domingo, 28 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - I

Maurelio Menezes

O filósofo francês René Descartes fez da dúvida a principal ferramenta para se biscar um conhecimento seguro. Santo Agostinho preconizava que a dúvida é o principio da sabedoria. Pessoalmente, tenho a dúvida como minha principal conselheira e absolutamente todos os momentos. E não é por outro motivo  que frequentemente duvido de minhas próprias convicções. Por isso mesmo desde o dia em que começou a chamada crise da segurança no Rio venho me questionando o que existe por trás disso tudo? Quais os interesses que estão por trás dessa ação, que começou de repente, sem um motivo aparente? A partir de hoje vou postar aqui uma série de consideçãoes, resultados dessas dúvidas e que compõem meu Olhar sobre essa suposta guerra urbana

Nas ultimas semanas, a cada dia se solidificou mais a imagem da história da Vaca na Sala. Você não conhece a história? O sujeito não aguentava mais tantos problemas em casa, que envolviam a mulher, os filhos, as finanças, a saúde, enfim tudo. Procurou um desses gurus de auto ajuda, que o aconselhou a colocar uma vaca na sala. Dias depois ele voltou a procurar o guru afirmando que a situação piorara muito, porque, além de todos os problemas anteriores, agora tinha a vaca sujando a casa derrubando móveis, enfim, provocando o caos. O guru então lhe sugeriu que tirasse a vaca da sala. Ele seguiu a orientação e dias depois voltou feliz porque todos os problemas provocados pela vaca já náo existiam.
Frequentemente, e em Comunicação,  estudamos e aprendemos isso: numa sociedade do espetáculo como definiu Guy Débord, nada melhor que um espetáculo para se esconder alguma coisa ou se desviar atenção de um problema maior( e se o espetáculo não existir necessário é que ele seja montado). Mas qual seria esse problema? Afinal, os ataques incendiarios a carros e ônibus são reais. Imagens como as que invadiram nossas retinas nos últimos dias não se tratam de ficção. Mas alguns detalhes chamam atenção: a maioria dos veiculos incendiados foram ônibus e Vans, que apoiam o transporte coletivo no Rio. Todos, absolutamente todos, os incêndios foram em locais de bastante visibilidade e em horas sem muito trânsito, ou seja, mandava-se um recado e tinha-se campo livre para fuga. Poucas vezes houve feridos, isto é, os incendiários, traficantes ou não, não queriam atacar a população.


Inauguração da UPP do Morro do Turano
Para se entender o que está acontecendo, talvez seja necessário se voltar um pouco no tempo. No final do ano passado, já de olho na reeleição, Sérgio Cabral criou uma política de segurança em parceria  com o Governo Federal, que por sua vez estava de olho na eleição de Dilma, àquela altura patinando nos 20% das intenções de voto. As UPPS -Unidades de Policia Pacificadora- surgiram como a panacéia para todos os problemas da segurança do Rio e um exemplo para o Brasil. A polícia invadia uma comunidade (estão usando o termo comunidade de forma errada, dando a impressão que se trata de um lugar onde vive um bando de gente pobre, sem voz e sem força) e ficava lá com instalação de dependências definitivas. Seria maravilhoso se não se tratasse apenas de uma peça de propaganda, no melhor estilo de Goebels. As inaugurações das UPPs sempre foram realizadas com com grande pompa e com a presença do Governador e em alguns casos do próprio Lula, que participou da inauguração da UPP do Dona Martha, em Botafogo, Zona Sul do Rio. No primeiro comício de Dilma no Rio, sempre ao lado de Lula, é claro, os dois falaram pelo menos 10 minutos cada um sobre as UPPs. Cada UPP, pela sua configuração, teria um quadro com a média de um policial para cada 30 habitantes, ou seja, apenas para o Rio, seriam necessáros 300 mil policiais para trabalhar exclusivamente nas UPPs. Num dos comícios que fez no Rio, para adoçar os olhos especialmente da classe média, Lula irresponsavelmente cometeu o absurdo de afirmar que o modelo das UPPs seria implantado em todo o país no governo Dilma. Em outras palavras, só para as UPPS teriamos que ter um efetivo de 7 milhões de políciais com equipamentos, armas e tudo que uma unidade exige, o que, todos sabem, é tão possivel quanto o Flamengo ser campeão brasileiro de 2010.

