segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O OLHAR DE NOBLAT SOBRE UM GOVERNO NADA MAIS QUE MODESTO

Maurelio Menezes

O jornalista Ricardo Noblat usou em o Globo de hoje todo seu espaço para comentar O Legado de Lula. É um olhar parecido com o que tenho postado aqui. Em outros momentos serve de contraponto a meus Olhares. por isso vale a pena você conhecê-lo.

O LEGADO DE LULA



Na próxima sexta-feira sairá de cena o governo de um único protagonista! Entrará o governo dos coadjuvantes do governo passado.

O período de oito anos de Lula foi construído sob medida para que ele, Lula, brilhasse sozinho. Deu certo. Nada indica que a história se repetirá no período de quatro ou de oito anos da presidente Dilma Rousseff.
Talvez seja melhor assim. O presidencialismo entre nós concentra poderes excessivos nas mãos de uma só pessoa. E isso não é bom para uma democracia que atravessa pela primeira vez, dentro da normalidade, três sucessões consecutivas.
Fernando Henrique recebeu a faixa presidencial de Itamar e a repassou a Lula, que a repassará a Dilma.
O primeiro momento de Lula como presidente da República foi de natural perplexidade. Seria possível a um ex-pau-de-arara e ex-favelado, que passara fome e sequer completara os estudos, acabar eleito para governar seu país? Depois de ter sido derrotado três vezes, Lula custou a acreditar.
O segundo momento foi de pavor. Coincidiu com o escândalo do mensalão, que levou Lula, em julho de 2005, deprimido por uns tragos tomados a mais, a falar em renúncia ao mandato. Soubera que o publicitário Marcos Valério, um dos operadores do pagamento de propinas a deputados, ameaçava contar tudo.
O então ministro José Dirceu, chefe da Casa Civil, foi acionado para negociar o silêncio de Valério e assim sossegar Lula. Teve êxito. Mas dali a mais um mês ou dois, obrigado a pedir demissão, reassumiu a vaga de deputado federal para ser cassado. Enfim, era preciso entregar alguma cabeça coroada para que Lula preservasse a sua.
O terceiro momento de Lula na presidência foi de esplendor. E de puro encantamento com ele mesmo. Reeleito em 2006, amparado por uma economia em expansão e idolatrado pela clientela dos programas sociais, passou a se comportar como um enviado de Deus. Ninguém mais do que ele alimentou o culto à própria imagem.
Por pouco não caiu na tentação de gastar parte de sua popularidade para vencer no Congresso a batalha por mais um mandato. Sondou a respeito governadores do PT e de outros partidos, além de auxiliares próximos. E aborreceu-se com alguns que se opuseram à idéia com veemência. Alô, alô, governador Jaques Wagner, da Bahia!
Está de saída porque não tem outro jeito. Mas deixa em seu lugar uma aliada fiel. Que a ele, unicamente a ele, deve sua eleição. E que ele espera lhe seja fiel até o último dos seus dias na presidência.
Que dia será esse? Por ora, Dilma não faz idéia. Lula deve fazer, mas não conta a ninguém. Até porque pode mudar de idéia.
Lula abusa da credulidade dos brasileiros quando reescreve a história do país como se ela pudesse ser dividida em duas fases: antes dele e depois dele.
Os desafetos de Lula incorrem no mesmo erro quando defendem a tese de que ele se limitou a dar continuidade à política herdada dos seus antecessores – além de ter tido muita sorte.
Nenhum presidente fez tanto pelos brasileiros mais pobres do que Lula – e esse será seu grande legado. Em oito anos de governo, o número de pobres foi reduzido a menos da metade. O programa Bolsa Família é uma invenção do governo anterior, eu sei. Mas foi com Lula que se expandiu e hoje atende a quase 13 milhões de famílias.
Quem elege os governantes numa democracia é o povo. Quem tem mais autoridade para julgá-los é ele.
Lula foi tolerante e cúmplice com o desrespeito à moralidade pública? Foi. Mas nem isso o impediu de chegar ao fim do governo com a aprovação de 83% dos seus conterrâneos. Tamanho grau de aprovação é um equívoco? Bobagem!
É fato que o povo, só por deter a autoridade suprema numa democracia, não é necessariamente sábio. Mas aonde um regime de sábios, respeitando os direitos do povo, foi capaz de conduzi-lo a uma situação melhor?
Recolha-se a São Bernardo do Campo, Lula! Tome uma por mim. E deixe Dilma acertar ou errar em paz.

sábado, 25 de dezembro de 2010

QUÉRCIA, POLÊMICO E DECISIVO

Maurelio Menezes

Em 1974, fui um dos jovens que se transformaram em cabos eleitorais de um jovem candidato ao Senado e o ajudaram a se transformar no Homem de Seis Milhões de Votos. Proporcionalmente é a maior votação que alguém já conseguiu no país, um número que dificilmente alguém alcançará. Orestes Quércia, um jovem empresário da área de Comunicação que havia sido prefeito e deputado estadual em Campinas era, para nós, a encarnação do novo, a possibilidade de uma representação no antiquado senado, tradicionalmente um reduto, para nós, das velharias da política nacional. O discurso que ele preparou para a posse era a concretização do que esperávamos. Ele seria mesmo a nossa voz: iria denunciar as perseguições dos militares e de políticos da direita conservadora à juventude e aos que lutavam pela democracia no Brasil.

No dia da posse o Correio Brasiliense estampou a manchete : Quércia é Corrupto! Ficamos indignados com aquela manifestação de um jornal vendido, como tinhamos certeza que era o CB. Mas veio a posse, com ela um discurso brando, vazio mesmo. Das denúncias fortes prometidas, nada. Nos quatro anos seguintes, o jovem Senador ficou escondido. Foi como se não tivesse sido eleito. Aos poucos a ficha caiu: os militares, via SNI, investigaram a vida dele e descobriram o que anos mais tarde todo o país comentaria. Quércia estava envolvido em todo tipo de falcatruas possiveis e imagináveis. A manchete do Correio Brasiliense fora apenas um recado do tipo Nós sabemos o que você andou fazendo por ai, logo fique quietinho senão... Para mim e para outras centenas de voluntários cabos eleitorais que nessa época íamos às ruas ideologicamente, foi uma decepção e, ao mesmo tempo, um aprendizado que se ajudou a solificar a defesa da necessidade de sempre se duvidar, seja lá do que ou de quem for.

O mesmo Quércia que se apequenou diante da manchete do CB (e certamente o fez porque tinha mesmo o rabo preso) foi fundamental, quase vinte anos depois no primeiro grande teste de sobrevivência da jovem Democracia brasileira. Quando o governo Collor começou a fazer água devido a denúncias do irmão Pedro (que certamente só as fez por não ter seus interessentes atendidos pela duplaF Collor - PC Farias ou mesmo por se sentir ameaçado pelos dois), o PMDB partido mais forte do país, que tinha em Ulysses Guimarães seu grande líder, era contra o impeachment. e sem o apoio  dos peemedebistas Collor não seria deposto. Lula presidia o PT nessa época. E Tasso Jereissati presidia o  PSDB, que nascera extamente pela existencia e pela prática política de Quércia (ele, eleito vice governador de Franco Montoro em 1982, foi aos poucos cooptando a peso de ouro os fisiologistas do partido -que eram maioria-, o que fez com que descontentes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, o próprio Montoro, Sérgio Motta, José Serra, entre outros, se rebelassem e criassem um novo partido baseado na Social Democracia, o PSDB).

Lula se reuniu com Tasso (que ironicamente hoje ele tem como inimigo declarado) e juntos foram a Quércia. Ninguém, a não ser o proprio Lula e Tasso, sabe os termos da conversa, mas a partir dessa conversa Quércia se transformou no cabo eleitoral número um do impechment, patrolando lideres como Ulysses e Sarney. Ulysses que não era bobo nem nada, quando percebeu que estava perdendo o bonde da história, virou o jogo, assumiu a luta contra Collore acabou ficando com as glórias, se bem que por pouquissimo tempo porque duas semanas depois da votação do impechment ele  morreria num acidente aéreo aqui no litoral do Rio.

Com o enterro do corpo de Quércia hoje em São Paulo enterrou-se parte da história política do Brasil, uma história dúbia por excelência em que a esperança de hoje é a decepção de amanhã, os vilões de hoje são os heróis de amanhã e que o povo nunca é convidado para participar da costura dos acordos celebrados por amigos de hoje que serão inimigos amanhã e especialmente das decisões que mudam a vida dele, embora lhes vendam a ilusória sensação que, ao eleger seus representantes, está decidindo o futuro do pais.  

