quarta-feira, 2 de julho de 2014

A VOZ DAS RUAS, UM ANO DEPOIS


Maurelio Menezes

 

Há quem diga que a partir do final da Copa as manifestações nas ruas vão se intensificar. Evidentemente que por trás delas haverá interesses inconfessáveis. Em São Paulo atingir o governo tucano, no Rio  o peemedebista. Em outros estados, atingir os governos petistas (e seus aliados) e em especial o governo federal. Aqui em Mato Grosso, por exemplo, o alvo será, sem dúvida o PMDB que, no apagar das luzes, fez um acerto com o PT para apoiar Lúdio, candidato do PT.

Com isso dançou o ex Juiz Federal Julier que foi convencido a se filiar ao partido para ser seu candidato ao Governo. Acreditou e dançou como já dançara antes o dono do grupo Gazeta, Dorileo Leal.

Em São Paulo, Maluf, deu asas ao candidato do PT, Alexandre Padilha, posou para foto com ele e o candidato petista chegou a, numa entrevista a dizer que não há como se fazer uma omelete sem quebrar ovos, referindo-se ao apoio do PP de Paulo Maluf à sua candidatura, empacada nos 4 por cento nas pesquisas. Maluf. No ultimo dia das convenções, deu o golpe e sabe-se lá por quais argumentos, bandeou-se para o PMDB de Paulo Skaf, ex- presidente da FIESP.

Essas amarrações (ou ficaria melhor armações?) políticas são resolvidas às escondidas, por uma meia dúzia de iluminados e as convenções se transformam em puras encenações.

Agora com os jogos da Copa ficou ainda mais fácil. Sábado, durante  o jogo (ou logo depois dele) vários desses caciques se reuniram pelo país afora, fizeram os acertos. Depois na segunda feira, reuniram os convencionais e apresentaram a eles a chapa pronta e fechada. A maior parte de mídia aqui em Mato Grosso noticiou que o PMDB era cortejado por diversos partidos, mas preferiu o PT e ainda emplacou a Deputada Tetê Bezerra como candidata a vice de Lúdio Cabral.  Na verdade a candidatura da deputada foi imposta como condição para o apoio, que significa um bom tempo na TV. Tudo foi decidido na sede do PR, outro aliado, no sábado, logo depois do jogo da seleção.

Essa foi um dos gritos nas ruas em junho do ano passado: acabar com essa política do toma lá dá cá, da negociação nada republicana, da enganação. E isso não mudou nada. O grito foi em vão. Ou não entenderam o que as ruas pediam ou fingiram que não entenderam porque na eleição que vem por aí os métodos serão os mesmos de tantas outras que levaram nosso país e instituições como o Congresso ao que eles são hoje. O Congresso, as Assembléias Legislativas e as Câmaras de Vereadores têm tão pouca credibilidade que até o ex presidente Sarney disse ao anunciar que não vai se candidatar mais a cargo publico algum que vai continuar na política mas não quer exercer mais cargo público porque a política está desestimulante.

A mini reforma política aprovada pelo Congresso, sem ouvir o povo, não valerá para a eleição de outubro. Não há interesse que ela valha. Eles querem continuar a fazer da coisa pública um brinquedo e uma forma de enriquecimento ilícito.

O Congresso e a Assembléia que aí estão não nos representam, gritamos todos nas ruas há exatamente um ano. E o que será eleito continuará a não nos representar. O governo por sua vez continua a dar dinheiro aos empresários e finge estar acabando com a pobreza no país. Só com o Imposto Sobre Produtos Industrializados que deixou de receber das revendedoras deixou de arrecadar ate agora mais de 15 bilhões de reais, dinheiro que poderia ser investido em educação e saúde, outro grito das ruas há um ano. Mas o governo prefere, como um Silvio Santos da vida, jogar dinheiro para um auditório seleto.

A saúde continua como estava ou pior. Na educação a novidade foi a aprovação do PNE, que estava tramitando há três anos e que não mexe no essencial: o financiamento da educação pública e principalmente o projeto político pedagógico da educação brasileira, uma educação que, como já escrevi aqui, tem o objetivo de manter o poder hegemônico como está.

Não é uma educação transformadora porque não cria no aluno o espírito crítico que ele, como cidadão, precisa ter para transformar a sociedade e impedir que algumas das falcatruas citadas acima não se repitam. Quando isso vai acontecer? Quando nós nos posicionarmos contra o que ai está, quando sairmos do estado de anomia em que vivemos, essa quase passividade que nos transforma a todos em simples subalternos.

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