Essa ofensiva com o Exercito, Marinha (aliás, porque não convocaram também a Aeronatitica?), e todas as forças locais tornariam desnecessária a curto prazo novas investidas nas UPPs pois  o tráfico estaria liquidado. Estaria? Qual o lider que foi preso na invasão do Alemão? Não chegaram ao asfalto onde estão os verdadeiros benefeciados do tráfico. Assim até agora tudo foi jogo de cena, tudo propaganda. Tudo pirotecnia para desinformados verem.

Amanhã a gente conversa sobre outro aspecto dessa guerra que não é guerra, desse espetáculo circense montado para desviar a atenção das centenas de problemas do Rio que não é isso, uma terra de ninguém. problemas que o governo Cabral jamais conseguirá resolver, não por ser o governo Cabral, mas por se tratar de problemas acumulados ao longo de séculos de cuidados superficiais, cuidados superficiais presentes também no governo Cabral.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ONDE ESTÁ O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL DE MATO GROSSO?

Maurelio Menezes

Porque até agora o Ministério Público Eleitoral de Mato Grosso não entrou pesado em dois assuntos que a Policia Civil deixou passar sabe-se lá porque. Ou melhor, sabe-se, mas não se comenta. Um deles envolve os ex secretários estaduais de Infra estrutura Vilceu Marchetti e de administração Geraldo de Vito. O outro diz respeito ao presidente do PR em Mato Grosso, Wellingtn Fagundes e o ex prefeito de Barra do Garças - MT, Wandeley Farias, também do PR.

A Polícia Civil não descobriu nada , mas as investigações da Justiça Federal, aquelas que, sabe-se lá porque, ou melhor sabe-se, o governador reeleito de MT Silval Barbosa queria impedir tendo recorrido à justiça para isso, não chegou a conclusão alguma. Vilceu Marchetti, de acordo com essas investigações, era modesto: levou apenas 5 por cento do dinheiro desviado na fraude dos maquinários. Suponhamos que Geraldo de Vito tenha levado outros cinco por cento. E o resto da grana? Com certeza foi para o caixa 2 de campanha. De quem? É a primeira resposta que o Ministério Público Eleitoral deve buscar. Todos sabem a resposta, porque ficou claro quem tinha dinheiro na campanha para comprar inclusive jornalistas e veículos de comunicação para atacar os outros e defender o comprador.

Vilceu Marchetti, chorando
Geraldo De Vitto, rindo 
Mas ha outro detalhe. Será que Marchetti, que tem aparecido fazendo teatro às lágrimas,  começou a desviar dinheiro somente agora? É muito provavel que não, porque ninguem se torna impobro de uma hora para outra. Se o governador Silval não tem nada mesmo a esconder, o que duvida-se, deveria colocar sob suspeição todas as licitações feitas pela SINFRA com Vilceu à frente. Afinal se o rombo nas contas do estado hoje é superior a um bilhão e meio (apenas de restos a pagar do ano passado são quase um bilhão de reais)é bem provavekl que boa parte dele tenha sumido pelo ralo da corrupção do atual governo que, ao que tudo indica, tem um tamanho impossivel de se calcular.

Wellington Fagundes : "Venha a nós!"
O outro caso aponta o deputado federal reeleito Wellington Fagundes que seria um dos beneficiários do desvio de dinheiro de uma série de licitações na região do Araguaia. Wellington, surpreendentemente para a maioria dos analistas foi o candidato a deputado federal mais votado concorrendo com gente de peso na corrida eleitoral como Carlos Bezerra, Rogério Salles e Homero Pereira, todos com reduto eleitoral na mesma região que ele. Ao mesmo tempo Wellington gastou os tubos na campanha. Cabe ao Ministério Púboico descobrir de onde venio o dinheiro da campanha e, mais que isso, se foi e o que foi gasto por fora. Para se ter uma idéia da ostentação de Wellington, no dia do debate aqui em Cuiabá, que não é reduto eleitoral dele, na TV Rondon (aquele que mudaram as regras em cima da hora para favorecer Silval Barbosa), na rua havia mais cabos eleitorais de Wellington que dos candidatos ao governo.