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BALANÇO DE UM GOVERNO NADA MAIS QUE MODESTO - III

Maurelio Menezes

O Blog do Planalto, investida oficial do governo federal nas Midias Sociais ocupa bastante espaço para tentar mostrar que os 8 anos de Lula foram os melhores da história do país. A maioria dos textos é assinada por ainda Ministros e é mais que evidente que eles só poderiam dizer isso. Na maioria dos textos fica claro também o viés autoritário desse governo para o qual opinião correta é a opinião que elogia seus feitos, caso contrário trata-se de conspiração direitista. No Blog  se referem à imprensa (para os autores Imprensa, Rádio,  TV e Internet é tudo a mesma coisa) como algo com visão torta.

Lendo a defesa feita por eles, lembrei-me de minha Dissertação de Mestrado, Jornalismo: uma Ilusão Perdida?, defendida na ECA/USP na qual pesquisei a filosofia do jornalismo. Um de meus entrevistados foi o jornalista político Villas Boas Correa, uma da smais completas biografias do jornalismo brasileiro, com quem tive o prazer de trabalhar nos anos 80 nas redes Bandeirantes e Manchete. No capítulo em que estudo os Conceitos de Jornalismo, ele faz uma referência ao pessoal do Comercial que cabe como uma luva no pensamento de alguns governantes, inclusive do presidente Lula.  Disse Villas
Eu estou convencido que esse pessoal do segundo escalão dos jornais, o pessoal que gerencia, odeia jornalista. Para eles os jornalistas são todos uns chatos e o ideal seria um jornal que não tivesse noticia, só anúncios, porque o jornalista chateia a empresa, arranha os interesses da empresa, os interesses do anunciante.
Para Lula (e, justiça seja feita, para muitos prefeitos, governadores e parlamentares) jornalismo bom é aquele apregoado desde sempre por Silvio Santos: o que fala bem. Afinal, para eles seria ótimo que não se fizesse,por exemplo, a leitura correta da área social do governo. Não se divulgasse que a única política social criada pelo atual governo foi o Fome Zero, que fracassou redondamente. Lula e seus ministros adorariam que não se divulgasse que o Bolsa Família nada mais é que a unificação de todos os programas sociais criados pela ex Primeira Dama Ruth Cardoso, ela sim uma pessoa com visão social. Lula e seus ventríloquos adorariam que não se divulgasse que nem mesmo a idéia da unificação foi dele e de sua equipe. A sugestão foi dada ao Presidente por um tucano, o então governador Marconi Perilo, de Goías (eleito mais uma vez em outubro, derrotando o candidato de Lula). No lançamento do Bolsa Familia, em 2003, o próprio Lula  agradeceu  ao governador a idéia, como pode se constatar no video abaixo:




A diferença da idéia de Ruth Cardoso é que para ela os programas sociais assistencialistas seriam transitórios, já que paralelamente seriam desenvolvidas ações que permitessem o crescimento das familias assistidas. Sem capacidade para isso, o governo não só aumentou o assistencialismo como faz questão de manter seus assistidos no nivel abaixo da pobreza para que eles vejam na miséria que recebem a salvação de suas vidas. Lamentável, como lamentavel também é o fato de não se ter a curto ou médio prazo perspectivas de um programa decente no sentido de construir cidadãos e não apenas lhes dar uma esmola viciante.

 O reflexo disso é a falta de programas sociais nos estados e municípios onde, feitas as devidas e honrosas exceções, casamento comunitário se transforma em política social de governantes (como foi o caso de Mato Grosso).  Lula, ele proprio um retirante nordestino, deveria ter feito jus ás raízes e ter ouvido mais Luiz Gonzaga que no delicioso  e comovente Vozes da Seca (ouça aqui) que compôs com Zé Dantas na década de 50 ensinava: "Seu dotô uma esmola a um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão"

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

BALANÇO DE UM GOVERNO NADA MAIS QUE MODESTO -II

Maurelio Menezes

Aqui no Rio brinca-se muito que  usar o termo flamenguista doente é pleonasmo, já que todos os flamenguistas são doentes. Pode-se aplicar o mesmo aos petistas e especialmente aos lulistas. Para alguns com quem conversei "considerar que o governo de Lula foi nada mais do que modesto é um ultraje". Outros com quem não conversei com certeza compactuam com esse pensamento. Para eles, os números não merecem crédito, porque números que depõem contra o Santo Lula são números conspiratórios de uma direita nacional e internacional, etc., etc. Para eles, por exemplo, nunca antes na história deste país a economia obteve tanto sucesso. Não é o que dizem os fatos.

Um tucano para salvar o PT
A estabilidade da economia nos dias de hoje é consequencia do Plano Real, o mesmo que foi detonado pelo PT, por Lula, que o taxou de mais um estelionato eleitoral, e contra o qual o PT votou e boicotou por 8 anos de todas as formas que pode. Quando assumiu, sem ter política economica alguma, Lula foi buscar no que chamavam de neoliberalistas alguém para conduzir a política economica. Primeiro pensou-se em Arminio Fraga, chamado pouco tempo antes de assecla do megaespeculador Georges Soros. Sem condições de conseguir sua aquiescencia, apelou-se para o tucano de Goiás Henrique Meirelles, ligado radicalmente ao capital internacional, que deu continuidade à política economica tucana, aquela mesma metralhada incansavelmente pela base de Lula. Aqui um mérito de Lula. Consciente que não tinha política economica deu autonomia ao Banco Central, o que garantiu a estabilidade do Real. Mas no que estava além dos poderes de Meirelles, a história foi outra.

Um exemplo: a reforma tributária tão exigida nos tempos de oposição e realmente necessária ao Brasil também foi convenientemente esquecida pelo governo Lula. Para não ficar feio, o governo enviou duas propostas ao Congresso. A primeira em 2003, por orientação do próprio governo, foi retalhada no Congresso e no final teve apenas algumas coisas, todas contrárias ao brasileiro e favoráveis à sanha arrecadadora do Executivo (o que justiça seja feita não é caracteristica apenas desse governo, mas de todos). Um dos pontos aprovados em 2003 foi a prorrogação da CPMF de 0,38% sobre a novimentação financeira. Aliás, a mesma CPMF foi responsável pela maior derrota do governo Lula no Congresso, ao ser derrubada cinco anos depois. A segunda proposta de Reforma Tributária foi enviada ao Congresso em 2008 e até hoje não entrou na pauta de votações, por manobras especialmente da base do governo. Em outra palavras o executivo enviou a proposta para fazer média com a platéia, mas nos bastidores orientou a  base a não aprová-la. Aliás, a sequer discutí-la.

Um dos argumentos que os defensores do Lulismo sempre usam quando se fala em economia é a queda do dolar que há muito tempo est abaixo dos dois reais, depois de, no final do governo FHC, ter chegado a mais de quatro reais. Eles fingem não saber que o dólar somente chegou a esse patamar por causa do risco que o mercado enxergava numa possivel vitória de Lula na eleição de 2002. Depois quando o sistema financeiro percebeu que ele seria muito mais bonzinho com os bancos que todos os governos anteriores, relaxaram. A comprovação disto está no faturamento do sistema financeiro. Nunca antes na história desse país o banqueiros ganharam tanto dinheiro. Nunca os bancos lucraram tanto. Nos 30 primeiros meses do Governo Lula, os banqueiros tiveram um ganho real de cerca de 12% contra uma inflação de menos de um por cento. Em reais as dez maiores instituições financeiras do pais lucraram pouco mais de 23 bilhões e meio de reais.

Mas isso foi apenas o começo. Ao final dos 8 anos de governo os bancos  registram o estratosférico lucro de 420% em relação aos 8 anos do governo FHC. Um dos motivos deste lucro, de acordo com especialistas, foi que os bancos, a partir de 2003, tiveram autorização para cobrar mais tarifas e a emprestar com juros muito elevados se considerados o mercado internacional. Como o Estado é o maior devedor, dinheiro que deveria ser aplicado em Educação, Saúde, Infra Estrutura acabam no bolso dos banqueiros.  Essa situação levou o canditado a presidencia pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, a cunhar o bem humorado termo Bolsa Banqueiro que ele considerava o grande vilão do país hoje.A Divida Pública brasileira hoje está acima do um trilhão e 400 bilhões de reais. o resultado disso é um desastre total. No governo FHC a soma das dividas interna e externa estava em cerca de um trilhão e 100 bilhões, portanto menor do que é hoje apenas a dívida interna. Para se ter idéia do que isso significa, o governo federal paga por mês de juros dessa dívida muito mais que o orçamento anual de ministérios como o da Educação, Saude e de investimentos como o Bolsa Familia.

A linha vermelha marca o inicio do governo Lula
O governo Lula propagandeou que acabou com a dívida externa brasileira. Mentira. O então Ministro Antonio Pallocci pagou sim, antecipadamente, a dívida que o país tinha com o FMI. Mas só e com um detalhe. Para fazer isso aumentou estupidamente a divida interna brasileira. Para se ter uma idéia mais detalhada, em 1999, quando a dívida externa brasileira chegou a seu ponto mais critico, cerca de 225 bilhões de dólares, o país pagou só de juros o absurdo de 60,7 bilhões de dólares.  Em 2007, só de juros da divida interna, o governo Lula pagou 90 bilhões de dólares.

