhã de hoje, presenciado por mim e outras pessoas que julgo ser gravíssimo.
Sem delongas, o que ocorreu foi o seguinte: por volta das 10h e 15, eu estava no pátio em frente ao IESA/UFG, quando um grupo de educadores da creche chegou ao local acompanhando um passeio das crianças. Ao perceberem a minha presença, uma pessoa da equipe da creche, do sexo feminino, começou a pedir para que as crianças gritassem "greve, greve, greve". Imediatamente, as crianças aderiram ao chamamento da pessoa a qual veem como educadora.
O grupo permaneceu por alguns instantes ali, e depois acomodou-se num banco, embaixo de  uma árvore, ao lado do prédio da IESA. Neste local, as crianças continuaram sendo instigadas a gritar "queremos greve", fato que foi testemunhado por diversos professores da IESA e outras pessoas que por ali passaram.
A par de lamentar profundamente o fato, que desrespeita completamente a Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências, comunico oficialmente o acontecimento à direção da Creche UFG, coloco-me à disposição para providências.
Cordialmente,
Professora Rosana Borges
Diretora Presidente da UDUFG Sindicato
Com cópia para Economista Julio Prates - Pró-reitor de Assuntos da Comunidade Universitária
(Ela assina)
A professora Rosana cita o Estatuto da Criança  e do Adolescente que teria sido desrespeitado. Provavelmente não saiba que ele garante à criança liberdade, inclusive para brincar. O texto completo da lei pode ser lido aqui. Cada artigo, cada parágrafo dele tira a razão da professora. O Capitulo II é definitivo e a professora deveria entender o que ele diz, o que ele considera direito à liberdade.
De qualquer forma é lamentável o posicionamento de uma líder sindical que sequer ouve seus liderados e, pior ainda, de uma líder sindical que toma essa atitute porque, embora como cidadã e contribuinte tenha todo o direito de assumir o posicionamento que bem entender, como líder sindical deve ter  discernimento suficiente nos momentos mais delicados o que, parece-me, está lhe faltando agora.
E isso ficou claro no episódio narrado acima, quando ela abandonou uma assembléia.   Hoje são 54 universidades federais em greve. Os professores querem, fundamentalmente, a reestruturação da carreira e isso implica basicamente em alguns pontos:
  •  Que o governo federal passe a ver a Educação como investimento e não como despesa;
  •  Que definamos qual a universidade que a sociedade brasileira precisa: a que privilegia a quantidade, como quer o governo federal, ou que privilegia a qualidade, como querem os professores;
  • Que seja definido um plano que torne a carreira  mais atraente (hoje por exemplo, um técnico com ensino fundamental, ganha mais no próprio governo que um professor de universidade federal);
  • Que os aposentados tenham direito às mesmas conquistas dos professores da ativa porque eles constribuiram a vida inteira na formação de profissionais de todas as áreas do país e é injusto que sejam tratados de forma diferente agora;

Se tivessemos um governo que realmente se preocupa com a consolidação do Brasil como uma nação que não seja subalterna, essas reivindicações nem seriam necessárias, pois não há como se deixar a subalternidade sem investimento maciço na educação.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

GREVE NA UFMT SE TRANSFORMA EM MOMENTO HISTORICO

Maurelio Menezes

Foto: Keka Werneck
Os motivos para se comemorar são muitos. Primeiro a decisão pela greve tomada na segunda feira em Assembléia de se dar um basta  no descaso e na insensibilidade do governo federal que insiste em tratar educação como despesa e não como investimento. Na assembléia ficou claro que os professores querem discutir a universidade que o país precisa e a recuperação da estima e de uma qualidadade que vem sendo colocada em segundo plano em nome da quantidade, aquela necessária para se construir uma nação cidadã e justa, esta para se fazer propaganda e demagogia. Na assembléia, integrantes da administração superior, ao contrario do que tradicionalmente acontecia, votaram a favor do movimento.
Dois dias depois a reitora Maria Lucia Cavalli Neder externou publicamente seu apoio ao movimento dos professores, numa entrevista ao MTTV 2ª Edição da TV Centro America, o telejornal de maior Ibope em Mato Grosso, com, em media, 75% da audiencia entre os aparelhos ligados. Na mesma reportagem, um representante do Diretorio Central dos Estudantes informou a posição oficial dos alunos, de apoio ao movimento dos professores. A reportagem você pode conferir aqui.
No final da manhã de hoje, uma assembléia dos professores do Programa de Pós Graduação em Educação da UFMT, o mais antigo da Universidade, com parcerias com universidades de excelencia no Brasil e no Exterior, decidiu, por ampla maioria, acatar a decisão da Assembleia. Professores e alunos do programa foram informados oficialmente por e mail da  deliberação dos professores, com o seguinte texto:

Caros docentes e discentes
Informamos que na assembléia de docentes do PPGE realizada no dia 18/05/12, foi decidido que, em decorrência da greve, as aulas do mestrado e doutorado em educação ficam suspensas enquanto durar a greve. Serão mantidas as atividades agendadas tais como, bancas de qualificação e de defesa, bem como eventos.  Informamos que com a finalização da greve será definido um novo calendário que não implicará em prejuízos acadêmicos.

Atenciosamente
Tânia Maria Lima Beraldo
Coordenadora do PPGE/UFMT


É um momento histórico na UFMT.  É a primeira vez que um Programa de Pós Graduação toma essa posição (pelo menos nos 17 anos em que la sou professor).  Com a posição assumida publicamente primeiro pela Reitora e agora pelo PPGE, está sendo dado, sem duvida, o primeiro passo para a (re)construção da UFMT como uma Universidade realmente cidadã. Independemente do resultado da greve, com atendimento ou não das reinvindicações,  esta é uma tomada de posição que deixa clara a intenção de não se aceitar manipulações.
Da mesma forma que muitos de nós nos orgulhamos de lutas como as que travamos no passado contra o regime militar, pela anistia, pelas diretas, pela redemocratização do país, ou como as travadas hoje por justiça, por qualidade ambiental de vida, contra tantos desmandos, enfim, lutas que assumimos e continuaremos  a assunir pela construção de uma sociedade pelo menos menos injusta, a conquista deste momento deve ser motivo de orgulho para todos. Que o exemplo maduro e consciente do PPGE, o mais antigo programa de Pós Graduação da UFMT  seja seguido pelos demais programas, o que so fortalece a Universidade como um todo.
E ao fortalecer a Universidade estará sendo fortalecida também a sociedade a quem ela deve prestação de serviços, produção de conhecimentos e geração de cidadania. O exemplo que está sendo dado neste momento é unico na história recente de Mato Grosso, e por isso mesmo precisa mais que nunca do apoio desta sociedade, que, em ultima instancia será a grande beneficiada nesta luta. Que deve ser de todos nós.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PROFESSORES DA UFMT SE UNEM :E GRITAM BASTA!!!! GREVE COMEÇA DIA 17

 Maurelio Menezes

Na assembléia havia cerca de 200 professores. Muito pouco para um universo de algo em torno de tres mil profissionais, é verdade. Mas foi a assembléia que maior numero de professores reuniu nos ultimos 10 anos, quando o governo federal começou investir na pratica reacionária de dividir o movimento sindical. Mais significativo ainda foi o resultado: 3 votos contra, 4 abstenções. E todos os demais votos pela deflagração da greve Nem mesmo os integrantes da Administfração Superior que, feitas as devidas e honrosas exceções, só comparecem às assembléias como tropa de choque  para votar contra o que os professores desejam, não se manifestaram. Vergonha? Impotencia? Não sei.... A consciencia de cada um que responda o motivo.