Se o Ministério Público Eleitoral fizer sua parte vai confirmar, com certeza, o que todos sabem e comentam em Cuiabá: dessa foi a eleição mais comprada e na qual mais correu dinheiro roubado da história de Mato Grosso. E com certeza muita gente não vai tomar posse e outros que até agora conseguiram se livrar vão tirar férias atras das grades. Com a palavra o MPE.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O DESCASO COM A EDUCAÇÃO SUPERIOR

Maurelio Menezes

Durante a campanha o governo federal tentou passar uma idéia que está cuidando da educação superior, que aumentou o numero de vagas, que o Brasil finalmente entrou no Primeiro Mundo no que se refere a educação superior. Foi desmentido pelos fatos, fatos que por todo o país continuam a mostrar que a educação superior nunca foi tão abandonada.O Brasil melhorou no ranking internacional de pesquisas? Melhorou. Mas muito mais porque hoje, pelo avanço da tecnologia e pelo interesse na iniciativa privada e terceiro setor que por méritos do setor público.


Na UFMT os exemplos são muitos, mas vou me ater a apenas um: uma das disciplinas que ministro na Habilitação Jornalismo do Curso de Comunicação Social, Técnicas de Produção e Difusão em Telejornalismo, não será concluida como deveria por um motivo simples: não há técnicos para a realização com os alunos do conteudo jornalistico produzido por eles. Essa novela se arrasta a vários semestres e, com os alunos, já tomei as mais diversas atitutes, inclusive a suspensão da disciplina, sem que os administradores , a quem cabe resolver esse imbroglio, se dignassem a dar uma solução ao caso . A administração superior se diz impotente para resolver o problema porque o Governo Federal não autoriza a abertura de concurso para técnicos. Ao mesmo tempo nunca se construir tantos prédios quanto nos últimos anos. Ou seja, privilegia-se o espaço fisico mas não o dota do essencial para dar uma formação de qualidade a quem o utilizar. Investe-se na construção de prédios e não se investe na contratação de seres humanos que vão possibilitar a construção do conhecimento nesses predios. E assim os alunos vão saindo da Universidade com uma formação incompleta. Mas para o Poder Central tudo está às mil maravilhas.

Mas o abandono e o desvio do que seria o objetivo, a finalidade do ensino superior não é privilégio da UFMT. A Folha de S.Paulo traz hoje reportagem sobre desperdicio de dinheiro público na UNIFESP, a Universidade Federal de São Paulo (A reportagem pode ser lida aqui). O Ministério Publico Federal constatou que lá o desperdicio é superior a um milhão e duzentos mil reais, prédios que nçao estáo sendo utilizados. Ao mesmo tempo, os alunos iniciaram em greve essa semana por falta de estrutura. Ou seja, joga-se pelo ralo dinheiro que poderia ser utilizado na dotação da infra estrutura necessária à oferta de um ensino superior de qualidade.

Há casos absurdos em que o imóvel foi alugado e devolvido um ano e meio depois sem nunca ter sido utilizado. A foto ao lado, do repórter fotográfico Moacyr Borges da Folha Press,  mostra a entrada de um prédio na rua Borges Lagoa  na Vila Clementino, alugado para o Departamento de Dermnatologia, que chegou a ser ocupado, mas teve que ser desocupado para realização de reformas e até hoje não foi ocupado de fato. Equipamentos, móveis,  estçao amontodos se deteriorando pela falta de uso. A administração superior da UNIFESP,  dois anos depois da primeira denuncia, até hoje não investigou o caso, não apurou se foi apenas incompetencia administrativa mesmo ou se houve fraude com desvio de dinheiro fins inconfessáveis, o que é o mais provável  num país onde a corrupção só faz aumentar devido a impunidade que virou regra e que envolve os mais altos escalões. E ainda querem criar novos impostos ou ressucitar antigos. Para que? Para se ter mais verbas para desviar ou para fazer mau uso?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E AGORA SILVAL?