O desastre da economia se estendeu aos salários. O aumento real de pouco mais de 44% do salário mínimo aparentemente afirma o contrário. Mas a leitura desses números deve ser feita de outra forma. De acordo com o DIEESE, que quando oposição o PT usava para exigir aumento do Mínimo, este salário deveria ser hoje de 2 mil e 300 reais. Mas um valor assim quebraria o país, porque os demais salarios foram achatados pelo governo. Joga-se para o público que o poder de compra do brasileiro aumentou. Também não é verdade. O que há de fato é que com o Real estável pode comprar com certeza que o amanhã não reserva surpresas. E podia-se comprar qualquer coisa em até 60 vezes (até a compra de deputados no Mensalão  foi parcelada). escrevi podia porque passada a eleição veio a realidade: há dez dias para você comprar alguma coisa em 60 vezes, precisa dar entrada de 40%. Como ninguem tem esse dinheiro, ou não compra ou paga carissimo por isso. O que as empresas, de concessionarias de carros a lojas de varejo, estão fazendo é simular uma entrada e cobrando juros mais altos para compensar. Assim, a prestação de uma carro, por exemplo, que tinha embutido um juro de algo em torno de 1,2% hoje tem 2,8%.

Tal filho tal pai?
E essa é apenas mais uma das constatações dos numeros que apontam para a inexistencia de uma política economica do governo. Há outros exemplos. Mas eles se mostram desnecessários. E demonstram claramente que Lula realmente é um fenomeno pois termina seus 8 anos com 75% de ótimo e bom apesar de ter comandado um governo realmente nada mais do que modesto. Alias, essa é uma característica da familia Lula da Silva. Afinal, o filho dele, Lulinha transformou-se da noite para o dia de um tratador de animais num bilionário sócio de grupos como o da Rede Bandeirantes de Televisão. (A reportagem que mostrou essa ascensão meteórica publicada pela Veja foi alvo de protesto de Lulinha que processou a revista. A sentença da juiza Luciana Novakoski (confira aqui) é um primor.)

domingo, 19 de dezembro de 2010

O BALANÇO DE UM GOVERNO NADA MAIS QUE MODESTO - I

Maurelio Menezes

O Governo (?) Lula chega ao fim, embora os fanáticos ou desinformados (apenas os fanáticos e desinformados) petistas e pseudo oposicionistas afirmem que o governo Dilma será a continuidade do Governo Lula. Lula entrega a faixa com uma popularidade jamais vista por outro presidente em final de mandato, um fenômeno para um governo que não foi nada além de modesto e que ficou devendo em muito em áreas fundamentais como saúde, educação, saneamento básico, infra estrutura e na área social. À primeira vista parece até uma incoerência escrever isso. Mas é a demonstrar o contrario que vou me ocupar nos próximos dias, usando números e fatos. E contra números e fatos, dizem as regras, não há argumentos.

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A primeira explicação para esse fenômeno está no fato de nos oito anos Lula ter seguido á risca o que determinou Duda Mendonça a ele no iníco do governo: Não importa o que você faça, mas sim o que o povo pensa que você está fazendo. Para isso desde o início a preocupação foi apostar na compra da mídia. A média de gasto direto com publicidade apenas do governo beira o um bilhão de reais por ano. Se somados os gastos das estatais esse valor é sextuplicado, o que nunca aconteceu antes na história desse país. Mas esse foi apenas um detalhe, como detalhes foram também a subjugação de sindicatos e especialmente de centrais sindicais e a distribuição de benesses a governadores e parlamentares.

Arte publicada em outubro no  Prosa & Política
O Mensalão foi apenas a ponta do iceberg. A falcatrua que levou à denuncia de uma quadrilha de 40 integrantes no STF, inclusive o homem forte do governo, José Dirceu que, apesar de cassado, dia desses disse que nunca se afastou do palácio do Planalto.  Em outubro a blogueira Adriana Vandoni citou entrevista do centista político Marco Antonio Villa ao portal R7 na qual afirmava que o mensalão ainda em 2010 seria uma mera lembrança para o brasileiro.Quanto custou isso em dinheiro púboico. jamais se saberá.

Eu tenho tanto pra lhe contar mas com palavras não sei dizer
 A distribuição de uma fortuna para os produtores rurais de MT entre o primeiro e segundo turnos na eleição de 2006, que aproximou ao extremo Lula de Blairo e que mudou o apoio do então governador que pulou do barco de Alckmin, foi apenas um dos fatos que mostraram como Lula governou. O entreguismo da CUT, tracionalmente uma central sindical de luta e que se transformou numa bibelô nas mãos do governo, sem que a classe trabalhadora tivesse qualquer benefício foi apenas uma das artimanhas usadas para que o brasileiro pensasse que nunca antes da história desse país o país estivera tão bem.

Aos poucos vão aparecendo números. Lula nunca teve oposição. Esta, usando o velho e furado argumento que não apostava no quanto pior melhor, como fizera o PT  em todos os governos anteriores, e que os interesses do Brasil estavam acima de qualquer coisa (na verdade, afirmam os mais informados eles foram cooptados em acordos milionários feitos em hangares de aeroportos de Brasilia e pelo país afora), deram a Lula uma carta branca. Os dados são da Consultoria Arko Advice, que analisou 404 votações nominais de interesse do governo nos ultimos 8 anos. A ausência em plenário foi a tônica dos partidos que se diziam de oposição. O PPS de Roberto Freire evaporou em 46,07%, o DEM em 44,24% e O PSDB  em 41,12%. O PSOL, também oposição, não se ausentou tanto, mas votou com o governo em em 39,58% dessas votações. Uma frase que teria sido dita pelo governador reeleito de Alagoas Teotônio Vilela Filho mostra bem a qualidade da oposição que Lula teve: Oposição? Afasta de mim esse cálice! 

Com uma oposição assim parte do fenômeno está explicado.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS O CONTRIBUINTE FOI TÃO ASSALTADO

Maurelio Menezes

Lula pegou um governo enxuto, sem o encosto das estatais que somente davam despesas, foram usadas historicamente como cabides de emprego. Mais ainda, com a privatização das teles, do setor elétrico e dos bancos estaduais, todos eles passaram a pagar impostos, o que não faziam antes. Em outras palavras, Lula tinha tudo para fazer um governo voltado para o cidadão, aliviando o bolso dele no que mais o destrói, a carga excessiva de tributos que paga em tudo. Mas não o fez. Para compensar criou uma boa estratégia de marketing (saída da cabeça do impoluto Duda Mendonça no inicio de seu primeiro governo) passou a dar a esmola da Bolsa Familia e contou com o deslumbramento daquela que antigamente era chamada de esquerda festiva, um grupo de pessoas que julga estar no poder (na verdade não está e é tão prejudicado quanto o resto dos brasileiros). Entre eles, jornalistas, publicitarios, profissionais liberais, professores, especialmente universitários, executivos do segundo e terceiro escalões. O resultado não poderia ser outro...

 

Impostos duplicaram no governo Lula
O setor elétrico é apenas um dos exemplos em que o brasileiro, inclusive a tal esquerda festiva, mas também o brasileiro comum, aquele que recebe salário minimo, foi literalmente escalpelado para encher os cofres do governo, para aplicação em sabe-se lá o que, ou melhor, sabe-se... Nos ultimos 8 anos os tributos cobrados sobre a energia elétrica mais que dobrou. E, afirma a Folha se S.Paulo, o estrago somente não foi maior porque o governo não conseguiu renovar a CPMF (que Dilma está tentando ressucitar para mneter ainda mais a mão no boldo do contribuinte). Em 2002, final do governo FHC a cada cem reais gastos com energia, sete iam para os cofres federais. Hoje vão 14 reais. A avaliação completa você encontra em reportagem de Leila Coimbra na Folha de S.Paulo .

A Av Paulista, em Sao Paulo, ficou assim
O Rio de Janeiro ficou assim
Apesar do aumento absurdo dos impostos no setor, tivemos um apagão sem proporções em outubro de 2009. O país ficou às escuras, o que significa que o dinheiro arrecadado não foi aplicado no que deveria.  Em 2009 as imagens do Apagão do Lula assustaram o Brasil e os prejuizos foram imensos tanto materialmente quanto para a imagem do país. Hoje, em Mato Grosso, voltamos ao tempo em que qualquer chuva era motivo para ficarmos sem energia.

