quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A UNIVERSIDADE QUE EU NÃO QUERO - I

Maurelio Menezes

“Precisamos debater a universidade que queremos”. Provavelmente não há ninguém na academia que jamais tenha ouvido esta frase, que é apenas uma frase porque raramente este debate toma mais que alguns minutos nos encontros e assembléias. Eu confesso que não sei, com todos os detalhes, que universidade eu quero, mas tenho certeza qual a universidade que eu não quero.
Não quero, por exemplo, uma universidade que não respeite os portadores
de qualquer tipo de deficiência, ou seja lá como se diz isso hoje, de acordo com o vocabulário politicamente correto do momento, porque a mesma universidade que cria termos que teoricamente significam respeito a esses cidadãos, na prática os discrimina, os desrespeita e faz absolutamente tudo para dificultar suas vidas como se elas já não fossem dificultadas o suficiente pela própria vida.
Há algum tempo vem sendo travado um debate sobre o que fazer com o portão que dá acesso à Universidade Federal de Mato Grosso pela Avenida Fernando Correa da Costa. Até alguns anos havia ali uma catraca daquelas que alguém com uns quilinhos a mais não conseguia passar. Havia também um caminho tortuoso com degraus desnivelados. Para se chegar ao Instituto de Linguagens, Instituto de Educação e “adjacências” era uma aventura igualmente tortuosa até mesmo para quem não portava nenhum tipo de necessidade especial. Com isso, um cadeirante precisava dar uma volta de alguns quilômetros para chegar até seu local de aula.
Seguindo uma política de inclusão, e com verba própria, o Instituto de Linguagens, dirigido pela professora Rosangela Cálix, reformou tudo: instalou um portão largo o suficiente para permitir o acesso sem dificuldades dos cadeirantes, construiu uma rampa com inclinação mínima, e até instalou sinalizadores para facilitar a caminhada dos portadores de deficiencia visual, aqueles que antigamente eram chamados de cegos.
Agora em nome de uma segurança que não existe, querem voltar com a catraca e construir um portão para os cadeirantes, portão que ficará fechado a cadeado. Mas quem abrirá este portão para eles? "O guarda", dizem os defensores do fechamento. Mas e quando o guarda não estiver ali? Sim, porque o guarda atende a três Institutos e fica a maior parte do tempo circulando. "Bem aí o cadeirante espera". Assim, se ele der sorte, ficará apenas umas duas ou três horas esperando.
No mundo inteiro as soluções hoje são pela acessibilidade, mas na
Universidade Federal de Mato Grosso a opção parece ser pela inacessibilidade, pelo desrespeito ao Ser Humano, especialmente àqueles que sofreram algum tipo de infortúnio físico. Essa universidade de < cegos, definitivamente, eu não quero. Também não quero uma universidade que privilegia a construção de prédios em detrimento da contratação de servidores. Mas isso é assunto pra outro dia.

Um comentário:

  1. Concordo com o que você coloca nesse post, certas coisas não devem ser aceitas, a acessibilidade gera uma discussão ampla e não dá pra adiar essa questão.

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    Ramona Tequila
    mundoramona.blogspot.com

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