Maurelio Menezes

O governador Silval Barbosa está entre a cruz e a espada. Ele sofreu sua primeira derrota  após sua reeleição e vai vai ter agpra seu primeiro teste de fidelidade nos próximos dias quando tiver que escolher o novo Defensor Geral. Ele e o presidente da Assembléia, Mauro Savi, fizeram a campanha do atual Defensor Geral, Djalma Sabo Mendes, que, como se sabe, assumiu o cargo há dois anos tendo sido o terceiro colocado na disputa. Tanto Silval quanto Savi investiram pesado para que Djalma fosse reconduzido ao cargo, mas não conseguiram.

Nos corredores da Defensoria comenta-se que a máquina foi usada despudoradamente, apesar do colégio eleitoral ser pequeno, menos de 300 votantes. Promessas não teriam faltado.  Há quem diga também, que o lançamento da candidatura de Valdenir Pereira, irmão do deputado federal reeleito, Valtenir Pereira, também teria sido articulado pelo governador e pelo presidente da AL, numa tentativa de dividir a oposição a Djalma, que foi tão competente  em sua gestão que conseguiu a proeza de unir contra ele grupos adversários comandados pela ex Defensora Geral, Karol Rotini, e pelo ex Corregedor, André Prieto.

O resultado final da eleição, divulgado na própria sexta feira., colocou Prieto em primeiro lugar, Djalma em segundo e Valdenir em terceiro. E aí começou o problema para o Governador que terá que escolher entre os três o futuro Defensor Geral. Moralmente, não há o que discutir: André Prieto foi o mais votado e deveria ser o indicado, principalmente porque Djalma foi rejeitado pelos pares duas vezes e seria um desrespeito sua inidicação mais uma vez sem ter sido o mais votado. O que se comenta é que Silval está pensando duas vezes antes de reconduzir Djalma por um motivo muito simples: optar por ele é comprar briga com os deputados reeleitos José Riva e Sérgio Ricardo que mais uma vez devem comandar a mesa diretora da AL e que jogaram pesado para eleger Andre Prieto.

Será que o governador vai bater de frente com os dois que serão fundamentais para seu primeiro ano de gestão quando terá que tapar um buraco de um bilhão e meio de reais do orçamento do Estado, o que dificilmente conseguirá sem ter do seu lado a AL aprovando o que ele precisar? Se optar por respeitar a vontade das urnas, Silval irá contra os interesses do Promotor Paulo Prado e do Ministro do STF GilmarMendes, além de estar traindo seu afilhado.

sábado, 6 de novembro de 2010

O RISCO A SER EVITADO VI - O Exemplo de Indira Ghandi

Maurelio Menezes

O sexto Olhar sobre mulheres que, como Dilma Roussef, foram as primeiras a assumir o comando de seus países é sobre uma mulher cujo sobrenome lembra paz, que fez esforços no sentido de conseguí-la, mas que não pensou duas vezes quando precisou ir á guerra e acabou vitima da violencia, assassinada por dois de seus guarda costas. Os primeiros cinco olhares (acesse clicando nos nomes) foram sobre a israelense (nascida na Ucrania) Golda Meier, a argentina Isabelita Perón, a bela paquistanesa Benazir Bhutto e a alemã Angela Merckel e a britanica Margareth Tatcher. Todas e mais Indira Ghandi, a personagem de hoje, tomaram posse como grandes esperanças e usando como figura de marketing o fato de serem a primeira mulher a governar seus países. Todas, apesar disso e de algumas conquistas, fracassaram no essencial. O motivo? Essas mulheres, como ja escrevi nos Olhares anteriores têm em comum um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo da vida não terem se destacado como representantes legítimas das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: com o fracasso em setores fundamentais, todas, em maior ou menor grau, apesar de conquistas,e com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países.