Com toda essa comprovação de que sabe arrecadar, escapelar mesmo o cidadão, o governo tenta ressucitar a CPMF. Para quê? A sociedade não pode permitir isso. Chega de impostos. O que precisamos agora é uma aplicação justa dos impostos arrecadados, o que não existe por parte do governo.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - III

Maurelio Menezes

Porque o tráfico de drogas no Brasil chegou ao ponto que está? Esta pergunta tem sido respondidas das mais diversas formas nos ultimos dias nas Midias Sociais, especialmente no Twitter. Há um grupo que coloca boa parte da culpa no consumidor seguindo o antigo raciocínio que, se ninguém consumir não haverá trafico. É mais ou menos como se dizer: se ninguem aceitar a corrupção, não haverá corruptos. Ou pior ainda: se você encontrar sua mulher (ou seu marido) o (a) traindo no sofá da sala, venda o sofá que ele(a) não te trairá mais.

Acredito sim que o usuário tem parcela da culpa pela evolução do tráfico. Mas só uma parcela. E pequena. A família, a escola, e várias outras entidades têm também uma parcela de culpa, assim como o Estado que sequer possibilita em grande escala tratamento a quem o procurar. Houve um grande avanço ao se considerar o usuário de droga alguém que precisa de tratamento. Mas o fato dele não procurar por esse tratamento o coloca numa situação delicada. Mas será que procurar um tratamento é algo assim tão simples? Com certeza, não. Porque ninguém se entrega às drogas por nada. Há sempre um motivo que, por mais que não concordemos com ele, é um motivo válido para quem se transformou em usuário.


O problema é muito maior, e não pode ser abordado sem antes de analisar diversos aspectos, como o baixo salário dos policiais, que abordei aqui no segundo Olhar sobre a suposta Guerra Urbana do Rio. Mas há também a absoluta falta de fiscalização por parte do poder público. O Brasil é um grande produtor de maconha, mas não produz Coca, materia prima da cocaina. Na campanha José Serra usou como um dos motes de seu programa a fiscalização das fronteiras, porque 60% da cocaina consumida no Brasil seria produzida na Bolivia (o resto provavelmente vem da Colombia). Mas há um outro detalhe. Bolivia, principalmente, e Colombia, não têm um parque industrial químico para produzir, por exemplo, a acetona, utilizada no refino. Ou seja, não basta fiscalizar a entrada, mas é preciso também a produção dos componentes químicos, a maioria promovida no Brasil. Aí os interesses são muitos e impedem a fiscalização, como também são muitos os interesses que impedem um avanço pesado sobre a industria do alcool, este sim a grande droga, que abre as portas para todas as outras. A arrecadação de impostos, só os federais, no Brasil esse ano será  superior a trilhão de dólares, e boa parte disso vem da industria do fumo e do alcool. Ou seja, para o governo federal, quanto mais viciados, maior a arrecadação.

A suposta guerra urbana que está se desenrolando no Rio tem raizes muito mais profundas que uma simples briga do bem contra o mal, como alguns afirmam. Ao Poder Publico não interessa aprofundar o debate porque a maior parte da culpa é mesmo dele, que, entre muitas coisas,  não fiscaliza, não reprime onde deve reprimir, não paga salarios dignos a policiais para que eles pelo menos resistam um pouco mais à corrupção. não amplia a rede de tratamento para diminuir o número de usuários, ataca apenas os traficantes das favelas, do morros (que a midia se encarrega de dioturnamente de transformar no traficante mais procurado do país), mas não mexe com os verdadeiros chefões que moram no "asfalto" em apartamentos luxuozérrimos, que não cria politicas publicas para evitar que a criança desde cedo se envolva com o crime, começando como fogueteiro, passe  pipeiro, passe a olheiro, se transforme em avião e morra logo depois bringando por um posto de Lugar Tenente na hierarquia do tráfico, já que pouquíssimos chegam a chefiar uma Boca.

Fica mais fácil também para todos nós, que támbém temos nossa parcela de culpa nessa situação, a aplaudirmos um espetáculo como o dos ultimos dias, considerando tudo como positivo, sem usarmos o sacrassanta ferramenta da dúvida cartesiana ou agostiniana, fingindo que agora tudo está resolvido. Não está. E infelizmente está longe de se resolver.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - II

Maurelio Menezes

Hoje a primeira comprovação de que a suposta guerra ao tráfico no Rio está sendo  usada como peça de propaganda pelos governos do Estado do Rio e Federal. Sumidos desde o inicio da crise, período em que falaram apenas via assessoria (Lula foi pego no contrapé numa solenidade internacional), Lula e Dilma são manchetes hoje, quando tudo está resolvido. Dilma anunciou aos quatro ventos que vai se reunir com o Governador Sérgio Cabral para avaliar a situação, reunião que deveria ter acontecido antes. E Lula usou a maior parte do seu programa de Rádio, Café com o Presidente, para falar sobre a atuação das forças aliadas no Rio.

Declarações de comandantes da polícia dadas hoje à Globo News, mostram também a diferença entre o discurso dos propagandistas de plantão, que só fazem manipular, e da polícia, que efetivamente merece elogios pelo trabalho realizado. De acordo com o Coronel Garcia, as imagens divulgadas  na quinta-feira e reforçadas como sendo uma fuga em massa de traficantes não foi mais que um deslocamento dos marginais dentro de seu proprio território. De acordo com ele, criou-se uma imagen que não condiz com a realidade já que Vila Cruzeiro e Alemão fazem parte da mesma "comunidade".

A polícia do Rio tem feito milagres pelo abandono a que está submetida há anos, inclusive no governo Cabral porque se é verdade que há a banda podre nessa polícia também é verdade que poucas policias no país  estão tão abandonadas, inclusive pelo governo federal que para atender interesses de aliados como Sérgio Cabral, impede a aprovação da PEC 300, que prevê a criação de uma espécie de piso nacional para as forças de segurança. Hoje, até para correr riscos menores, os policiais do Distrito Federal ganham até tres vezes mais que um policial de outro Estado.A PEC 300 pretende corrigir esta distorção, mas o governo federal faz jogo de cena (Lula, que debaixo do pano trabalha pela não aprovação,  posou com uma camiseta em defesa da aprovação durante uma grande manifestação em Brasília) atendendo ao jogo de governadores. Se você não acompanha a tramitação da PEC 300 veja aqui do que se trata e como está a situação.

Governantes têm agora uma boa oportunidade de mostrarem que não estão fazendo cena. Eles poderiam reconhecere o trabalho da polícia. apoiando pra valer a aprovação da PEC 300. Com ela policiais, que em sua maioria mora nas mesmas comunidades populares onde têm que combater o crime, teriam uma vida menos indigna e estariam menos sujeitos  aos encantos do dinheiro fácil da contravenção. Mas aí, ate prova em contrário, é pedir demais.

domingo, 28 de novembro de 2010

OLHARES SOBRE A "GUERRA URBANA" NO RIO - I

Maurelio Menezes

O filósofo francês René Descartes fez da dúvida a principal ferramenta para se biscar um conhecimento seguro. Santo Agostinho preconizava que a dúvida é o principio da sabedoria. Pessoalmente, tenho a dúvida como minha principal conselheira e absolutamente todos os momentos. E não é por outro motivo  que frequentemente duvido de minhas próprias convicções. Por isso mesmo desde o dia em que começou a chamada crise da segurança no Rio venho me questionando o que existe por trás disso tudo? Quais os interesses que estão por trás dessa ação, que começou de repente, sem um motivo aparente? A partir de hoje vou postar aqui uma série de consideçãoes, resultados dessas dúvidas e que compõem meu Olhar sobre essa suposta guerra urbana

Nas ultimas semanas, a cada dia se solidificou mais a imagem da história da Vaca na Sala. Você não conhece a história? O sujeito não aguentava mais tantos problemas em casa, que envolviam a mulher, os filhos, as finanças, a saúde, enfim tudo. Procurou um desses gurus de auto ajuda, que o aconselhou a colocar uma vaca na sala. Dias depois ele voltou a procurar o guru afirmando que a situação piorara muito, porque, além de todos os problemas anteriores, agora tinha a vaca sujando a casa derrubando móveis, enfim, provocando o caos. O guru então lhe sugeriu que tirasse a vaca da sala. Ele seguiu a orientação e dias depois voltou feliz porque todos os problemas provocados pela vaca já náo existiam.
Frequentemente, e em Comunicação,  estudamos e aprendemos isso: numa sociedade do espetáculo como definiu Guy Débord, nada melhor que um espetáculo para se esconder alguma coisa ou se desviar atenção de um problema maior( e se o espetáculo não existir necessário é que ele seja montado). Mas qual seria esse problema? Afinal, os ataques incendiarios a carros e ônibus são reais. Imagens como as que invadiram nossas retinas nos últimos dias não se tratam de ficção. Mas alguns detalhes chamam atenção: a maioria dos veiculos incendiados foram ônibus e Vans, que apoiam o transporte coletivo no Rio. Todos, absolutamente todos, os incêndios foram em locais de bastante visibilidade e em horas sem muito trânsito, ou seja, mandava-se um recado e tinha-se campo livre para fuga. Poucas vezes houve feridos, isto é, os incendiários, traficantes ou não, não queriam atacar a população.