A partir do dia 17, quinta feira, e por tempo indeterminado, em Cuiaba, Sinop e Barra do Garças os professores não entrarão em sala de aula (os campi de Rondonopolis e Alto Araguaia ainda não se manifestaram). A greve só vai existir porque professores decidiram dar um basta nas manipulações de ações condenaveis em todos os aspectos. Desde o ano passado vinha se enrolando as assoçiações de classe, primeiro com o agora candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e depois com Aloizio Mercadante, apostando na divisão do movimento, divisão que ele sempre incentivou comprando consciencias, inclusive.
Diante da inevitabilidade da greve (33 das 42 universidades ligadas á ANDES, aprovaram o indivativo, 3 se abstiveram e 6 não compareceram à reunião na sexta feira em Brasilia) Mercadante tentou mais um golpe: tirou da gaveta uma Medida Provisória, dona Dilma assinou e publicaram no DO, atendendo a 2 ou 3 pontos da pauta de negociações. Foi uma ultima e desesperada tentativa de dividir o movimento mais uma vez. Não conseguiram. Mas a idéia de Mercadante não era apenas isso. A  Medida Provisõria vai ser, também,  a primeira arma que eles vão usar para tentar desmoralizar a greve e colocar a sociedade contra os professores.
Virão com a velha lenga-lenga: "Eles são intransigentes, atendemos às reinvindicações, mas mesmo assim mantiveram essa posição que é contra o interesse do povo" O mesmo discurso reacionario de sempre. Para que se tenha uma ideia do ridiculo da situação desse governo, a proposta de reajuste salarial dele para um douto rcom algo em torno de 20 anos de experiencia foi de cerca de 80 reais, quantia insuficiente para se comprar um bom livro, cujo preço medio esta acima disso. Além do que, só nos dois ultimos anos o salario desse doutor foi corroido em cerca de 800 reais.
Nos pronunciamentos dos professores que defenderam a greve, houve alguns mais extremados (até de "escroto" o governo federal foi chamado), mas todos estavam alicerçados pela razão. E todos apresentaram por meio de caminhos diferentes a mesma saida: a do Basta! à incompertencia, à insensibilidade, ao descaso, ao abandono e à fuga das responsabilidade dos gestores.
Esse governo precisa aprender que Educação é investimento e não despesa. E vai aprender por bem ou por mal.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

UMA RELIQUIA - ALL OF THE BEATLES AND FOREVER

Maurelio Menezes



Aproveitando a onda da vinda de Paul McCartney ao Brasil (mais uma)  uma reliquia pra você: todas as musicas da maior banda de rock de todos os tempos. Pelo menos para mim. É só você clicar no título e ouvir cada uma das músicas gravadas pelos garotos de Liverpool,  Paul, John,George e Ringo. São 208 músicas  que fizeram sucesso no momento em que foram gravadas, outras que nem fizeram tanto sucesso e outras, a maioria, eternas, que receberam dezenas, centenas de gravações, como Yesterday, a musica mais gravada na história.  Essa relíquia está no link Beatles songs on Youtube .



Divirta-se. As músicas que constam nessa discoteca virtual são:

A Day in the Life
A Hard Day’s Night
A Taste of Honey
Across The Universe
Act Naturally
All I’ve got to Do
All My Loving
All Together Now
All You Need Is Love
And I Love Her           
And Your Bird Can Sing                     
Anna (Go To Him)   
Another Girl
Any Time At All          
Ask Me Why                                       
Baby It’s You            
Baby You’re A Rich Man                     
Baby’s in Black                                   
Back In The USSR    
Bad Boy
Because                       
Being for the Benefit of Mr. Kite!     
Birthday                     
Blackbird
Blue Jay Way             
Boys                                                      
Can’t Buy Me Love  
Chains 
Carry That Weight    
Come Together                                    
Cry Baby Cry            
Day Tripper
Dear Prudence           
Devil In Her Heart                              
Dig A Pony                 
Dig It
Dizzy Miss Lizzie      
Do You Want to Know a Secret         
Doctor Robert          
Don’t Bother Me
Don’t Let Me Down  
Don’t Pass Me By                               
Drive My Car 
Eight Days a Week
Eleanor Rigby
Every Little Thing
Everybody’s Got Something to Hide Except For Me and My Monkey
Everybody’s Trying to be My Baby
Fixing a Hole
Flying
For No One
For You Blue
Free As A Bird
From Me To You
Get Back
Getting Better
Girl
Glass Onion
Golden Slumbers
Good Day Sunshine
Good Morning, Good Morning
Good Night
Got To Get You Into My Life
Happiness is a Warm Gun
Hello, Goodbye
Help
Helter Skelter
Her Majesty
Here Comes The Sun
Here, There And Everywhere
Hey Bulldog
Hey Jude
Hold Me Tight
Honey Don’t
Honey Pie
I Am the Walrus
I Call Your Name
I Don’t Want to Spoil the Party
I Feel Fine
I Me Mine
I Need You
I Saw Her Standing There
I Should Have Known Better
I Wanna Be Your Man
I Want To Hold Your Hand
I Want To Tell You
I Want You
I Will
I’ll Be Back
I’ll Cry Instead
I’ll Follow the Sun
I’ll Get You
I’m a Loser
I’m Down
I’m Happy Just to Dance with You
I’m Looking Through You
I’m Only Sleeping
I’m so tired
I’ve Got A Feeling
I’ve Just Seen a Face
If I Fell
If I Needed Someone
In My Life
It Won’t Be Long
It’s All Too Much
It’s Only Love
Julia
Kansas City/Hey, Hey, Hey
Komm Gib Mir Deine Hand
Lady Madonna
Let it Be
Little Child
Long Tall Sally
Long, Long, Long
Love Me Do
Love You To
Lovely Rita
Lucy in the Sky with Diamonds
Maggie Mae
Magical Mystery Tour
Martha My Dear
Matchbox
Maxwell’s Silver Hammer
Mean Mr. Mustard
Michelle
Misery
Money (That’s What I Want)
Mother Nature’s Son
Mr. Moonlight
No Reply
Norwegian Wood
Not a Second Time
Nowhere Man
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Octopus’s Garden
Oh! Darling
Old Brown Shoe
One After 909
Only A Northern Song
P.S. I Love You
Paperback Writer
Penny Lane
Piggies
Please Mister Postman
Please Please Me
Polythene Pam
Rain
Real Love
Revolution 1
Revolution 9
Rock and Roll Music
Rocky Raccoon
Roll Over Beethoven
Run For Your Life
Savoy Truffle
Sexy Sadie
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
She Came In Through The Bathroom Window
She Loves You
She Said, She Said
She’s A Woman
She’s Leaving Home
Sie Liebt Dich
Slow Down
Something
Strawberry Fields Forever
Sun King
Taxman
Tell Me What You See
Tell Me Why
Thank You Girl
The Ballad of John And Yoko
The Continuing Story of Bungalow Bill
The End
The Fool On The Hill
The Inner Light
The Long And Winding Road
The Night Before
The Word
There’s A Place
Things We Said Today
Think For Yourself
This Boy
Ticket to Ride
Till There was You
Tomorrow Never Knows
Twist and Shout
Two of Us
Wait
We Can Work It Out
What Goes On
What You’re Doing
When I Get Home
When I’m Sixty-Four
While My Guitar Gently Weeps
Why don’t we do it in the road
Wild Honey Pie
With a Little Help From My Friends
Within You Without You
Words of Love
Yellow Submarine
Yer Blues
Yes It Is
Yesterday
You Can’t Do That
You Know My Name
You Like Me Too Much
You Never Give Me Your Money
You Really Got a Hold on Me
You Won’t See Me
You’re Going to Lose That Girl
You’ve Got to Hide Your Love Away
Your Mother Should Know