O olhar quase sempre distante, frio, triste até, contrastando com o sorriso das fotos posadas mostra bem o contraste que foi a vida de Indira Gandhi, adorada  e odiada por milhões. Apesar do nome, ela não tinha parentesco algum com Mahatma Gandhi. Nascida Nehru, ganhou o Gandhi de seu marido, Feroze, que também não o tinha, mas o acrescentara por motivos políticos. Para alguns teóricos foi uma das mais destacadas políticas da história, porque tinha o raro poder de convencer multidões.

Antes se se transformar, em 1966, na primeira mulher a comandar a patriacalista India, Indira fora Presidente do Congresso e Ministra da Informação e Radiodifusão. Seu primeiro ato foi se unir à esquerda e destruir as lideranças tradicionais do Congresso. Foi considerada uma excelentre estrategista porque concentrou o poder em si própria, escolhendo auxiliares fracos, além de disseminar a cisão no Congresso para criar seu próprio partido.

Em 1971  foi reeleita convencendo a multidão que iria mudar a vida dos indianos (seu slogan  era Garibi hatao! ou Acabar com a pobreza!). Não cumpriu, mas a exemplo de Margareth Tatcher fez da guerra uma ação de marketing, transformando o Paquistão em suas Ilhas Malvinas, com um detalhe: na guerra os paquistaneses eram apoiados pelos Estados Unidos. Mesmo assim Indira conseguiu que fosse criada a República de Bangladesh, o que elevou a auto estima do povo que, mais que nunca passou a adorar Indira. Na época, de acordo com o instituto Gallup, o mais conceituado do mundo. Indira era a governante com maior apoio popular no mundo.

A partir daí a ascenção de sua popularidade foi meteórica, mas na década de 70 despencou, quando foi acusada de crimes eleitorais na reeleição de 1971. Ao ser considerada culpada pela Corte, e ter seus direitos suspensos por seis anos, Indira disse que iria dar um tempo na democracia, dando um golpe, declarando Estado de Emergencia, e passando a governar o país de forma ditatorial.

Foi nessa época que tomou suas decisões mais polemicas mas que tiveram grande apoio popular, como, na contramão do que apontavam os economistas, nacionalizar os bancos (muitos bancos provados haviam falido e arrastado parte do depósito do povo com eles). Indira também interrompeu o pagamento de pensão pessoal á casta dos príncipes que haviam perdido o poder com a independencia do pais.

O grande programa de Indira  foi realizado na agricultura, onde diversificou a cultura e deu um passo grande no combate à fome no pais.Conhecido como Revolução Verde o programa foi fundamental para que a India se tornasse autosuficiente na produção de cereais, o que praticamente acabou com a importação de grãos pelo país. Esse esforço fez com que ela passasse a ser conhecida como a Mãe da India. Mas nem isso foi suficidente para impedir sua derrota em 1977 que aconteceu extamanente em função das medidas que tomou contra a liberdade, e que levaram o povo a pensar num retrocesso que os levasse ao estado anterior à independencia.

Entre essas medidas, criticadas em todo o mundo livre, estavam a redução das liberdades civis,  dissolução das Assembléias oposicionistas, perseguição, prendendo e, de acordo com denuncias, mandando torturar lideres da oposição. Os meios de comunicação foram censurados e boicotados (frequentemente ela mandava cortar a energia elétrica dos prédios onde eles funcionavam). Com maioria no Congresso editou leis cada vez mais duras sempre sem discussão nem debate. Sua derrota em 1977 foi saudada no mundo como a queda de mais uma ditadura.

Apesar do apoio das classes mais pobres e mais jovens, que a levou de volta ao poder em 1979 (ela governou de uma forma mais branda até ser assassinada em 1984), até hoje sua passagem pelo poder é controversa, pelo período ditatorial e pela guerra aos sikhs considerada por muitos como o maior genocídio da história do país e pelo qual a responsabilizam totalmente. Somente na invasão do Santuário Harmindar Sahib seus soldados mataram quase cem soldados sikhs e cerca de 500 civis. As posições belicistas de Indira criaram uma comoção entre seus seguidores que passaram a perseguir os sikhs e em apenas uma destas investidas mataram mais de dois mil inocentes.