Inauguração da UPP do Morro do Turano
Para se entender o que está acontecendo, talvez seja necessário se voltar um pouco no tempo. No final do ano passado, já de olho na reeleição, Sérgio Cabral criou uma política de segurança em parceria  com o Governo Federal, que por sua vez estava de olho na eleição de Dilma, àquela altura patinando nos 20% das intenções de voto. As UPPS -Unidades de Policia Pacificadora- surgiram como a panacéia para todos os problemas da segurança do Rio e um exemplo para o Brasil. A polícia invadia uma comunidade (estão usando o termo comunidade de forma errada, dando a impressão que se trata de um lugar onde vive um bando de gente pobre, sem voz e sem força) e ficava lá com instalação de dependências definitivas. Seria maravilhoso se não se tratasse apenas de uma peça de propaganda, no melhor estilo de Goebels. As inaugurações das UPPs sempre foram realizadas com com grande pompa e com a presença do Governador e em alguns casos do próprio Lula, que participou da inauguração da UPP do Dona Martha, em Botafogo, Zona Sul do Rio. No primeiro comício de Dilma no Rio, sempre ao lado de Lula, é claro, os dois falaram pelo menos 10 minutos cada um sobre as UPPs. Cada UPP, pela sua configuração, teria um quadro com a média de um policial para cada 30 habitantes, ou seja, apenas para o Rio, seriam necessáros 300 mil policiais para trabalhar exclusivamente nas UPPs. Num dos comícios que fez no Rio, para adoçar os olhos especialmente da classe média, Lula irresponsavelmente cometeu o absurdo de afirmar que o modelo das UPPs seria implantado em todo o país no governo Dilma. Em outras palavras, só para as UPPS teriamos que ter um efetivo de 7 milhões de políciais com equipamentos, armas e tudo que uma unidade exige, o que, todos sabem, é tão possivel quanto o Flamengo ser campeão brasileiro de 2010.

Essa ofensiva com o Exercito, Marinha (aliás, porque não convocaram também a Aeronatitica?), e todas as forças locais tornariam desnecessária a curto prazo novas investidas nas UPPs pois  o tráfico estaria liquidado. Estaria? Qual o lider que foi preso na invasão do Alemão? Não chegaram ao asfalto onde estão os verdadeiros benefeciados do tráfico. Assim até agora tudo foi jogo de cena, tudo propaganda. Tudo pirotecnia para desinformados verem.

Amanhã a gente conversa sobre outro aspecto dessa guerra que não é guerra, desse espetáculo circense montado para desviar a atenção das centenas de problemas do Rio que não é isso, uma terra de ninguém. problemas que o governo Cabral jamais conseguirá resolver, não por ser o governo Cabral, mas por se tratar de problemas acumulados ao longo de séculos de cuidados superficiais, cuidados superficiais presentes também no governo Cabral.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ONDE ESTÁ O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL DE MATO GROSSO?

Maurelio Menezes

Porque até agora o Ministério Público Eleitoral de Mato Grosso não entrou pesado em dois assuntos que a Policia Civil deixou passar sabe-se lá porque. Ou melhor, sabe-se, mas não se comenta. Um deles envolve os ex secretários estaduais de Infra estrutura Vilceu Marchetti e de administração Geraldo de Vito. O outro diz respeito ao presidente do PR em Mato Grosso, Wellingtn Fagundes e o ex prefeito de Barra do Garças - MT, Wandeley Farias, também do PR.

A Polícia Civil não descobriu nada , mas as investigações da Justiça Federal, aquelas que, sabe-se lá porque, ou melhor sabe-se, o governador reeleito de MT Silval Barbosa queria impedir tendo recorrido à justiça para isso, não chegou a conclusão alguma. Vilceu Marchetti, de acordo com essas investigações, era modesto: levou apenas 5 por cento do dinheiro desviado na fraude dos maquinários. Suponhamos que Geraldo de Vito tenha levado outros cinco por cento. E o resto da grana? Com certeza foi para o caixa 2 de campanha. De quem? É a primeira resposta que o Ministério Público Eleitoral deve buscar. Todos sabem a resposta, porque ficou claro quem tinha dinheiro na campanha para comprar inclusive jornalistas e veículos de comunicação para atacar os outros e defender o comprador.

Vilceu Marchetti, chorando
Geraldo De Vitto, rindo 
Mas ha outro detalhe. Será que Marchetti, que tem aparecido fazendo teatro às lágrimas,  começou a desviar dinheiro somente agora? É muito provavel que não, porque ninguem se torna impobro de uma hora para outra. Se o governador Silval não tem nada mesmo a esconder, o que duvida-se, deveria colocar sob suspeição todas as licitações feitas pela SINFRA com Vilceu à frente. Afinal se o rombo nas contas do estado hoje é superior a um bilhão e meio (apenas de restos a pagar do ano passado são quase um bilhão de reais)é bem provavekl que boa parte dele tenha sumido pelo ralo da corrupção do atual governo que, ao que tudo indica, tem um tamanho impossivel de se calcular.

Wellington Fagundes : "Venha a nós!"
O outro caso aponta o deputado federal reeleito Wellington Fagundes que seria um dos beneficiários do desvio de dinheiro de uma série de licitações na região do Araguaia. Wellington, surpreendentemente para a maioria dos analistas foi o candidato a deputado federal mais votado concorrendo com gente de peso na corrida eleitoral como Carlos Bezerra, Rogério Salles e Homero Pereira, todos com reduto eleitoral na mesma região que ele. Ao mesmo tempo Wellington gastou os tubos na campanha. Cabe ao Ministério Púboico descobrir de onde venio o dinheiro da campanha e, mais que isso, se foi e o que foi gasto por fora. Para se ter uma idéia da ostentação de Wellington, no dia do debate aqui em Cuiabá, que não é reduto eleitoral dele, na TV Rondon (aquele que mudaram as regras em cima da hora para favorecer Silval Barbosa), na rua havia mais cabos eleitorais de Wellington que dos candidatos ao governo.

Se o Ministério Público Eleitoral fizer sua parte vai confirmar, com certeza, o que todos sabem e comentam em Cuiabá: dessa foi a eleição mais comprada e na qual mais correu dinheiro roubado da história de Mato Grosso. E com certeza muita gente não vai tomar posse e outros que até agora conseguiram se livrar vão tirar férias atras das grades. Com a palavra o MPE.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O DESCASO COM A EDUCAÇÃO SUPERIOR

Maurelio Menezes

Durante a campanha o governo federal tentou passar uma idéia que está cuidando da educação superior, que aumentou o numero de vagas, que o Brasil finalmente entrou no Primeiro Mundo no que se refere a educação superior. Foi desmentido pelos fatos, fatos que por todo o país continuam a mostrar que a educação superior nunca foi tão abandonada.O Brasil melhorou no ranking internacional de pesquisas? Melhorou. Mas muito mais porque hoje, pelo avanço da tecnologia e pelo interesse na iniciativa privada e terceiro setor que por méritos do setor público.


Na UFMT os exemplos são muitos, mas vou me ater a apenas um: uma das disciplinas que ministro na Habilitação Jornalismo do Curso de Comunicação Social, Técnicas de Produção e Difusão em Telejornalismo, não será concluida como deveria por um motivo simples: não há técnicos para a realização com os alunos do conteudo jornalistico produzido por eles. Essa novela se arrasta a vários semestres e, com os alunos, já tomei as mais diversas atitutes, inclusive a suspensão da disciplina, sem que os administradores , a quem cabe resolver esse imbroglio, se dignassem a dar uma solução ao caso . A administração superior se diz impotente para resolver o problema porque o Governo Federal não autoriza a abertura de concurso para técnicos. Ao mesmo tempo nunca se construir tantos prédios quanto nos últimos anos. Ou seja, privilegia-se o espaço fisico mas não o dota do essencial para dar uma formação de qualidade a quem o utilizar. Investe-se na construção de prédios e não se investe na contratação de seres humanos que vão possibilitar a construção do conhecimento nesses predios. E assim os alunos vão saindo da Universidade com uma formação incompleta. Mas para o Poder Central tudo está às mil maravilhas.

Mas o abandono e o desvio do que seria o objetivo, a finalidade do ensino superior não é privilégio da UFMT. A Folha de S.Paulo traz hoje reportagem sobre desperdicio de dinheiro público na UNIFESP, a Universidade Federal de São Paulo (A reportagem pode ser lida aqui). O Ministério Publico Federal constatou que lá o desperdicio é superior a um milhão e duzentos mil reais, prédios que nçao estáo sendo utilizados. Ao mesmo tempo, os alunos iniciaram em greve essa semana por falta de estrutura. Ou seja, joga-se pelo ralo dinheiro que poderia ser utilizado na dotação da infra estrutura necessária à oferta de um ensino superior de qualidade.