terça-feira, 24 de abril de 2012

OS NÚMEROS ALARMANTES DA ELEIÇÃO DA UFMT

Maurelio Menezes

Os números não oficiais que havia recebido sobre a consulta para escolha do novo reitor da Universidade Federal de Mato Grosso -UFMT-  não estavam muito longe dos oficiais. Lamentavelmente. Eles são, como eu previra, alarmantes e temos, todos, que pararmos um pouco para um exercicio de reflexão sobre o que eles significam. Quando se fala em Universidade hoje a primeira imagem que vem à mente é a de um centro produtor de conhecimento,  difusor de cidadania, formador de posicionamentos que possam levar nosso país ser pelo menos um pouco menos injusto que o é hoje.
Quando António Gramsci pensou em transformação da sociedade foi muito claro ao defender a idéia que a transformação permanente somente aconteceria quando houvesse uma elevação cultural das massas. Quando ele se referia a isso não pretendia, com certeza, dizer que era necessário que todos se tornassem cultos, no sentido que o senso comum dá a esse  vocábulo. Gramsci pensava em termos de conscientização e da formação de um espirito crítico que levasse a todos (e para ele todos são intelectuais) a definir os caminhos a serem seguidos para se viver numa sociedade menos injusta, mais igualitária. . Com os números da Consulta na UFMT, fica dificil acreditar que um dia isso será realidade, pois afinal, o centro que deveria ser irradiador de um espirito assim mostra-se absolutamente alheio e como afirma o senso comum, "esta se lixando para o que vier por aí".
As informações que tinha é que os três candidatos haviam disputado pouco mais de 8 mil votos num universo de mais de 26 mil. Eles disputaram um pouco mais que isso.
Resumidamente, o quadro final é o que segue:
COLÉGIO ELEITORAL (professores, alunos e técnicos26.712 eleitores
ALUNOS VOTANTES  ...................................................  7.221
PROFESSORES VOTANTES .......................................   1.421
TÉCNICOS VOTANTES................................................   1.432
BRANCOS .......................................................................        70 
NULOS .............................................................................     201
ABSTENÇÃO  ..................................................................  16.367 eleitores

Traduzindo esse resumo, temos que, ao juntarmos a abstenção com os brancos e nulos, teremos um total de  16.664 leitores que simplesmente ficaram alheios ao processo eleitoral que definiu quem vai dirigir uma Instituição que tem um orçamento de 500 milhões de reais e deveria ter uma importância fundamental na vida do Estado.  Esse número corresponde a exatos 62,38947 por cento do Colegio Eleitoral. Como há pessoas que não compareceram por motivos justificáveis e aceitáveis como viagem, saúde e coisas do gênero, vamos arredondar para menos: a abstenção chegou ao absurdo de 62 por cento do total.
De quem é a culpa? Dos três candidatos que não conseguiram despertar nos eleitores o interesse pela eleição? Do pouquissimo tempo que se teve para a campanha, o que sempre beneficia um grupo em detrimento de outros?  Das sucessivas administrações superiores que ainda vivem o espirito do regime militar e governam há décadas a universidade como se ela fosse um feudo próprio onde se faz, sem ouvir ninguem, o que quiser para atender a interesses que acha correto defender?  Do desprezo a que vem sendo submetidos professores, técnicos e alunos ao longo de anos, décadas até? Do governo federal  (não apenas do atual), que prioriza a quantidade em detrimento da qualidade e que  que, ao pagar salários miseráveis e não dar condiçoes de trabalho e aprendizado a professores, técnicos e alunos, fez com que a universidade se transformasse apenas num burocrático pontinho sem importância na vida de cada um? Ou será de todos nós que não estamos fazendo a nossa parte na construção de um centro formador de cidadãos? Aliás, será que esta é a hora de se procurar culpados ou de se tomar uma providência concreta para que essa realidade se transforme de uma vez por todas?
E quem ganha com isso? O grupo que se reelegeu porque se a abstenção fosse menor poderia ter que disputar um segundo turno e ai a história poderia ser diferente? Os grupos que perderam porque ao não convencer os eleitores que valeria à pena comparacerem perderam a oportunidade de implantar um novo pensamento de gestão na UFMT?  Ou será que ganham aqueles que querem destruir cada vez mais a universidade publica, cuja qualidade é a cada dia mais questionada (o curso de Direito, por exemplo, que sempre foi de excelencia, pelo segundo ano consecutivo não consegue o Selo de Qualidade da OAB)?
A atual reitora, reeleita, apresentou na campanha e após ela, sua plataforma. Deveria rasgá-la (como deveriam também os outros candidatos, caso tivessem sido eleitos) e dirigir todas suas energias e de sua equipe no sentido de resgatar a alma da UFMT, uma alma que está hoje no limbo, implorando por socorro. Socorro que, os numeros da eleição (ainda uma vez, eles) mostram que somente será efetivo com uma ação que não foi privilegiada nos últimos anos (e até décadas): fazer de quem realmente é a  UFMT (alunos, técnicos e professores) seres humanos que se sintam cuidados e não espoliados.