Indira foi assassinada por dois guarda costas, Beant Singh, que foi morto no próprio local do assassinato,  e Satwant Singh, enforcado  quatro anos depois. Indira foi substituida pelo filho mais velho, Ragiv Gandhi, que em 1991 teve o mesmo fim da mãe (o filho mais novo dela, Sanjay, morrera num atentado em que o avião que estava explodiu no ar). A viuva dele, Sônia Gandhi, que é italiana, conseguiu, na base da emoção, formar uma grande coalização e levar o partido do marido à vitória nas eleições de 2004, mas se recusou a assumir o cargo de Primeira Ministra, afirmando que o sangue dos Gandhis não correrá mais pela India.  

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O RISCO A SER EVITADO V - O Exemplo de Margareth Tatcher

Maurelio Menezes

A mulher que popularizou o apelido Dama de Ferro, que originariamente fora dado a Golda Meier, é a personagem do quinto Olhar sobre mulheres que, como Dilma Roussef, foram as primeiras a assumir no último século, o comando de seus países. Os primeiros quatro olhares (acesse clicando nos nomes) foram sobre a israelense (nascida na Ucrania)  Golda Meier, a argentina Isabelita Perón, a bela paquistanesa Benazir Bhutto e a alemã Angela Merckel. Todas e mais Margareth Tatcher, a personagem de hoje, tomaram posse como grandes esperanças e usando como figura de marketing o fato de serem a primeira mulher a governar seus países. Todas, apesar disso e de algumas conquistas, fracassaram no essencial. O motivo? Essas mulheres, como ja escrevi nos Olhares  anteriores têm em comum um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo da vida não terem se destacado como representantes legítimas das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: com o fracasso em setores fundamentais, todas, em maior ou menor grau, apesar de conquistas,e com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países.


Margareth Tatcher  chegou á politica pelas mãos do marido, empresário da industria petrolifera e membro do Partido Conservador, que a elegeu para a Câmara dos Comuns em 1959, aos 34 anos de idade. Dois anos depois ja era Secretária de Estado para Assuntos Sociais e logo depois assumiu o Ministério da Educação e Ciência (ela se formara em Ciências Químicas em Oxford). Como Ministra uma de suas primeiras ações foi polêmica e provocou uma onda de protestos: acabou com a distribuição gratuita de leite nas escolas (alegava que a maioria não precisava da gratuidade).

Considerada a mais enérgica lider da ala direita do Partido Conservador assumiu o comando do partido em 1975 e apresentou uma proposta de programa economico que quatro anos mais tarde levaria os Conservadores ao poder, com ela se transformando na primeira mulher a exercer o cargo de Primeira Ministra no Reino Unido. As diretrizes básicas desse programa, que tinha como objetivo tirar o país da grave crise economica em que se encontrava, previa  a diminuição da intervenção estatal na economia, um amplo programa de privatização, a redução dos serviços sociais e do poder dos Wags Councils,  Conselhos que definiam os salários no pais. Com isso praticamente aboliu o salário mínimo, visto pelos Conservadores como um gargalo à administração (o Salário Minimo na Inglaterra somente viria a ser restabeleido vinte anos mais tarde, em 1999, por Tony Blair).



Como Primeira Ministra conseguiu de inicio interromper drasticamente a evolução da inflação (que mesmo assim chegou a 20 por cento ao ano) e valorizar a Libra Esterlina que passou a valer mais que o dólar americando, que desde a Segunda Guerra se transformara na moeda comercial em todo o mundo. Como efeito colateral de sua política economica, houve uma queda na produção industrial e, consequentemente, o aumento do desemprego em mais de 300 por cento. Outra consequencia de curto prazo foi a quebra de bancos e empresas, que, como no Brasil, ganhavam fortunas com a inflação e não sabiam viver sem ela. A consequencia a médio prazo foi a recessão, oficialmente assumida em 1981.