Há casos absurdos em que o imóvel foi alugado e devolvido um ano e meio depois sem nunca ter sido utilizado. A foto ao lado, do repórter fotográfico Moacyr Borges da Folha Press,  mostra a entrada de um prédio na rua Borges Lagoa  na Vila Clementino, alugado para o Departamento de Dermnatologia, que chegou a ser ocupado, mas teve que ser desocupado para realização de reformas e até hoje não foi ocupado de fato. Equipamentos, móveis,  estçao amontodos se deteriorando pela falta de uso. A administração superior da UNIFESP,  dois anos depois da primeira denuncia, até hoje não investigou o caso, não apurou se foi apenas incompetencia administrativa mesmo ou se houve fraude com desvio de dinheiro fins inconfessáveis, o que é o mais provável  num país onde a corrupção só faz aumentar devido a impunidade que virou regra e que envolve os mais altos escalões. E ainda querem criar novos impostos ou ressucitar antigos. Para que? Para se ter mais verbas para desviar ou para fazer mau uso?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E AGORA SILVAL?

Maurelio Menezes

O governador Silval Barbosa está entre a cruz e a espada. Ele sofreu sua primeira derrota  após sua reeleição e vai vai ter agpra seu primeiro teste de fidelidade nos próximos dias quando tiver que escolher o novo Defensor Geral. Ele e o presidente da Assembléia, Mauro Savi, fizeram a campanha do atual Defensor Geral, Djalma Sabo Mendes, que, como se sabe, assumiu o cargo há dois anos tendo sido o terceiro colocado na disputa. Tanto Silval quanto Savi investiram pesado para que Djalma fosse reconduzido ao cargo, mas não conseguiram.

Nos corredores da Defensoria comenta-se que a máquina foi usada despudoradamente, apesar do colégio eleitoral ser pequeno, menos de 300 votantes. Promessas não teriam faltado.  Há quem diga também, que o lançamento da candidatura de Valdenir Pereira, irmão do deputado federal reeleito, Valtenir Pereira, também teria sido articulado pelo governador e pelo presidente da AL, numa tentativa de dividir a oposição a Djalma, que foi tão competente  em sua gestão que conseguiu a proeza de unir contra ele grupos adversários comandados pela ex Defensora Geral, Karol Rotini, e pelo ex Corregedor, André Prieto.

O resultado final da eleição, divulgado na própria sexta feira., colocou Prieto em primeiro lugar, Djalma em segundo e Valdenir em terceiro. E aí começou o problema para o Governador que terá que escolher entre os três o futuro Defensor Geral. Moralmente, não há o que discutir: André Prieto foi o mais votado e deveria ser o indicado, principalmente porque Djalma foi rejeitado pelos pares duas vezes e seria um desrespeito sua inidicação mais uma vez sem ter sido o mais votado. O que se comenta é que Silval está pensando duas vezes antes de reconduzir Djalma por um motivo muito simples: optar por ele é comprar briga com os deputados reeleitos José Riva e Sérgio Ricardo que mais uma vez devem comandar a mesa diretora da AL e que jogaram pesado para eleger Andre Prieto.

Será que o governador vai bater de frente com os dois que serão fundamentais para seu primeiro ano de gestão quando terá que tapar um buraco de um bilhão e meio de reais do orçamento do Estado, o que dificilmente conseguirá sem ter do seu lado a AL aprovando o que ele precisar? Se optar por respeitar a vontade das urnas, Silval irá contra os interesses do Promotor Paulo Prado e do Ministro do STF GilmarMendes, além de estar traindo seu afilhado.

sábado, 6 de novembro de 2010

O RISCO A SER EVITADO VI - O Exemplo de Indira Ghandi

Maurelio Menezes

O sexto Olhar sobre mulheres que, como Dilma Roussef, foram as primeiras a assumir o comando de seus países é sobre uma mulher cujo sobrenome lembra paz, que fez esforços no sentido de conseguí-la, mas que não pensou duas vezes quando precisou ir á guerra e acabou vitima da violencia, assassinada por dois de seus guarda costas. Os primeiros cinco olhares (acesse clicando nos nomes) foram sobre a israelense (nascida na Ucrania) Golda Meier, a argentina Isabelita Perón, a bela paquistanesa Benazir Bhutto e a alemã Angela Merckel e a britanica Margareth Tatcher. Todas e mais Indira Ghandi, a personagem de hoje, tomaram posse como grandes esperanças e usando como figura de marketing o fato de serem a primeira mulher a governar seus países. Todas, apesar disso e de algumas conquistas, fracassaram no essencial. O motivo? Essas mulheres, como ja escrevi nos Olhares anteriores têm em comum um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo da vida não terem se destacado como representantes legítimas das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: com o fracasso em setores fundamentais, todas, em maior ou menor grau, apesar de conquistas,e com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países.

O olhar quase sempre distante, frio, triste até, contrastando com o sorriso das fotos posadas mostra bem o contraste que foi a vida de Indira Gandhi, adorada  e odiada por milhões. Apesar do nome, ela não tinha parentesco algum com Mahatma Gandhi. Nascida Nehru, ganhou o Gandhi de seu marido, Feroze, que também não o tinha, mas o acrescentara por motivos políticos. Para alguns teóricos foi uma das mais destacadas políticas da história, porque tinha o raro poder de convencer multidões.

Antes se se transformar, em 1966, na primeira mulher a comandar a patriacalista India, Indira fora Presidente do Congresso e Ministra da Informação e Radiodifusão. Seu primeiro ato foi se unir à esquerda e destruir as lideranças tradicionais do Congresso. Foi considerada uma excelentre estrategista porque concentrou o poder em si própria, escolhendo auxiliares fracos, além de disseminar a cisão no Congresso para criar seu próprio partido.

Em 1971  foi reeleita convencendo a multidão que iria mudar a vida dos indianos (seu slogan  era Garibi hatao! ou Acabar com a pobreza!). Não cumpriu, mas a exemplo de Margareth Tatcher fez da guerra uma ação de marketing, transformando o Paquistão em suas Ilhas Malvinas, com um detalhe: na guerra os paquistaneses eram apoiados pelos Estados Unidos. Mesmo assim Indira conseguiu que fosse criada a República de Bangladesh, o que elevou a auto estima do povo que, mais que nunca passou a adorar Indira. Na época, de acordo com o instituto Gallup, o mais conceituado do mundo. Indira era a governante com maior apoio popular no mundo.

A partir daí a ascenção de sua popularidade foi meteórica, mas na década de 70 despencou, quando foi acusada de crimes eleitorais na reeleição de 1971. Ao ser considerada culpada pela Corte, e ter seus direitos suspensos por seis anos, Indira disse que iria dar um tempo na democracia, dando um golpe, declarando Estado de Emergencia, e passando a governar o país de forma ditatorial.

Foi nessa época que tomou suas decisões mais polemicas mas que tiveram grande apoio popular, como, na contramão do que apontavam os economistas, nacionalizar os bancos (muitos bancos provados haviam falido e arrastado parte do depósito do povo com eles). Indira também interrompeu o pagamento de pensão pessoal á casta dos príncipes que haviam perdido o poder com a independencia do pais.

O grande programa de Indira  foi realizado na agricultura, onde diversificou a cultura e deu um passo grande no combate à fome no pais.Conhecido como Revolução Verde o programa foi fundamental para que a India se tornasse autosuficiente na produção de cereais, o que praticamente acabou com a importação de grãos pelo país. Esse esforço fez com que ela passasse a ser conhecida como a Mãe da India. Mas nem isso foi suficidente para impedir sua derrota em 1977 que aconteceu extamanente em função das medidas que tomou contra a liberdade, e que levaram o povo a pensar num retrocesso que os levasse ao estado anterior à independencia.

Entre essas medidas, criticadas em todo o mundo livre, estavam a redução das liberdades civis,  dissolução das Assembléias oposicionistas, perseguição, prendendo e, de acordo com denuncias, mandando torturar lideres da oposição. Os meios de comunicação foram censurados e boicotados (frequentemente ela mandava cortar a energia elétrica dos prédios onde eles funcionavam). Com maioria no Congresso editou leis cada vez mais duras sempre sem discussão nem debate. Sua derrota em 1977 foi saudada no mundo como a queda de mais uma ditadura.

Apesar do apoio das classes mais pobres e mais jovens, que a levou de volta ao poder em 1979 (ela governou de uma forma mais branda até ser assassinada em 1984), até hoje sua passagem pelo poder é controversa, pelo período ditatorial e pela guerra aos sikhs considerada por muitos como o maior genocídio da história do país e pelo qual a responsabilizam totalmente. Somente na invasão do Santuário Harmindar Sahib seus soldados mataram quase cem soldados sikhs e cerca de 500 civis. As posições belicistas de Indira criaram uma comoção entre seus seguidores que passaram a perseguir os sikhs e em apenas uma destas investidas mataram mais de dois mil inocentes.

Indira foi assassinada por dois guarda costas, Beant Singh, que foi morto no próprio local do assassinato,  e Satwant Singh, enforcado  quatro anos depois. Indira foi substituida pelo filho mais velho, Ragiv Gandhi, que em 1991 teve o mesmo fim da mãe (o filho mais novo dela, Sanjay, morrera num atentado em que o avião que estava explodiu no ar). A viuva dele, Sônia Gandhi, que é italiana, conseguiu, na base da emoção, formar uma grande coalização e levar o partido do marido à vitória nas eleições de 2004, mas se recusou a assumir o cargo de Primeira Ministra, afirmando que o sangue dos Gandhis não correrá mais pela India.  

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O RISCO A SER EVITADO V - O Exemplo de Margareth Tatcher

Maurelio Menezes

A mulher que popularizou o apelido Dama de Ferro, que originariamente fora dado a Golda Meier, é a personagem do quinto Olhar sobre mulheres que, como Dilma Roussef, foram as primeiras a assumir no último século, o comando de seus países. Os primeiros quatro olhares (acesse clicando nos nomes) foram sobre a israelense (nascida na Ucrania)  Golda Meier, a argentina Isabelita Perón, a bela paquistanesa Benazir Bhutto e a alemã Angela Merckel. Todas e mais Margareth Tatcher, a personagem de hoje, tomaram posse como grandes esperanças e usando como figura de marketing o fato de serem a primeira mulher a governar seus países. Todas, apesar disso e de algumas conquistas, fracassaram no essencial. O motivo? Essas mulheres, como ja escrevi nos Olhares  anteriores têm em comum um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo da vida não terem se destacado como representantes legítimas das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: com o fracasso em setores fundamentais, todas, em maior ou menor grau, apesar de conquistas,e com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países.


Margareth Tatcher  chegou á politica pelas mãos do marido, empresário da industria petrolifera e membro do Partido Conservador, que a elegeu para a Câmara dos Comuns em 1959, aos 34 anos de idade. Dois anos depois ja era Secretária de Estado para Assuntos Sociais e logo depois assumiu o Ministério da Educação e Ciência (ela se formara em Ciências Químicas em Oxford). Como Ministra uma de suas primeiras ações foi polêmica e provocou uma onda de protestos: acabou com a distribuição gratuita de leite nas escolas (alegava que a maioria não precisava da gratuidade).

Considerada a mais enérgica lider da ala direita do Partido Conservador assumiu o comando do partido em 1975 e apresentou uma proposta de programa economico que quatro anos mais tarde levaria os Conservadores ao poder, com ela se transformando na primeira mulher a exercer o cargo de Primeira Ministra no Reino Unido. As diretrizes básicas desse programa, que tinha como objetivo tirar o país da grave crise economica em que se encontrava, previa  a diminuição da intervenção estatal na economia, um amplo programa de privatização, a redução dos serviços sociais e do poder dos Wags Councils,  Conselhos que definiam os salários no pais. Com isso praticamente aboliu o salário mínimo, visto pelos Conservadores como um gargalo à administração (o Salário Minimo na Inglaterra somente viria a ser restabeleido vinte anos mais tarde, em 1999, por Tony Blair).



Como Primeira Ministra conseguiu de inicio interromper drasticamente a evolução da inflação (que mesmo assim chegou a 20 por cento ao ano) e valorizar a Libra Esterlina que passou a valer mais que o dólar americando, que desde a Segunda Guerra se transformara na moeda comercial em todo o mundo. Como efeito colateral de sua política economica, houve uma queda na produção industrial e, consequentemente, o aumento do desemprego em mais de 300 por cento. Outra consequencia de curto prazo foi a quebra de bancos e empresas, que, como no Brasil, ganhavam fortunas com a inflação e não sabiam viver sem ela. A consequencia a médio prazo foi a recessão, oficialmente assumida em 1981.


Até essa época o mundo a respeitava. O apelido de Dama de Ferro que pegou emprestado de Golda Meier passou a ser usado depois que o presidente americano Ronald Reagan a chamou de Homem Forte do Reino Unido pela forma dura e masculina com que exercia o poder. Mas a situação começou a mudar quando ela fez severas críticas à União Soviética, acusando Leonid Brejmev de desrespeito aos direitos humanos mais elementares (na época a URSS tentava ocupar o Afeganistão onde acabou derrotada por Osama Bin Laden que teve ajuda dos americanos). Para dse defender, Bejnev criticou as medidas economicas adotadas por ela. Socialistas de várias regiões do mundo assumiram as criticas do líder comunista e a colocaram como alvo principal de suas miras.

A redenção de Thatcher veio no ano seguinte, de forma propagandista. Na época, o regime Militar que dominava a Argentina tentou fazer marketing ao invadir e tomar as Ilhas Falklands, potentado britanico no Atlantico e as rebatizá-las de Malvinas. Tatcher interveio, soube usar a guerra a seu favor  e sua intervenção teve apoio maciço da opinião pública. O resultado da vitória dela na guerra (que teve apoio logistico dos Estados Unidos) foi o inicio do fim do regime militar na Argentina e uma vitória esmagadora dos Conservadores, apesar da recessão e do desemprego. Em 82 eles conseguiram a maior vitória ja conquistada nas urnas por um partido do Reino Unido.

O Partido Trabalhista continuou a minar os programas de Tatcher, incentivando greves como a dos mineiros, que foi reprimida com dureza e que a colocou como alvo de atentatos a bomba. Tatcher reagiu limitando o direito de greve  e intensificando o combate ao desemprego sem abrir mão de sua politica de privatização. De positivo nessa época foi a reaproximação com a Irlanda com quem definiu uma política de combate ao terrorismo.


Na nova vitória dos Conservadores em 1987, o começo do fim. A maioria conseguida no parlamento foi muito pequena e a gota d'água, de acordo com historiadores, foi a criação do Pool Tax, um imposto que quanto maior a quantia que tem que se pagar menor é a aliquota. Assim teoricamente, os mais pobres pagariam mais impostos que os mais ricos. O resultado foi uma grande pressão popular que a levou a renunciar ao cargo e 1990 e voltar á Cãmara dos Comuns onde ficou ate 1992 quando recebeu o título de Baronesa de Kesteven e passou a fazer parte da Câmara dos Lordes, onde está até hoje, quando se prepara um filme sobre sua vida, The iron Woman, que, pelo que foi divulgado há cerca de um mes,  deverá ser estrelado por Meryl Streep e que de acordo com os produtores "conta a história de uma mulher que superou as barreiras de gênero e classe para ser ouvida em um mundo dominado por homens. A história mostra o preço que se paga pelo poder e é um retrato surpreendente de uma mulher extraordinária e complexa".

O sexto Olhar sobre mulheres que foram as primeiras a assumir o comando de seus países será sobre Indira Gandhi, assassinada em 1984 pelos seus dois guarda costas, teoricamente por motivos religiosos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O RISCO A SE EVITAR IV - O Exemplo de Angela Merkel

Maurelio Menezes

Depois de apresentar Olhares sobre Golda Meir, Isabelita Perón e Benazir Bhutto, o quarto Olhar da série de mulheres que, como Dilma Roussef, assumiram em regimes republicanos, o comando de seus países  é sobre Angela Merkel, Primeira Ministra da Alemanha desde 2005, que tem visto nos ultimos tempos sua popularidade, a popularidade de seu partido, o CDU -União Democrata Cristã- e seus principais programas desceremn ladeira abaixo, além de, de acordo com alguns analistas, estar fazendo um mal muito grande aos demais países europeus. Essas mulheres, como ja escrevi nos Olhares  anteriores têm em comum um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo não terem se destacado como representantes legítimas das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: todas, em maior ou menor grau, apesar de conquistas,e com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países e acabaram, de uma forma ou de outra, sucumbindo.

Considerada no ano passado pela Revista Forbes,  como a mulher mais poderosa do mundo, Angela Merkel chegou ao poder apadrinhada pelo então Primeiro Ministro alemão Helmut Khol, no governo de quem fora Ministra da Mulher e da Juventude (no primeiro governo da Alemanha unificada, em 1990) e Ministra do Meio Ambiente.  No início uma figura apagada na CDU, aproveitou-se de um escandalo de corrupção que atingiu seu padrinho e ocupou espaço a ponto de ser apontada como a única pessoa que poderia  assumir a liderança do partido e tirá-lo da enrascada em que fora metido por Khol. 