Até essa época o mundo a respeitava. O apelido de Dama de Ferro que pegou emprestado de Golda Meier passou a ser usado depois que o presidente americano Ronald Reagan a chamou de Homem Forte do Reino Unido pela forma dura e masculina com que exercia o poder. Mas a situação começou a mudar quando ela fez severas críticas à União Soviética, acusando Leonid Brejmev de desrespeito aos direitos humanos mais elementares (na época a URSS tentava ocupar o Afeganistão onde acabou derrotada por Osama Bin Laden que teve ajuda dos americanos). Para dse defender, Bejnev criticou as medidas economicas adotadas por ela. Socialistas de várias regiões do mundo assumiram as criticas do líder comunista e a colocaram como alvo principal de suas miras.

A redenção de Thatcher veio no ano seguinte, de forma propagandista. Na época, o regime Militar que dominava a Argentina tentou fazer marketing ao invadir e tomar as Ilhas Falklands, potentado britanico no Atlantico e as rebatizá-las de Malvinas. Tatcher interveio, soube usar a guerra a seu favor  e sua intervenção teve apoio maciço da opinião pública. O resultado da vitória dela na guerra (que teve apoio logistico dos Estados Unidos) foi o inicio do fim do regime militar na Argentina e uma vitória esmagadora dos Conservadores, apesar da recessão e do desemprego. Em 82 eles conseguiram a maior vitória ja conquistada nas urnas por um partido do Reino Unido.

O Partido Trabalhista continuou a minar os programas de Tatcher, incentivando greves como a dos mineiros, que foi reprimida com dureza e que a colocou como alvo de atentatos a bomba. Tatcher reagiu limitando o direito de greve  e intensificando o combate ao desemprego sem abrir mão de sua politica de privatização. De positivo nessa época foi a reaproximação com a Irlanda com quem definiu uma política de combate ao terrorismo.


Na nova vitória dos Conservadores em 1987, o começo do fim. A maioria conseguida no parlamento foi muito pequena e a gota d'água, de acordo com historiadores, foi a criação do Pool Tax, um imposto que quanto maior a quantia que tem que se pagar menor é a aliquota. Assim teoricamente, os mais pobres pagariam mais impostos que os mais ricos. O resultado foi uma grande pressão popular que a levou a renunciar ao cargo e 1990 e voltar á Cãmara dos Comuns onde ficou ate 1992 quando recebeu o título de Baronesa de Kesteven e passou a fazer parte da Câmara dos Lordes, onde está até hoje, quando se prepara um filme sobre sua vida, The iron Woman, que, pelo que foi divulgado há cerca de um mes,  deverá ser estrelado por Meryl Streep e que de acordo com os produtores "conta a história de uma mulher que superou as barreiras de gênero e classe para ser ouvida em um mundo dominado por homens. A história mostra o preço que se paga pelo poder e é um retrato surpreendente de uma mulher extraordinária e complexa".

O sexto Olhar sobre mulheres que foram as primeiras a assumir o comando de seus países será sobre Indira Gandhi, assassinada em 1984 pelos seus dois guarda costas, teoricamente por motivos religiosos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O RISCO A SE EVITAR IV - O Exemplo de Angela Merkel

Maurelio Menezes

Depois de apresentar Olhares sobre Golda Meir, Isabelita Perón e Benazir Bhutto, o quarto Olhar da série de mulheres que, como Dilma Roussef, assumiram em regimes republicanos, o comando de seus países  é sobre Angela Merkel, Primeira Ministra da Alemanha desde 2005, que tem visto nos ultimos tempos sua popularidade, a popularidade de seu partido, o CDU -União Democrata Cristã- e seus principais programas desceremn ladeira abaixo, além de, de acordo com alguns analistas, estar fazendo um mal muito grande aos demais países europeus. Essas mulheres, como ja escrevi nos Olhares  anteriores têm em comum um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo não terem se destacado como representantes legítimas das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: todas, em maior ou menor grau, apesar de conquistas,e com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países e acabaram, de uma forma ou de outra, sucumbindo.

Considerada no ano passado pela Revista Forbes,  como a mulher mais poderosa do mundo, Angela Merkel chegou ao poder apadrinhada pelo então Primeiro Ministro alemão Helmut Khol, no governo de quem fora Ministra da Mulher e da Juventude (no primeiro governo da Alemanha unificada, em 1990) e Ministra do Meio Ambiente.  No início uma figura apagada na CDU, aproveitou-se de um escandalo de corrupção que atingiu seu padrinho e ocupou espaço a ponto de ser apontada como a única pessoa que poderia  assumir a liderança do partido e tirá-lo da enrascada em que fora metido por Khol. 


Embora aparentemente e para consumo externo seja uma excelente governante é muito criticada internamente, especialmente em áreas que deveria se destacar como a social. Há algumas semanas apresentou um pacote econômico que prevê cortes em investimentos e uma austeriadade não vista nem mesmo quando a Alemanha saiu derrotada na Segunda Grande Guerra mundial. Os cortes serão principalmente na área social com demissões em massa em funções públicas e  nas Forças Armadas que terão reduzido seu efetivo em cerca de 20%. Além disso a proposta prevê aumento de impostos em áreas essenciais, como na geração de energia nuclear, o que vai encarecer a conta do consumidor na ponta final do consumo. A idéia dela é economizar só no ano que vem onze bilhões de Euros. Com isso Frau Merkel espera diminuir a dívida publica da Alemanhta que em seu governo chegou a 73% do PIB. De acordo com o Financial Times, a política econômica de Merkel é tão frágil eque não convence nem mesmo o mercado interno. Resultado: o indice que mede a confiança dos investidores na Alemanha medido pelo independente Instituto ZEW, caiu de 21,1  pontos em julho para 14 em outubro, o pior nivel em cerca de dois anos.

Mas as criticas a Merkel não se resumem à economia. Conhecida por excentridades como beber, e muito, cerveja em público e eventualmente desfilar com modelos pouco aconselháveis a uma Chefe de Estado, acabou se tornando numa da personagens favoritas dos caricaturistas, apontados pelos defensores dela, como machistas.

Sempre papariacada pelos poderosos, Frau Merkel é acusada de ser joguete na mão deles. Para muitos essa paparicação teria sido o motivo que a levou a apoiar a invasão americana ao Iraque, bem como a tomar decisões que agradem alguns parceiros, embora prejudique a cada vez mais frágil União Européia. O resultado disso é que os indices de aprovação dela e do próprio partido têm despencado e hoje, caso as eleições fossem antecipadas (o mandato dela vai até 2013) ela não conseguiria se reeleger.

De acordo com dados da Forsa, principal Instituto de Pesquisa alemão a CDU, de Merkel, e a União Social-Cristã -CSU-, partido-irmão bávaro da legenda, teriam apenas 30%  enquanto o aliado partido Democrático-Liberal (FDP) não passa da barreira de 5%, necessária para entrar no Parlamento. de acordo com o  Forsa, esse é o pior desempenho da centro-direita, desde que começou a fazer pesquisas para a revista Stern, em 1986. As taxas de aprovação do governo também registraram forte queda desde a reeleição de Merkel em outubro do ano passado, à frente de uma coalizão de conservadores e liberais que teve de deixar de lado promessas de campanha como cortes de impostos e tem travado disputas sobre a realização de reformas.

Enquanto isso seu outrora aliado na chamada Grande Coalizão, o Partido Social Democrata -SPD-, tem se recuperado após registrar seu pior resultado eleitoral no pós-guerra no ano passado. Hoje ele, que tem como aliado o Partido Verde, contaria com 47% de apoio, o que seria o bastante para lhes dar uma maioria na câmara baixa do Parlamento.

Para complicar ainda mais, um dos grande programas sociais de  Angela Merkel, compromisso dela com a juventude da CDU, o multiculturalismo  que previa a integração de imigrantes está fazendo água a ponto dela reconhecer publicamente  num festa com a Juventude que “O conceito multicultural não funcionou.

O autoritarismo, que seria uma outra caracterítica sua, o fracasso na política economica, a falta de investimentos em programas sociais, as demissões em massa, a rendição aos interesses especialmente americanos em prejuizo da União Européia deu a Angela Merkel um novo apelido, o de Adolf Merkel e, mais uma vez a tornou objeto de caricaturas pouco lisongeiras.

Ela vai conseguir reverter a situação? Dificilmente, dizem os críticos, porque ela escolheu os caminhos e as companhias erradas para reverter essa situação.