Embora aparentemente e para consumo externo seja uma excelente governante é muito criticada internamente, especialmente em áreas que deveria se destacar como a social. Há algumas semanas apresentou um pacote econômico que prevê cortes em investimentos e uma austeriadade não vista nem mesmo quando a Alemanha saiu derrotada na Segunda Grande Guerra mundial. Os cortes serão principalmente na área social com demissões em massa em funções públicas e  nas Forças Armadas que terão reduzido seu efetivo em cerca de 20%. Além disso a proposta prevê aumento de impostos em áreas essenciais, como na geração de energia nuclear, o que vai encarecer a conta do consumidor na ponta final do consumo. A idéia dela é economizar só no ano que vem onze bilhões de Euros. Com isso Frau Merkel espera diminuir a dívida publica da Alemanhta que em seu governo chegou a 73% do PIB. De acordo com o Financial Times, a política econômica de Merkel é tão frágil eque não convence nem mesmo o mercado interno. Resultado: o indice que mede a confiança dos investidores na Alemanha medido pelo independente Instituto ZEW, caiu de 21,1  pontos em julho para 14 em outubro, o pior nivel em cerca de dois anos.

Mas as criticas a Merkel não se resumem à economia. Conhecida por excentridades como beber, e muito, cerveja em público e eventualmente desfilar com modelos pouco aconselháveis a uma Chefe de Estado, acabou se tornando numa da personagens favoritas dos caricaturistas, apontados pelos defensores dela, como machistas.

Sempre papariacada pelos poderosos, Frau Merkel é acusada de ser joguete na mão deles. Para muitos essa paparicação teria sido o motivo que a levou a apoiar a invasão americana ao Iraque, bem como a tomar decisões que agradem alguns parceiros, embora prejudique a cada vez mais frágil União Européia. O resultado disso é que os indices de aprovação dela e do próprio partido têm despencado e hoje, caso as eleições fossem antecipadas (o mandato dela vai até 2013) ela não conseguiria se reeleger.

De acordo com dados da Forsa, principal Instituto de Pesquisa alemão a CDU, de Merkel, e a União Social-Cristã -CSU-, partido-irmão bávaro da legenda, teriam apenas 30%  enquanto o aliado partido Democrático-Liberal (FDP) não passa da barreira de 5%, necessária para entrar no Parlamento. de acordo com o  Forsa, esse é o pior desempenho da centro-direita, desde que começou a fazer pesquisas para a revista Stern, em 1986. As taxas de aprovação do governo também registraram forte queda desde a reeleição de Merkel em outubro do ano passado, à frente de uma coalizão de conservadores e liberais que teve de deixar de lado promessas de campanha como cortes de impostos e tem travado disputas sobre a realização de reformas.

Enquanto isso seu outrora aliado na chamada Grande Coalizão, o Partido Social Democrata -SPD-, tem se recuperado após registrar seu pior resultado eleitoral no pós-guerra no ano passado. Hoje ele, que tem como aliado o Partido Verde, contaria com 47% de apoio, o que seria o bastante para lhes dar uma maioria na câmara baixa do Parlamento.

Para complicar ainda mais, um dos grande programas sociais de  Angela Merkel, compromisso dela com a juventude da CDU, o multiculturalismo  que previa a integração de imigrantes está fazendo água a ponto dela reconhecer publicamente  num festa com a Juventude que “O conceito multicultural não funcionou.

O autoritarismo, que seria uma outra caracterítica sua, o fracasso na política economica, a falta de investimentos em programas sociais, as demissões em massa, a rendição aos interesses especialmente americanos em prejuizo da União Européia deu a Angela Merkel um novo apelido, o de Adolf Merkel e, mais uma vez a tornou objeto de caricaturas pouco lisongeiras.

Ela vai conseguir reverter a situação? Dificilmente, dizem os críticos, porque ela escolheu os caminhos e as companhias erradas para reverter essa situação.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O RISCO A SE EVITAR III - O Exemplo de Benazir Bhutto

Maurelio Menezes

No terceiro Olhar sobre mulheres que, como Dilma Roussef, foram as primeiras a assumir o comando de seus países em regimes republicanos, depois de viajar pelas histórias de Golda Meier e de Isabelita Perón, a personagem de hoje é a paquistanesa Benazir Bhutto. Essas e outras mulheres sobre cujas histórias apresentarei aqui meus Olhares, como escrevi antes,  em comum têm um pequeno detalhe: na campanha nenhuma delas se apresentou como candidata das mulheres ou se preocupou em apresentar propostas especificas para humanização das condições de saúde, educação, emprego, enfim, de qualidade de vida das mulheres. Ela têm em comum, também, o fato de ao longo da vida nenhuma delas ter se destacado como representante legítima das mulheres, até por fazerem política num mundo dominado por homens e sua falta de sensibilidade, sua quase tosca relação com a vida, ou seja, biologicamente são mulheres, mas ideologicamente não o foram como por exemplo foram, entre tantas outras, Voltarine de Cleyre e Margaret Sanger no final do sec. XIX, Simone de Beauvoir, Betty Friedan em meados do século passado ou as brasileiras Nisia Floresta e Pagu. Em comum a essas mulheres mais um detalhe, este triste e lamentável: todas, em maior ou menor grau, apesar conquistas, com certeza involuntariamente, fizeram muito mal a seus países e acabaram, de uma forma ou de outra, sucumbindo.

Benazir Bhutto foi a típica lider forjada na academia e na resistência a um regime supostamente autoritário e, num determinado momento, foi vista como a grande possibilidade de modernização do pensamento numa região eternamente caracterizada como atrasada e extremamente patriarcalista. Depois de estudar em Harvard e Oxford, duas das principais universidades do mundo, se viu, aos 24 anos, obrigada a voltar para o Paquistão quando seu pai, o Primeiro Ministro Zulfikar Ali Bhutto foi deposto e preso por um golpe militar comandado pelo General Muhamad Zia Ul-Haq. Ao lado da mãe Benazir assumiu o comando do Partido Popular do Paquistão, o PPP. Dois anos depois, em 1979, o pai dela foi executado e ela presa, torturada e em 1984, expulsa do país.

No exilio no Reino Unido, com acesso à midia internacional, assumiu o comando da resistência ao regime de Zia, forçando reformas que incluiram o fim do toque de recolher no país e o reconhecimento dos partidos políticos de oposição. Em 1988, oito meses após retornar do exilio, o PPP conseguiu uma consagradora vitória nas urnas, com apoio especialmente das classes menos abastadas,  ela se tornou a primeira mulher a se transformar em chefe de governo de um Estado muçulmano. Saudada pela comunidade internacional que, pela sua beleza e importancia,  a chamava de Sherazade do Sec. XX, como um símbolo de liberdade e de modernidade, acabou se transformando num fiasco. Seu primeiro governo durou pouco menos de dois anos.

Em agosto de 1990 foi destituida pelo Presidente Ghulam Ishaq Kahn sob acusação de nepotismo, corrupção, desvio de verbas públicas e abuso de poder. A consequencia do governo dela foi uma derrota vexatória do PPP nas eleições gerais. Com isso ela voltou a fazer oposição ao governo, voltando a ser estilingue.

Três anos bastaram para que ela conseguisse convencer a população que fora vítima de um grande complô internacional que envolvia, inclusive, a Índia, país com quem o Paquistão trava uma guerra milenar pela posse de territórios. Em 1993, voltou a assumir pela segunda vez o cargo Primeira Ministra. Novas denuncias, desta vez mais graves. Além das anteriores, corrupção, nepotismo, desvio de dinheiro público e abuso de poder, Benazir foi acusada de autorizar assassinatos extra judiciais de opositores  e de outros detentos comuns e deposta pelo então Presidente Farook Leghari.

A partir daí, embora tenha não tenha abandonado a política e mantivesse milhões de seguidores, sua vida se transformou numa ida e vinda a tribunais, inclusive intrernacionais, pois foi processada na Suiça acusada de ter recebido cerca de 12 milhões de dólares de duas empresas suiças como propina para que elas vencessem licitações no Paquistão. Em seu país foi considereda culpada de todas as acusações imputadas a ela. Antes para tentar escapar dos processos se auto exilara em Londres.

Anistiada pelo presidente Pervez Musharraf, voltou mais uma vez ao Paquistão. No dia de sua volta um atentado matou cerca de 150 pessoas, mas ela saiu ilesa. Tornou-se mais uma vez lider da oposição e se recusou a participar de um governo de coalização no qual ocuparia mais uma vez o cargo de Primeira Ministra.

A conturbada história da Sherazade Moderrna acabou de forma trágica. Foi assassinada em 27 de dezembro de 2007 tendo sido atingida no peito e no pescoço por um homem bomba que após atingi-la detonou o explosivo proximo ao carro em que ela acenava para a multidão, matando outras vinte pessoas. Ainda hoje há quem afirme que ela foi vítima por tentar mostrar o valor da mulher fazendo política num mundo dominado pelos homens e suas insensibilidades.

Amanhã, a história mais moderna dessas mulheres, a de Angela Merkel, da Alemanha.